
Petróleo recua, mas preço dos combustíveis segue elevado no mundo
Apesar da queda do barril para níveis anteriores à guerra com o Irã, a gasolina e o diesel permanecem caros nas bombas, pressionando consumidores e governos.
O preço do petróleo Brent caiu para US$ 72 o barril, mesmo patamar de antes do conflito no Oriente Médio, mas os combustíveis refinados não acompanharam a queda na mesma proporção. Nos EUA, a gasolina está quase US$ 1 por galão mais cara do que antes da guerra; na Espanha, o litro da gasolina 95 custa em média € 1,53; na Argentina, os preços variam fortemente entre províncias e bandeiras, com a nafta comum da YPF em Santa Cruz a 1.046 pesos e a da Shell em Misiones a 2.299 pesos. A desconexão entre o mercado de cru e os produtos refinados revela um novo gargalo: a capacidade de refino.
Analistas na Europa e nos EUA apontam que, enquanto o petróleo bruto é cotado em mercados financeiros globais, os preços da gasolina e do diesel respondem a dinâmicas regionais de oferta e procura. O fim do bloqueio no Estreito de Ormuz liberou dezenas de petroleiros, mas as refinarias não conseguem processar o excedente com a rapidez necessária. Na Suíça e na Alemanha, o litro do sem chumbo 95 chega a 1,81 francos e o diesel a 1,98 francos, com aumentos adicionais após o fim de subsídios governamentais. A margem de refino, e não a cotação do barril, passou a ditar o custo na bomba.
Nos Estados Unidos, a insatisfação dos consumidores é palpável: uma pesquisa Gallup indica que dois terços das famílias sentem dificuldades financeiras com os preços elevados, e quase metade alterou planos de viagem no feriado de 4 de julho. O presidente Donald Trump acusou as petrolíferas de “espremer” os americanos e ordenou investigações. Na Argentina, a Secretaria de Energia divulga valores de referência que escancaram a disparidade regional, reflexo de custos logísticos, impostos e câmbio. Na Indonésia, o governo congelou a tarifa de eletricidade e adiou o repasse da alta do carvão e do petróleo para proteger o poder de compra, ao mesmo tempo em que prepara a introdução do biodiesel B50, com 50% de óleo de palma, a partir de julho de 2026.
O custo de oportunidade da guerra também pesa. O projeto Costs of War da Universidade Brown estima que os EUA gastaram cerca de US$ 8 trilhões em conflitos desde 2001, recursos que, segundo analistas em Teerã, poderiam ter sido direcionados para infraestrutura, saúde e educação. Com as eleições legislativas americanas em novembro, a pressão sobre a Casa Branca para conter os preços deve aumentar. O mercado acompanha agora a velocidade com que as refinarias conseguem normalizar a produção e se a OPEP+ ajustará a oferta de cru para evitar um colapso nas cotações que, paradoxalmente, poderia não se refletir nas bombas.
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Na Indonésia, o governo mantém as tarifas de eletricidade estáveis e introduz gradualmente o biodiesel B50, enquanto os revendedores estatais e privados reduzem os preços do diesel e da gasolina. Essas medidas visam proteger o poder de compra dos consumidores em meio às oscilações do preço global do petróleo. A fórmula de preços para a nova mistura de biodiesel ainda está em discussão.
Na Argentina, os preços dos combustíveis variam diariamente de província para província, impulsionados pela volatilidade do petróleo internacional, um dólar flutuante e altos impostos internos. Esse mosaico gera incerteza para os motoristas, que precisam verificar os preços locais antes de abastecer. A situação reflete uma instabilidade econômica mais ampla que deixa os consumidores com pouca previsibilidade.
A guerra com o Irã está atingindo os americanos onde mais dói: na bomba de combustível. Enquanto os preços da gasolina e do diesel disparam, o custo extra se espalha por alimentos, transporte e bens de consumo diário, apertando os orçamentos familiares. O relatório sugere que o verdadeiro preço do conflito está sendo pago pelos cidadãos americanos comuns, longe do campo de batalha.
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