
Trump ordena suspensão do comércio com Espanha e depois fala em “união” na cimeira da NATO
Presidente dos EUA chamou Madrid de “causa perdida” e mandou cortar todos os negócios, mas no final do encontro em Ancara afirmou que houve “muito amor” entre aliados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou publicamente ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, a suspensão imediata de todo o comércio com Espanha, incluindo visitas, durante a cimeira da NATO em Ancara, na quarta-feira. Trump qualificou o país como “causa perdida” e “parceiro terrível” na Aliança Atlântica, acusando Madrid de não participar nem pagar. A instrução foi dada oralmente, à margem da sessão principal, e surge após meses de tensão bilateral centrada na recusa espanhola em elevar a despesa militar para 5% do PIB e em ceder as bases de Morón e Rota para operações dos EUA na guerra contra o Irão.
Fontes do Palácio da Moncloa reagiram com “tranquilidade e normalidade”, sublinhando que a relação social, cultural e económica com Washington é “magnífica” e que a política comercial é competência da União Europeia, não podendo ser singularizada a um Estado-membro. O primeiro-ministro Pedro Sánchez descreveu uma conversa informal com Trump sobre futebol e golfe, sem “qualquer tipo de tensão”, e insistiu que os laços bilaterais permanecem “muito positivos”. Madrid recordou ainda que os EUA registam um excedente comercial com Espanha, o que, na sua leitura, mostra que Washington beneficia mais da relação.
A Comissão Europeia interveio em defesa de Espanha. O porta-voz do comércio, Olof Gill, afirmou que Bruxelas “garantirá sempre os interesses dos seus Estados-membros” e recordou o acordo comercial assinado com os EUA no ano passado, esperando que Washington cumpra os seus compromissos. Na perspetiva de analistas em Bruxelas, a ameaça de Trump esbarra nas regras da união aduaneira, que impedem ruturas comerciais bilaterais, mas serve para manter pressão sobre o único aliado da NATO que não se comprometeu com a meta de 5% do PIB em defesa até 2030.
A cimeira, que decorreu sob o signo da divisão, terminou com uma mudança de tom. Trump afirmou que houve “muito amor” e “união incrível” na sala, e que Espanha “regressou completamente” e foi “muito generosa”. A declaração final reafirmou o compromisso com a defesa coletiva do Artigo 5.º e anunciou 70 mil milhões de euros em assistência militar à Ucrânia para 2026, além de novos compromissos de gasto dos aliados europeus e do Canadá. O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou como “ficção política” qualquer cenário de conflito entre aliados.
A par da questão espanhola, Trump reavivou a pretensão de controlar a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, afirmando que a ilha é “muito importante para os Estados Unidos” mas não para Copenhaga. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reiterou que a Gronelândia “não está à venda” e que o seu futuro cabe aos gronelandeses. O dossier comercial com Espanha permanece em aberto, sem medidas concretas anunciadas além da instrução oral, enquanto a NATO tenta consolidar a imagem de unidade saída de Ancara.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
| Imprensa africana subsaariana | −0.50 | critical |
Os Estados Unidos, frustrados com os baixos gastos de defesa da Espanha, exigem que os aliados da OTAN assumam sua parte justa e ameaçam retaliação comercial para impor o cumprimento.
Ao destacar o fracasso da Espanha em atingir a meta de 5% do PIB, a narrativa transforma a postura agressiva de Trump em uma consequência lógica de compromissos quebrados, tornando a ameaça razoável.
O bloco atlântico omite o contexto mais amplo da declaração simultânea de Trump de que o cessar-fogo com o Irã acabou, o que poderia ser visto como uma desestabilização adicional da unidade da OTAN.
A Espanha, um parceiro confiável da OTAN, enfrenta bullying injustificado de um presidente dos EUA que exige lealdade enquanto ignora suas contribuições.
Ao contrastar a linguagem dura de Trump com a reação composta da Espanha, a narrativa cria uma assimetria moral que posiciona a Espanha como a parte razoável e Trump como o agressor.
O bloco latino-americano omite o fato de que a Espanha é o único membro da OTAN não comprometido com a meta de gastos de defesa de 5% do PIB, o que fornece contexto para a frustração de Trump.
Os aliados da OTAN e a comunidade internacional observam as tensões da cúpula, com a Espanha insistindo em relações positivas apesar das palavras duras de Trump.
Ao incluir tanto as acusações de Trump quanto a réplica da Espanha, a narrativa apresenta uma estrutura de 'ele disse, ela disse' que evita tomar partido, conferindo um ar de objetividade.
O bloco africano omite as porcentagens específicas de gastos com defesa e o fato de que a Espanha é o único membro da OTAN não comprometido com a meta de 5%, o que daria mais peso ao argumento de Trump.
Amplie o olhar
Petróleo Brent supera US$ 90 com escalada de ataques entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz
8 idiomas · 21 veículos
De TechnologyInfraestrutura de IA atrai dezenas de mil milhões em dois megadeals com impacto na Europa e no Brasil
5 idiomas · 7 veículos
De Science & HealthPausas ativas de cinco minutos: ciência valida dança, yoga e pilates para corpo e mente
3 idiomas · 6 veículos