
Japão segura Moriyasu, Coreia do Sul perde Hong: os destinos opostos dos técnicos asiáticos
Após eliminações precoces no Mundial de 2026, a federação japonesa oferece um ano de contrato ao seu treinador, enquanto o sul-coreano se demite sob ameaças de morte e fúria nas ruas.
O Japão caiu nos 32 avos de final do Mundial de 2026 com um golo brasileiro no período de descontos, depois de ter estado em vantagem durante grande parte da partida em Houston. A Coreia do Sul, por sua vez, já vira a eliminação confirmada horas antes, quando a República Democrática do Congo bateu o Usbequistão e fechou a porta às melhores terceiras classificadas. As duas maiores seleções asiáticas saíram mais cedo do que esperavam, mas o que se seguiu revelou um fosso entre as culturas desportivas dos dois países.
Em Seul, o técnico Hong Myung-bo apresentou a demissão mal aterrou no aeroporto de Incheon, onde foi recebido com insultos e uma multidão enfurecida. A imprensa local noticiou que o treinador recebeu ameaças de morte durante o torneio. Foi a segunda vez que Hong abandonou o cargo na ressaca de um Mundial — a primeira acontecera em 2014. Já em Tóquio, a Federação Japonesa de Futebol (JFA) comunicou informalmente a Hajime Moriyasu a intenção de prolongar o vínculo por um ano, com o objetivo de o manter até à Taça da Ásia, marcada para o início de 2027 na Arábia Saudita. Moriyasu, que orienta a seleção desde 2018, lamentou a derrota com o Brasil — “teria sido possível gerir melhor os cartões”, disse — mas sublinhou que o Japão mostrou poder competir com as potências mundiais e que precisa de descansar antes de decidir o futuro.
A oferta de continuidade não foi unânime. O antigo internacional Keisuke Honda criticou a JFA por, na sua opinião, propor uma solução de recurso por falta de alternativas e candidatou-se publicamente ao lugar. “Se for apenas uma proposta temporária porque não encontram outros candidatos, porque não me testam por um ano? Se perdermos a Taça da Ásia, podem despedir-me sem perguntas”, escreveu nas redes sociais. Honda tem experiência como selecionador do Camboja, onde somou nove vitórias em 34 jogos. A discussão reflete a ambição de longo prazo do futebol japonês, que projeta conquistar o Mundial em 2050 e vê na continuidade da equipa técnica um pilar para encurtar distâncias.
Enquanto o Japão debate o seu comando, o Brasil de Casemiro — que igualou o recorde de Zagallo de 12 jogos invicto em Copas — prepara o duelo dos oitavos de final com a Noruega, adversário que nunca venceu em quatro confrontos, incluindo uma derrota no Mundial de 1998. A vaga de demissões entre os eliminados também atingiu a seleção dos Países Baixos: Ronald Koeman deixou o cargo após a surpreendente eliminação frente a Marrocos, naquele que foi o seu segundo adeus a um grande projeto em quatro anos.
O Japão vira agora a página para a Taça da Ásia, com ou sem Moriyasu, enquanto a Coreia do Sul inicia uma nova procura por um líder que resista à pressão de uma exigente massa adepta. O contraste entre a paciência institucional de Tóquio e a impaciência das ruas de Seul voltou a escrever-se nos corredores do futebol mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa japonesa cobre o regresso e a conferência de imprensa do treinador Moriyasu, notando a oferta de um novo contrato apesar da eliminação nos dezasseis-avos. O tom é comedido, focado na continuidade do projeto e no contraste com o treinador sul-coreano, que recebe ameaças de morte, mas sem sensacionalismo.
A mídia do Sudeste Asiático dramatiza os destinos divergentes: o treinador do Japão é recompensado com uma extensão contratual, enquanto o da Coreia do Sul recebe ameaças de morte após a eliminação. A cobertura é alarmista, sublinhando as reações extremas e a diferença 'do céu à terra' entre as duas situações.
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