
Rupia recua para perto de 18 mil por dólar com risco geopolítico e défice comercial
A moeda indonésia caiu 0,32% para 17.965 por dólar, pressionada pela incerteza nas conversações EUA-Irão e pela expectativa de um défice comercial mais amplo em maio.
A rupia indonésia abriu a sessão de quarta-feira, 1 de julho, em queda de 58 pontos face ao dólar norte-americano, cotada a 17.965, aproximando-se da barreira psicológica das 18.000 unidades. O movimento, que representa uma depreciação de 0,32% em relação ao fecho anterior, insere-se num quadro de pressão generalizada sobre as moedas asiáticas, com o yuan chinês, o won sul-coreano e o ringgit malaio também a recuarem. Em São Paulo, o real brasileiro encerrara a terça-feira com uma ligeira desvalorização de 0,23%, para 5,163 por dólar, enquanto em Mumbai a rupia indiana cedia 19 paise, para 94,75, no início da manhã.
Analistas em Jacarta atribuem a fragilidade da moeda a dois vetores principais. Por um lado, a incerteza em torno das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão mantém um prémio de risco geopolítico nos mercados, apesar do cessar-fogo em vigor. A recusa iraniana em dialogar diretamente com o enviado norte-americano em Doha, optando por canais técnicos indiretos, tolda as perspetivas de um acordo duradouro e sustenta a volatilidade nos preços da energia. Por outro, a iminência da divulgação dos dados da balança comercial indonésia de maio concentra as atenções: o excedente comercial acumulado até abril caiu para 5,64 mil milhões de dólares, menos de metade do registado no mesmo período de 2025, o que, na perspetiva de economistas locais, deverá ampliar o défice da balança corrente e aumentar a pressão sobre a rupia.
A este cenário soma-se a força global do dólar, impulsionada por indicadores do mercado de trabalho norte-americano acima do esperado. O relatório JOLTS revelou 7,6 milhões de vagas por preencher em maio, sinalizando uma economia ainda aquecida e reduzindo as expectativas de cortes imediatos nas taxas de juro pela Reserva Federal. O índice DXY, que mede a moeda face a um cabaz de seis divisas, mantinha-se acima dos 101 pontos, penalizando ativos de mercados emergentes. Em Lisboa, observadores notam que este ambiente de taxas elevadas nos EUA tende a drenar capitais de economias dependentes de financiamento externo, como a Indonésia, agravando a depreciação cambial.
O banco central indonésio, que já interveio no mercado à vista e nos futuros de obrigações, deverá continuar a atuar para conter movimentos desordenados, mas a margem de manobra é limitada pela necessidade de preservar reservas. O próximo marco factual será a publicação, ainda esta quarta-feira, dos números do comércio externo de maio pelo instituto de estatística indonésio, que confirmarão a dimensão do estreitamento do excedente e o seu impacto nas contas externas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O iene se depreciou para níveis não vistos em quase quatro décadas, ultrapassando 162 por dólar, à medida que o diferencial de juros entre o Japão e os Estados Unidos continua a aumentar. A trégua incerta entre Washington e Teerã fortalece ainda mais o dólar, mas o principal motor permanece a divergência de política monetária. Os mercados japoneses observam com nervosismo a moeda se aproximar de mínimas históricas.
A rupia indonésia está sob forte pressão, deslizando em direção ao limiar psicológico de 18.000 por dólar, enquanto as frágeis conversações de paz entre EUA e Irã alimentam a incerteza geopolítica. Analistas alertam que o impasse nas negociações de Doha mantém um prêmio de risco nos mercados emergentes, pesando sobre as moedas asiáticas. A fraqueza persistente da rupia reflete ventos contrários externos além do controle doméstico.
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