Entrar
Edição das 10:00 CETsábado, 4 de julho de 2026
311 veículos · 17 idiomas522 briefing hoje
Economia e Mercadosquinta-feira, 2 de julho de 2026

Setor bancário suíço entre normalização e tensão regulatória: Julius Baer retoma clientes de risco e UBS contesta banco central

Enquanto o Julius Baer se prepara para encerrar restrições a clientes politicamente expostos, o UBS critica o Banco Nacional Suíço por um relatório que considera 'enganoso' sobre as novas exigências de capital.

O banco suíço Julius Baer prepara o fim da proibição de aceitar pessoas politicamente expostas (PEPs), uma categoria de clientes de maior risco, sinalizando a normalização das operações após mais de dois anos de consequências do escândalo de crédito envolvendo o magnata austríaco Rene Benko. A medida, relatada por fontes próximas ao banco, é apoiada pelo avanço da investigação da autoridade reguladora Finma, que se encontra em etapas finais. O encerramento formal do processo, que permitiria ao Julius Baer retomar a recompra de ações, é esperado para o segundo semestre, dependendo da decisão final da Finma. As ações do banco reagiram com alta de 2,86% na bolsa de Zurique.

Paralelamente, o UBS contestou de forma veemente o Banco Nacional Suíço (SNB) após este afirmar, no seu relatório anual de estabilidade financeira, que o maior banco do país já detém capital suficiente para cumprir as reformas propostas pelo governo para instituições consideradas “grandes demais para quebrar”. O UBS classificou o relatório de “enganoso”, argumentando que a análise do banco central distorce o impacto operacional das regras pendentes e subestima as causas do colapso do Credit Suisse. O SNB, por sua vez, defendeu a exigência de cobertura total de capital para as unidades estrangeiras do UBS como uma medida “proporcionada”, que colocaria a instituição em linha com os seus pares internacionais.

A disputa reflete a tensão mais ampla no centro financeiro suíço, onde o parlamento debate o pacote de reformas pós-Credit Suisse. O governo pretende obrigar o UBS a aumentar o capital ordinário alocado às suas subsidiárias estrangeiras de 60% para 100% do valor patrimonial de cada unidade, o que o banco estima exigir um aporte adicional de cerca de 20 mil milhões de dólares. O UBS considera que tal exigência prejudicaria severamente o seu modelo de negócio e a competitividade do setor, tendo já admitido avaliar opções como a transferência da sede. A comissão parlamentar responsável voltará a reunir-se em agosto, e há expectativas de que os legisladores suavizem as propostas do executivo, embora exista consenso sobre a necessidade de elevar as exigências de capital face aos níveis atuais.

Na perspetiva de Zurique, o SNB e a Finma têm defendido consistentemente a cobertura total de capital, posição também endossada pelo Fundo Monetário Internacional. O Julius Baer, por seu lado, concentra-se em recuperar a capacidade de captação de novos negócios, depois de a revisão da carteira de clientes e o encerramento da unidade de dívida privada terem limitado a atuação dos seus gestores em várias regiões. O banco, que gere mais de 500 mil milhões de dólares em ativos, viu o colapso do império imobiliário de Benko resultar em perdas de 700 milhões de dólares e na saída do anterior CEO. O atual presidente executivo, Stefan Bollinger, lidera um programa de reestruturação plurianual que conta com amplo apoio dos investidores, tendo as ações subido cerca de 12% este ano.

