
Casos de cancro podem quase duplicar até 2050 e expõem fosso entre países ricos e pobres
Relatório da OMS projeta 35 milhões de diagnósticos anuais e revela que a sobrevivência depende mais do local de nascimento do que da biologia do tumor.
O número anual de novos casos de cancro no mundo deverá passar dos atuais 20,6 milhões para cerca de 35 milhões em 2050, de acordo com o Relatório Global sobre a Situação do Cancro 2026, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC). A doença, que já provoca 10 milhões de mortes por ano — mais de 26 mil por dia —, mantém-se como a segunda causa de morte global, atrás das doenças cardiovasculares. O documento estima que uma em cada cinco pessoas desenvolverá um tumor ao longo da vida e que 92% da população mundial será afetada, seja por diagnóstico próprio ou como cuidadora de um familiar próximo.
A projeção de crescimento, impulsionada pelo envelhecimento populacional e pela exposição a fatores de risco como tabaco, álcool, obesidade e poluição do ar, é acompanhada por um agravamento das desigualdades no acesso a cuidados. Nos países de rendimento elevado, 87% das mulheres com cancro da mama sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico; nos de baixo rendimento, a taxa cai para 42%. A disparidade repete-se no cancro infantil: a sobrevivência a cinco anos supera os 85% nas nações ricas, mas fica abaixo dos 30% nas mais pobres. A disponibilidade de medicamentos essenciais ilustra o fosso: enquanto nos países de rendimento alto entre 68% e 94% dos 20 fármacos oncológicos prioritários estão acessíveis, nos de rendimento baixo e médio-baixo essa proporção varia de 9% a 54%.
Na América Latina, os registos da Argentina mostram uma tendência dual: o número absoluto de diagnósticos continua a subir — foram 130.878 novos casos em 2020 e uma estimativa de 139.470 em 2024 —, mas a mortalidade por tumores de próstata, mama, cólon e pulmão recuou na última década, reflexo de melhorias na deteção precoce e nos tratamentos. A sobrevivência a cinco anos no país subiu de 82,3% para 84,4% no cancro da mama e de 83,5% para 87,6% no da próstata. Em Itália, a publicação das primeiras linhas de orientação nacionais para síndromes de predisposição hereditária, com destaque para os genes BRCA1 e BRCA2, procura uniformizar o acesso a testes genéticos e a cirurgias de redução de risco, como a mastectomia bilateral, que pode diminuir em mais de 90% a probabilidade de desenvolver a doença.
O relatório sublinha que quatro em cada dez casos de cancro estão associados a fatores de risco evitáveis, como infeções por HPV e hepatites B e C, consumo de tabaco e álcool, excesso de peso e sedentarismo. A OMS recomenda integrar o cancro nos pacotes de cobertura universal de saúde — atualmente menos de um terço dos países o faz —, reforçar a proteção social e colocar a experiência de doentes e cuidadores no centro das políticas. Um inquérito global citado no documento revela que 45% dos pacientes enfrentam dificuldades financeiras e mais de metade reporta problemas de saúde mental, enquanto os cuidadores descrevem sobrecarga e isolamento social.
Em paralelo, a investigação clínica avança em frentes como a imunoterapia e as vacinas terapêuticas. Um estudo de fase inicial com 33 doentes com astrocitomas de alto grau, publicado na revista Nature por uma equipa alemã, mostrou que 66% dos participantes continuavam vivos após oito anos e 42% não apresentaram progressão do tumor, resultados que os próprios autores consideram promissores mas que exigem confirmação num ensaio controlado e aleatorizado de grande escala, com início previsto para março de 2027. No campo do melanoma, cuja incidência aumenta também entre os mais jovens, a imunoterapia já permite curar cerca de metade dos doentes metastáticos, mas especialistas italianos insistem que a prevenção e o diagnóstico precoce continuam a ser as ferramentas mais eficazes.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
A OMS emite um alerta global, mas nós latino-americanos devemos nos preparar: os números nos afetam diretamente.
Parte-se do dado global e o leva a exemplos nacionais, criando um senso de urgência pessoal e coletiva.
Não se menciona a melhoria das taxas de sobrevivência em países como a Austrália, o que poderia atenuar o alarme.
O câncer é um flagelo que afeta a todos, mas nem todos têm as mesmas chances: é uma questão de justiça global.
Parte-se de uma estatística universal (92%) para depois descer a uma história pessoal, criando empatia e indignação.
Não se menciona a queda da mortalidade em países desenvolvidos como a Austrália, o que poderia suavizar a crítica às desigualdades.
Os avanços na sobrevivência ao câncer são reais, mas devemos ficar de olho nas novas tendências entre os jovens e nas vacinações.
Parte-se de um dado positivo (aumento da sobrevivência) para depois introduzir elementos de cautela, mantendo um tom medido e factual.
Não se menciona o alarme global da OMS sobre o aumento de casos, o que poderia ofuscar os progressos locais.
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