
Pessimismo económico na Rússia atinge máximo de 20 anos enquanto banca global se adapta a novos riscos
Sondagem da Gallup revela que 60% dos russos veem deterioração económica; testes de stress na Índia mostram resiliência, mas alertam para cibersegurança, e em África soluções digitais ampliam inclusão financeira.
O pessimismo económico na Rússia atingiu um máximo histórico: 60% dos cidadãos consideram que a situação económica na sua região está a piorar, o valor mais elevado em duas décadas de inquéritos da Gallup. Em simultâneo, 56% reportam uma degradação do nível de vida. A sondagem, realizada entre março e maio de 2026, capta um ambiente de crescente descontentamento que se reflete também na queda da confiança nas instituições — a confiança no governo recuou de 66% para 53% desde 2022, e a perceção de liberdade dos media caiu para um mínimo histórico de 34%.
Este mal-estar é amplificado por dificuldades concretas no tecido empresarial. Um inquérito da União Russa de Industriais e Empresários (RSPP) revela que 24% das empresas reportaram um agravamento da sua situação financeira no início do verão, e a proporção das que notam uma deterioração na relação com os bancos triplicou para 14% num só mês. Observadores em Moscovo associam esta evolução ao endurecimento das políticas de risco das instituições de crédito, que, num contexto de taxa de juro diretora ainda em 14,25% e de inflação persistente, aumentam as exigências de garantias e reduzem os limites de financiamento, comprimindo a margem das empresas.
Contudo, o panorama global do setor bancário não é uniforme. Na Índia, o relatório de estabilidade financeira do banco central (RBI) concluiu que os bancos comerciais dispõem de almofadas de capital e liquidez suficientes para absorver choques severos: mesmo num cenário adverso extremo, o rácio de crédito malparado subiria para um máximo de 4,1%, e o capital core se manteria acima dos mínimos regulamentares. O RBI alertou, porém, para o risco de contágio pela interconexão entre instituições e para a cibersegurança, identificando os ciberataques potenciados por inteligência artificial como a principal ameaça de curto prazo. Já na Indonésia, a tónica é colocada na transformação digital e na qualidade do crescimento, com o banco público Bank Jakarta a acelerar a digitalização e a gestão de riscos multidimensionais, enquanto a bolsa de Jacarta insiste na necessidade de aumentar a literacia financeira dos mais de 28 milhões de investidores domésticos.
Em África, o Gana ilustra como a inovação no retalho bancário pode traduzir-se em impacto direto na vida das pessoas. Um produto de adiantamento salarial digital, lançado em julho de 2026, permite aceder até 80% do salário antes do dia de pagamento e já movimentou o equivalente a mil milhões de cedis, respondendo a necessidades de emergência e flexibilidade financeira. Na perspetiva de Acra, a inclusão financeira duplicou a posse de contas na África Subsariana na última década, mas o desafio atual é garantir que os serviços criam melhorias mensuráveis, para além do mero acesso.
Os próximos marcos a observar incluem a reunião de política monetária do banco central russo, onde a pressão sobre o custo do crédito continuará a testar a paciência do setor empresarial, e a divulgação do próximo relatório de estabilidade financeira indiano, que permitirá aferir se os riscos de cibersegurança e de contágio se materializaram. Em todos estes contextos, a capacidade de adaptação da banca — entre a inovação digital e a gestão de riscos macroeconómicos — definirá a resiliência do setor nos próximos meses.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O pessimismo econômico recorde entre os russos é destacado, mas o foco está na dimensão política: um especialista argumenta que o presidente Putin é indiferente ao padrão de vida de seu povo, sugerindo que esse descontentamento não ameaçará seu controle do poder. A narrativa implica uma condenação moral das prioridades do regime.
Uma pesquisa da União Russa de Industriais e Empresários mostra que quase um quarto das empresas relatou uma piora na situação financeira no início do verão, com o índice composto caindo para o menor nível em pelo menos um ano. O relatório apresenta um quadro sóbrio e baseado em dados das crescentes dificuldades econômicas, sem comentários políticos diretos.
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