O desfecho dos dois processos — a conclusão da investigação da Finma ao Julius Baer e a votação parlamentar sobre as exigências de capital ao UBS — definirá o equilíbrio entre a competitividade e a resiliência da praça financeira suíça nos próximos meses. Enquanto o Julius Baer aguarda a decisão da Finma para normalizar totalmente as suas operações, o UBS continuará a contestar publicamente os números do banco central, num braço de ferro que deverá prolongar-se até 2026.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

0%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa europeia continentalImprensa latino-americana
Imprensa europeia continental/ DACH+
DistanciamentoPragmatismoCeticismo

A disputa regulatória no setor bancário suíço se intensifica. O Banco Nacional Suíço apoia as novas regras de capital propostas pelo governo, classificando-as como direcionadas e proporcionais, e afirma que o UBS já as atende. O UBS rejeita o relatório como enganoso e considera as regras extremas, enquanto seus lobistas ganham espaço no parlamento.

Imprensa latino-americana/ Mercado
PragmatismoCeticismo

O embate entre o UBS e o banco central suíço sobre as novas regras de capital ganha destaque, com o UBS acusando a autoridade de um relatório enganoso. Enquanto isso, o Julius Baer caminha para a normalização de suas operações após um escândalo envolvendo um magnata austríaco, sinalizando recuperação. A perspectiva ressalta as reações dos bancos e as implicações práticas das mudanças regulatórias.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Surto de Ébola Bundibugyo na RD Congo torna-se o maior da história com mais de 1.500 casos·Papa Leão XIV leva mensagem de acolhimento a Lampedusa no dia da independência dos EUA·Milhares bloqueiam acessos em Erfurt para travar congresso da AfD·Petróleo recua, mas preço dos combustíveis segue elevado no mundo·Colômbia garante última vaga e completa quadro dos oitavos de final do Mundial 2026·EUA celebram 250 anos de independência sob calor extremo e divisão política·Gaza fica de fora do acordo EUA-Irão e violência persiste após mil dias de guerra·Trump exibe nota de US$ 100 com sua assinatura e reacende debate sobre personalismo na moeda·Surto de Ébola Bundibugyo na RD Congo torna-se o maior da história com mais de 1.500 casos·Papa Leão XIV leva mensagem de acolhimento a Lampedusa no dia da independência dos EUA·Milhares bloqueiam acessos em Erfurt para travar congresso da AfD·Petróleo recua, mas preço dos combustíveis segue elevado no mundo·Colômbia garante última vaga e completa quadro dos oitavos de final do Mundial 2026·EUA celebram 250 anos de independência sob calor extremo e divisão política·Gaza fica de fora do acordo EUA-Irão e violência persiste após mil dias de guerra·Trump exibe nota de US$ 100 com sua assinatura e reacende debate sobre personalismo na moeda·
Atualizado 22:403 idiomas · 3 veículos
AnteriorEconomia e MercadosPróximo
3 veículos|3 idiomas|3 min de leitura
quinta-feira, 2 de julho de 2026

Setor bancário suíço entre normalização e tensão regulatória: Julius Baer retoma clientes de risco e UBS contesta banco central

Enquanto o Julius Baer se prepara para encerrar restrições a clientes politicamente expostos, o UBS critica o Banco Nacional Suíço por um relatório que considera 'enganoso' sobre as novas exigências de capital.

O banco suíço Julius Baer prepara o fim da proibição de aceitar pessoas politicamente expostas (PEPs), uma categoria de clientes de maior risco, sinalizando a normalização das operações após mais de dois anos de consequências do escândalo de crédito envolvendo o magnata austríaco Rene Benko. A medida, relatada por fontes próximas ao banco, é apoiada pelo avanço da investigação da autoridade reguladora Finma, que se encontra em etapas finais. O encerramento formal do processo, que permitiria ao Julius Baer retomar a recompra de ações, é esperado para o segundo semestre, dependendo da decisão final da Finma. As ações do banco reagiram com alta de 2,86% na bolsa de Zurique.

Paralelamente, o UBS contestou de forma veemente o Banco Nacional Suíço (SNB) após este afirmar, no seu relatório anual de estabilidade financeira, que o maior banco do país já detém capital suficiente para cumprir as reformas propostas pelo governo para instituições consideradas “grandes demais para quebrar”. O UBS classificou o relatório de “enganoso”, argumentando que a análise do banco central distorce o impacto operacional das regras pendentes e subestima as causas do colapso do Credit Suisse. O SNB, por sua vez, defendeu a exigência de cobertura total de capital para as unidades estrangeiras do UBS como uma medida “proporcionada”, que colocaria a instituição em linha com os seus pares internacionais.

