
EUA celebram 250 anos de independência sob calor extremo e divisão política
Aniversário é marcado por onda de calor que cancela eventos, protagonismo controverso de Trump e queda recorde no orgulho nacional, revelam sondagens.
Os Estados Unidos assinalam este sábado o 250.º aniversário da Declaração de Independência com celebrações ofuscadas por uma vaga de calor extremo na Costa Leste e por uma profunda polarização política. O Presidente Donald Trump discursará ao final da noite no National Mall, em Washington, seguido de um megaespetáculo de fogo de artifício, depois de na véspera ter denunciado o comunismo como “ameaça mortal” a partir do Monte Rushmore. As temperaturas, que podem atingir os 42°C na capital, obrigaram ao cancelamento do desfile tradicional e ao encerramento temporário da Grande Feira Estatal Americana, enquanto as autoridades emitiram alertas de saúde pública.
Segundo a imprensa norte-americana, a administração Trump apresenta a efeméride como uma homenagem ao excecionalismo do país e um aviso contra inimigos internos. Contudo, uma investigação democrata no Congresso, citada pelo diário espanhol La Vanguardia, acusa o presidente de “sequestrar” o aniversário através de uma comissão paralela, a Freedom 250, que terá desviado fundos públicos e transformado a celebração num “foco de corrupção e enriquecimento pessoal”. Inquéritos dos centros Pew e Gallup, repercutidos na imprensa latino-americana, indicam que dois terços dos americanos acreditam que os melhores dias do país já passaram e 77% consideram que os Pais Fundadores estariam desapontados com a situação atual — o valor mais alto de que há registo.
A onda de calor acentuou contrastes: enquanto o litoral leste sufoca, o noroeste do Pacífico regista temperaturas amenas, notam relatos nos EUA. O dispositivo de segurança foi reforçado com vedações e presença policial no National Mall, ecoando medidas pós-6 de janeiro. Na Europa, o diário francês Le Figaro observa que os discursos de Trump rompem com a tradição unificadora de presidentes anteriores, aprofundando a fratura partidária. Na América Latina, a data é acompanhada como um momento de introspeção sobre os ideais democráticos, com analistas no Brasil e em Portugal a sublinharem a ressonância global do modelo americano num período em que este é questionado internamente.
O 250.º aniversário, concebido como um marco de unidade nacional, decorre em plena campanha para as eleições legislativas de novembro. A decisão de Trump de discursar apesar do calor e a militarização das festividades são interpretadas por observadores em Washington como uma tentativa de mobilizar a sua base eleitoral. O fogo de artifício principal está previsto para a noite de sábado, com as autoridades a recomendarem hidratação e precaução. O debate político sobre o uso de recursos públicos para fins partidários deverá intensificar-se no Congresso nas próximas semanas, enquanto o país enfrenta um declínio persistente do sentimento patriótico, documentado por múltiplas sondagens.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A celebração do 250º aniversário da independência americana é apresentada como um evento rotineiro, com Trump no centro, mas sem ênfase triunfal. O calor e as divisões políticas são mencionados como pano de fundo, não como crises. A abordagem é descritiva, quase de crônica social.
O aniversário americano é enquadrado como uma vitrine hipócrita de um império em declínio, com Trump tentando distrair das crises internas. O calor e as divisões são sintomas de um sistema podre. A narrativa russa enfatiza a fragilidade e agressividade dos EUA, contrastando com a estabilidade russa.
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