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Geopolítica & Políticasábado, 4 de julho de 2026

Gaza fica de fora do acordo EUA-Irão e violência persiste após mil dias de guerra

Memorando de entendimento entre Washington e Teerão ignora o território palestiniano, enquanto ataques israelitas e crise humanitária se mantêm apesar do cessar-fogo de 2025.

O memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e Irão em meados de junho, com o objetivo de pôr fim à guerra regional, não contém qualquer menção à Faixa de Gaza. No terreno, o cessar-fogo acordado entre Israel e o Hamas em outubro de 2025 continua a ser violado: a 3 de julho, um drone israelita matou uma criança palestiniana que recolhia água na Cidade de Gaza, e tanques e helicópteros dispararam sobre Khan Younis, Rafah e o campo de Bureij. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 275 crianças foram mortas por forças israelitas desde a entrada em vigor da trégua.

Na perspetiva de analistas europeus, a exclusão de Gaza do acordo reflete uma alteração de prioridades regionais. Hugh Lovatt, do Conselho Europeu de Relações Externas, afirma que “o valor estratégico do Hamas aos olhos do Irão diminuiu”. Fontes militares israelitas, como o especialista Eado Hecht, sustentam que o Hamas “traiu” Teerão ao lançar o ataque de outubro de 2023 sem o seu aval, num momento em que o Irão não desejava uma guerra. Diplomatas ocidentais baseados em Jerusalém descrevem a ausência de Gaza nas negociações como sintoma de paralisia política: “não existe um quadro político credível para o dia seguinte”, afirmou um deles à AFP.

Apesar da superioridade militar israelita, o objetivo político de desmantelar a resistência palestiniana não foi alcançado, como notam analistas no Médio Oriente. A destruição de cidades inteiras e a crise humanitária coexistem com um impasse diplomático. Relatórios das Nações Unidas indicam que 96% das crianças em Gaza sentem que a morte é iminente e uma comissão independente da ONU concluiu que Israel dirigiu ataques deliberados contra menores, mesmo após o cessar-fogo — acusação que o governo israelita rejeita. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem manifestado preocupação com a situação humanitária e reiterado o apoio à solução de dois Estados, embora a sua influência nas atuais negociações seja limitada.

O conflito teve início com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, alastrou-se ao Líbano e ao Iémen através do Hezbollah e dos Houthis, e culminou numa guerra direta entre os EUA e o Irão. O cessar-fogo de outubro de 2025, baseado num plano do presidente Donald Trump, previa o fim definitivo das hostilidades e a reconstrução de Gaza, mas as negociações estão paralisadas há meses. Nos bastidores, decorrem no Cairo conversações entre fações palestinianas, incluindo o Hamas, o Conselho de Paz criado por Trump e mediadores como o Qatar e a Turquia. Discute-se um roteiro que combine o desarmamento gradual do Hamas com a criação de autoridades transitórias. No entanto, a imprensa israelita noticia que o governo de Israel rejeitará esse quadro. Para já, a próxima ronda de conversações entre Washington e Teerão está prevista, mas Gaza permanece à margem da agenda diplomática.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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After a thousand days of war, Gaza is forgotten by the world as major powers negotiate deals that exclude it. Palestinians feel abandoned and without international support, as global attention shifts elsewhere.

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Lebanon exits the UN umbrella with a deal that ignores Gaza, while Hezbollah had justified its war as support for the Strip. Attention shifts to internal Lebanese balances and demilitarization, leaving Gaza on the sidelines.

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sábado, 4 de julho de 2026

Gaza fica de fora do acordo EUA-Irão e violência persiste após mil dias de guerra

Memorando de entendimento entre Washington e Teerão ignora o território palestiniano, enquanto ataques israelitas e crise humanitária se mantêm apesar do cessar-fogo de 2025.

O memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e Irão em meados de junho, com o objetivo de pôr fim à guerra regional, não contém qualquer menção à Faixa de Gaza. No terreno, o cessar-fogo acordado entre Israel e o Hamas em outubro de 2025 continua a ser violado: a 3 de julho, um drone israelita matou uma criança palestiniana que recolhia água na Cidade de Gaza, e tanques e helicópteros dispararam sobre Khan Younis, Rafah e o campo de Bureij. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 275 crianças foram mortas por forças israelitas desde a entrada em vigor da trégua.

Na perspetiva de analistas europeus, a exclusão de Gaza do acordo reflete uma alteração de prioridades regionais. Hugh Lovatt, do Conselho Europeu de Relações Externas, afirma que “o valor estratégico do Hamas aos olhos do Irão diminuiu”. Fontes militares israelitas, como o especialista Eado Hecht, sustentam que o Hamas “traiu” Teerão ao lançar o ataque de outubro de 2023 sem o seu aval, num momento em que o Irão não desejava uma guerra. Diplomatas ocidentais baseados em Jerusalém descrevem a ausência de Gaza nas negociações como sintoma de paralisia política: “não existe um quadro político credível para o dia seguinte”, afirmou um deles à AFP.

Apesar da superioridade militar israelita, o objetivo político de desmantelar a resistência palestiniana não foi alcançado, como notam analistas no Médio Oriente. A destruição de cidades inteiras e a crise humanitária coexistem com um impasse diplomático. Relatórios das Nações Unidas indicam que 96% das crianças em Gaza sentem que a morte é iminente e uma comissão independente da ONU concluiu que Israel dirigiu ataques deliberados contra menores, mesmo após o cessar-fogo — acusação que o governo israelita rejeita. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem manifestado preocupação com a situação humanitária e reiterado o apoio à solução de dois Estados, embora a sua influência nas atuais negociações seja limitada.

O conflito teve início com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, alastrou-se ao Líbano e ao Iémen através do Hezbollah e dos Houthis, e culminou numa guerra direta entre os EUA e o Irão. O cessar-fogo de outubro de 2025, baseado num plano do presidente Donald Trump, previa o fim definitivo das hostilidades e a reconstrução de Gaza, mas as negociações estão paralisadas há meses. Nos bastidores, decorrem no Cairo conversações entre fações palestinianas, incluindo o Hamas, o Conselho de Paz criado por Trump e mediadores como o Qatar e a Turquia. Discute-se um roteiro que combine o desarmamento gradual do Hamas com a criação de autoridades transitórias. No entanto, a imprensa israelita noticia que o governo de Israel rejeitará esse quadro. Para já, a próxima ronda de conversações entre Washington e Teerão está prevista, mas Gaza permanece à margem da agenda diplomática.

Divergência das fontes

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