A disputa reflete a tensão mais ampla no centro financeiro suíço, onde o parlamento debate o pacote de reformas pós-Credit Suisse. O governo pretende obrigar o UBS a aumentar o capital ordinário alocado às suas subsidiárias estrangeiras de 60% para 100% do valor patrimonial de cada unidade, o que o banco estima exigir um aporte adicional de cerca de 20 mil milhões de dólares. O UBS considera que tal exigência prejudicaria severamente o seu modelo de negócio e a competitividade do setor, tendo já admitido avaliar opções como a transferência da sede. A comissão parlamentar responsável voltará a reunir-se em agosto, e há expectativas de que os legisladores suavizem as propostas do executivo, embora exista consenso sobre a necessidade de elevar as exigências de capital face aos níveis atuais.

Na perspetiva de Zurique, o SNB e a Finma têm defendido consistentemente a cobertura total de capital, posição também endossada pelo Fundo Monetário Internacional. O Julius Baer, por seu lado, concentra-se em recuperar a capacidade de captação de novos negócios, depois de a revisão da carteira de clientes e o encerramento da unidade de dívida privada terem limitado a atuação dos seus gestores em várias regiões. O banco, que gere mais de 500 mil milhões de dólares em ativos, viu o colapso do império imobiliário de Benko resultar em perdas de 700 milhões de dólares e na saída do anterior CEO. O atual presidente executivo, Stefan Bollinger, lidera um programa de reestruturação plurianual que conta com amplo apoio dos investidores, tendo as ações subido cerca de 12% este ano.

O desfecho dos dois processos — a conclusão da investigação da Finma ao Julius Baer e a votação parlamentar sobre as exigências de capital ao UBS — definirá o equilíbrio entre a competitividade e a resiliência da praça financeira suíça nos próximos meses. Enquanto o Julius Baer aguarda a decisão da Finma para normalizar totalmente as suas operações, o UBS continuará a contestar publicamente os números do banco central, num braço de ferro que deverá prolongar-se até 2026.

Divergência das fontes

Economia e Mercados · 3 veículos · 3 idiomas

0%Baixa

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro100%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa europeia continentalImprensa latino-americana
Imprensa europeia continental/ DACH+
DistanciamentoPragmatismoCeticismo

A disputa regulatória no setor bancário suíço se intensifica. O Banco Nacional Suíço apoia as novas regras de capital propostas pelo governo, classificando-as como direcionadas e proporcionais, e afirma que o UBS já as atende. O UBS rejeita o relatório como enganoso e considera as regras extremas, enquanto seus lobistas ganham espaço no parlamento.

Imprensa latino-americana/ Mercado
PragmatismoCeticismo

O embate entre o UBS e o banco central suíço sobre as novas regras de capital ganha destaque, com o UBS acusando a autoridade de um relatório enganoso. Enquanto isso, o Julius Baer caminha para a normalização de suas operações após um escândalo envolvendo um magnata austríaco, sinalizando recuperação. A perspectiva ressalta as reações dos bancos e as implicações práticas das mudanças regulatórias.

Esta notícia apareceu em

3 veículos · 3 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Funeral de Khamenei atrai multidões e revela fraturas no Irão pós-guerra

10 idiomas · 52 veículos

De Technology

Índia trava nomes de utilizador no WhatsApp e alarga escrutínio ao Telegram e Signal

4 idiomas · 16 veículos

De Science & Health

Sono fora da faixa ideal acelera envelhecimento e eleva risco cardiovascular, mostram estudos

4 idiomas · 6 veículos

Ler mais