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Keiko Fujimori vence presidenciais no Peru com margem de 49.641 votos

A candidata conservadora obteve 50,135% dos votos válidos no segundo turno, enquanto o opositor Roberto Sánchez denunciou irregularidades sem apresentar provas e recusou reconhecer o resultado.

A apuração oficial concluída nesta segunda-feira pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) confirmou a vitória de Keiko Fujimori na segunda volta das eleições presidenciais peruanas, com 50,135% dos votos válidos (9.223.396 sufrágios) contra 49,865% (9.173.755) do candidato de esquerda Roberto Sánchez. A diferença de 49.641 votos, num universo de mais de 18 milhões de eleitores, torna este o terceiro escrutínio consecutivo decidido por menos de 50 mil votos no país. O Jurado Nacional de Eleições (JNE) deverá proclamar oficialmente a vencedora a 3 de julho, seguindo-se a entrega de credenciais a 15 de julho e a posse a 28 de julho, data em que Fujimori se tornará a primeira mulher eleita presidente do Peru.

A candidata do partido Fuerza Popular, de 51 anos, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, centrou a campanha na promessa de restaurar a ordem e combater a criminalidade, num contexto de escalada do crime organizado e de profunda instabilidade política — o Peru teve oito presidentes desde 2016. Após a divulgação dos resultados, Fujimori afirmou que o país está “cada vez mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança” e apelou ao diálogo, reconhecendo uma nação “praticamente dividida”. Já Roberto Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, declarou que não reconhecerá o governo da rival e denunciou, sem exibir provas, um alegado “fraude” na votação do estrangeiro, tendo liderado marchas em Lima e anunciado a intenção de recorrer a instâncias internacionais.

Na perspetiva de Brasília, a vitória de Fujimori é observada como mais um capítulo da viragem à direita na América Latina, alinhando-se com os governos de Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Observadores em Lisboa notam que o regresso do fujimorismo ao poder, 25 anos após a queda de Alberto Fujimori, reabre o debate sobre o legado de um período marcado pela estabilização económica e pela derrota dos grupos subversivos, mas também por condenações por corrupção e crimes contra a humanidade. A nova presidente herda um país fragmentado, onde o Congresso bicameral recém-eleito não deu maioria absoluta a nenhuma força política, o que exigirá negociações permanentes para garantir a governabilidade.

O desfecho eleitoral ocorre num momento de desgaste institucional agudo. A missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) reiterou que não detetou irregularidades capazes de alterar o resultado, enquanto o secretário-geral da ONPE se demitiu na semana passada alegando manipulação de equipamentos informáticos e vulneração de dados — facto que alimentou as contestações da oposição. A comunidade internacional, incluindo a Comunidade Andina e a OEA, felicitou Fujimori, mas a transição decorrerá sob a sombra de uma polarização que, segundo analistas em Lima, poderá condicionar a estabilidade do mandato de cinco anos que se inicia a 28 de julho.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A série de vitórias conservadoras na América Latina é menos uma virada ideológica do que uma rejeição aos partidos no poder. Os eleitores estão se voltando contra quem está no governo, criando um cenário político instável em vez de um bloco de direita coeso.

Imprensa europeia continental/ Mediterrânea
DistanciamentoPragmatismo

Keiko Fujimori venceu o segundo turno presidencial no Peru por uma margem apertadíssima de cerca de 50 mil votos. A autoridade eleitoral confirmou sua vitória três semanas após a votação, lembrando o legado autoritário de seu pai.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Keiko Fujimori vence presidenciais no Peru com margem de 49.641 votos

A candidata conservadora obteve 50,135% dos votos válidos no segundo turno, enquanto o opositor Roberto Sánchez denunciou irregularidades sem apresentar provas e recusou reconhecer o resultado.

A apuração oficial concluída nesta segunda-feira pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) confirmou a vitória de Keiko Fujimori na segunda volta das eleições presidenciais peruanas, com 50,135% dos votos válidos (9.223.396 sufrágios) contra 49,865% (9.173.755) do candidato de esquerda Roberto Sánchez. A diferença de 49.641 votos, num universo de mais de 18 milhões de eleitores, torna este o terceiro escrutínio consecutivo decidido por menos de 50 mil votos no país. O Jurado Nacional de Eleições (JNE) deverá proclamar oficialmente a vencedora a 3 de julho, seguindo-se a entrega de credenciais a 15 de julho e a posse a 28 de julho, data em que Fujimori se tornará a primeira mulher eleita presidente do Peru.

A candidata do partido Fuerza Popular, de 51 anos, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, centrou a campanha na promessa de restaurar a ordem e combater a criminalidade, num contexto de escalada do crime organizado e de profunda instabilidade política — o Peru teve oito presidentes desde 2016. Após a divulgação dos resultados, Fujimori afirmou que o país está “cada vez mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança” e apelou ao diálogo, reconhecendo uma nação “praticamente dividida”. Já Roberto Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, declarou que não reconhecerá o governo da rival e denunciou, sem exibir provas, um alegado “fraude” na votação do estrangeiro, tendo liderado marchas em Lima e anunciado a intenção de recorrer a instâncias internacionais.

Na perspetiva de Brasília, a vitória de Fujimori é observada como mais um capítulo da viragem à direita na América Latina, alinhando-se com os governos de Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Observadores em Lisboa notam que o regresso do fujimorismo ao poder, 25 anos após a queda de Alberto Fujimori, reabre o debate sobre o legado de um período marcado pela estabilização económica e pela derrota dos grupos subversivos, mas também por condenações por corrupção e crimes contra a humanidade. A nova presidente herda um país fragmentado, onde o Congresso bicameral recém-eleito não deu maioria absoluta a nenhuma força política, o que exigirá negociações permanentes para garantir a governabilidade.

O desfecho eleitoral ocorre num momento de desgaste institucional agudo. A missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) reiterou que não detetou irregularidades capazes de alterar o resultado, enquanto o secretário-geral da ONPE se demitiu na semana passada alegando manipulação de equipamentos informáticos e vulneração de dados — facto que alimentou as contestações da oposição. A comunidade internacional, incluindo a Comunidade Andina e a OEA, felicitou Fujimori, mas a transição decorrerá sob a sombra de uma polarização que, segundo analistas em Lima, poderá condicionar a estabilidade do mandato de cinco anos que se inicia a 28 de julho.

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A série de vitórias conservadoras na América Latina é menos uma virada ideológica do que uma rejeição aos partidos no poder. Os eleitores estão se voltando contra quem está no governo, criando um cenário político instável em vez de um bloco de direita coeso.

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Keiko Fujimori venceu o segundo turno presidencial no Peru por uma margem apertadíssima de cerca de 50 mil votos. A autoridade eleitoral confirmou sua vitória três semanas após a votação, lembrando o legado autoritário de seu pai.

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