
Trump acusa China de tentar controlar Canal do Panamá e reacende tensão estratégica
Presidente dos EUA promete impedir influência chinesa sobre a via interoceânica; Panamá recorre à ONU e Pequim denuncia 'hegemonia' externa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que Washington não permitirá que a China assuma o controlo do Canal do Panamá, durante a inauguração da Biblioteca Presidencial Theodore Roosevelt, em Medora, Dakota do Norte. Trump classificou como “estúpido” o erro de ter transferido a soberania da via para o Panamá em 1999, ao abrigo dos Tratados Torrijos-Carter de 1977, e acusou o país centro-americano de multiplicar as taxas de trânsito após assumir a gestão. “Agora a China está a tentar tomar conta do Canal do Panamá, e não vamos deixar que isso aconteça”, declarou, num discurso que também incluiu críticas a Espanha por ter negado o uso de bases militares durante operações contra o Irão e elogios a uma decisão do Supremo Tribunal que reforça os poderes presidenciais.
A reação do Panamá foi imediata. Em janeiro, após declarações semelhantes de Trump, o embaixador panamiano junto da ONU, Álvaro de Alba, apresentou uma queixa formal invocando a proibição de ameaças de uso da força prevista na Carta das Nações Unidas. Em fevereiro, o governo panamiano assumiu temporariamente a administração dos portos de Balboa e Cristóbal, nas duas entradas do canal, depois de o Supremo Tribunal ter declarado inconstitucional a lei de 1997 que concedia a concessão à Panama Ports Company, subsidiária do grupo Hutchison, com sede em Hong Kong. Pequim, através do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, considerou a decisão “despropositada” e uma violação dos direitos da CK Hutchison, que moveu uma ação judicial contra o Estado panamiano. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, já havia afirmado em março que a relação bilateral não deveria estar sujeita a “ingerências de terceiros”, numa alusão à pressão norte-americana.
A importância do canal para o comércio mundial explica a intensidade do diferendo. A via de 82 quilómetros, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, movimenta cerca de 40% do tráfego de contentores dos EUA, o equivalente a mais de 270 mil milhões de dólares em carga por ano, e encurta rotas marítimas de forma decisiva para economias como as do Chile, Japão, Coreia do Sul e, naturalmente, a China. Para o Brasil, que utiliza o canal para escoar commodities para a Ásia e aceder à costa leste norte-americana, qualquer perturbação ou aumento de custos teria impacto direto nas cadeias de abastecimento. Observadores em Lisboa notam que a estabilidade da via é igualmente crítica para os portos portugueses que servem de plataforma atlântica para o comércio europeu. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, como Angola e Moçambique, a rota pelo Panamá é relevante para as exportações de recursos naturais para os mercados asiáticos.
A tensão atual insere-se num contexto de competição geopolítica mais ampla. Na perspetiva de Washington, a presença de empresas chinesas na gestão de infraestruturas portuárias estratégicas é vista como uma ameaça à segurança nacional e à liberdade de navegação. Pequim, por seu lado, acusa o Panamá de ceder ao que classifica como “hegemonia” e “intimidação”, alertando para possíveis consequências políticas e económicas. A administração Trump já havia sinalizado, antes do regresso à Casa Branca, que não excluía o uso de força económica ou militar para retomar o controlo da via, construída pelos EUA no início do século XX e transferida para a soberania panamiana no final do milénio.
O dossiê permanece em aberto em várias frentes. A queixa panamiana na ONU aguarda desenvolvimento, enquanto o litígio judicial da CK Hutchison contra o Panamá prossegue nos tribunais. A retórica de Trump, ao reafirmar que os EUA “não vão permitir” a influência chinesa, mantém a pressão sobre o governo panamiano e sinaliza que a questão continuará a marcar a agenda bilateral e a dinâmica da região.
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.10 | neutral |
Latin America defends Panama's sovereignty and rejects Trump's accusation as neocolonial interference.
The threat is universalized: Trump's accusation is framed as concerning not just Panama but the entire region, turning a bilateral episode into a matter of principle for all Latin American countries.
The context of actual Chinese activities in the region and any basis for the accusation is omitted, focusing solely on the emotional reaction against the United States.
The Gulf observes the canal dispute with detachment, assessing its effects on trade and regional stability.
A pragmatic and detached tone is adopted, reducing the emotional weight of the news and framing it as normal great-power friction, without taking sides.
The historical dimension of US control over the canal and possible repercussions for Arab countries dependent on trade routes is omitted.
India analyzes the Panama Canal dispute as a reflection of US-China rivalry, focusing on implications for Asia.
An analytical and detached approach is adopted, framing the news in a context of strategic competition and assessing long-term effects on trade routes and security.
The local Panamanian perspective and the historical dimension of canal control are omitted, focusing only on great-power dynamics.
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