
Pentágono reavalia presença militar no Golfo após danos em base no Bahrein revelados por investigação
Investigação do Wall Street Journal expõe destruição não admitida em base naval dos EUA e leva Washington a considerar realocação de forças, inclusive para Israel.
Uma investigação do jornal norte-americano The Wall Street Journal, baseada em imagens de satélite, vídeos e entrevistas com militares, revelou que os danos infligidos por ataques iranianos à base de apoio naval dos Estados Unidos no Bahrein foram muito mais extensos do que o Pentágono reconheceu publicamente. A sede do Quinto Frota, terminais de comunicação por satélite, armazéns, alojamentos e outras infraestruturas críticas ficaram inutilizadas ou gravemente afetadas, com um custo estimado de reconstrução de 400 milhões de dólares apenas em construção civil. A dimensão dos estragos, segundo fontes oficiais citadas pelo diário, levou o comando militar norte-americano a reavaliar toda a sua postura de forças no Médio Oriente, incluindo a possibilidade de transferir parte das capacidades operacionais para Israel.
De acordo com a análise do WSJ, os ataques ocorreram entre o final de fevereiro e junho de 2026, no quadro da retaliação iraniana à operação conjunta dos EUA e de Israel, iniciada a 28 de fevereiro sob o nome “Epic Fury”. O Irão, através da operação “True Promise 4”, atingiu mais de uma centena de alvos em 11 bases de sete países do Golfo, entre os quais o Bahrein, o Kuwait, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Na perspetiva de analistas em Washington, a vulnerabilidade das instalações expôs a eficácia dos mísseis balísticos e drones iranianos, cujo alcance e precisão evoluíram na última década, colocando em causa a proteção oferecida pelos sistemas de defesa aérea norte-americanos.
O Pentágono, através do Comando Central (CENTCOM), defendeu a estratégia de priorizar a proteção dos militares, sublinhando que, dos mais de 8.000 projéteis lançados pelo Irão, apenas dois impactos resultaram em baixas humanas. Contudo, membros do Congresso manifestaram frustração pela recusa do Departamento de Defesa em fornecer uma estimativa oficial dos prejuízos materiais. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, questionado em audiência no Capitólio, terá respondido com uma pergunta retórica sobre o custo de um Irão nuclear. Paralelamente, o Pentágono pressionou operadores de satélites comerciais para restringir o acesso público a imagens das bases danificadas, medida que, segundo fontes oficiais, visava proteger as tropas, mas que limitou a transparência sobre a escala real dos danos.
Na perspetiva de observadores no Médio Oriente, a reavaliação em curso pode reconfigurar a arquitetura de segurança regional. Entre as opções em estudo, segundo responsáveis norte-americanos, estão a redução da pegada militar no Kuwait e na Arábia Saudita, a deslocação de bases para oeste — para fora do alcance direto dos mísseis iranianos — e a construção de centros de comando subterrâneos. A hipótese de transferir capacidades para Israel é mencionada por duas fontes oficiais, embora nenhuma decisão tenha sido tomada. O Bahrein, por seu lado, adotou medidas severas contra suspeitos de colaboração com o Irão, incluindo a revogação de nacionalidade e penas de prisão perpétua. O custo total da guerra, estimado pelo Pentágono em 29 mil milhões de dólares, não inclui a reconstrução das bases, e o Center for Strategic and International Studies projeta que as despesas globais possam aproximar-se dos 40 mil milhões de dólares. O dossiê permanece em discussão nos níveis de comando militar, sem prazos anunciados para uma decisão final.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O poder defensivo do Irã forçou Washington a reavaliar sua pegada militar no Oriente Médio. Os extensos danos à base naval no Bahrein e a cerca de vinte outras instalações expuseram a vulnerabilidade americana aos mísseis iranianos. O Pentágono agora considera realocar forças do Kuwait e da Arábia Saudita, um claro sinal do sucesso estratégico de Teerã.
Os ataques iranianos causaram danos muito maiores à base naval dos EUA no Bahrein do que o oficialmente reconhecido. Imagens de satélite revelam a destruição do quartel-general e das instalações de comunicação. Isso levou os EUA a considerar reduzir sua presença no Kuwait e na Arábia Saudita, com Israel sendo discutido como local alternativo, destacando a crescente ameaça iraniana.
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