
Ebola atinge quarta província congolesa e primeiro caso é confirmado na França
Com 1.274 infetados e 360 mortos, o surto da estirpe Bundibugyo — sem vacina nem tratamento — alastra-se pelo nordeste da RDC e já atravessou fronteiras.
A epidemia de Ébola na República Democrática do Congo propagou-se à província do Alto Uélé, a quarta a ser afetada, enquanto Paris confirmava o primeiro caso em território francês — um médico regressado do epicentro da crise. O balanço oficial, divulgado pelas autoridades sanitárias congolesas no final do domingo, contabiliza 1.274 casos confirmados e 360 óbitos, mas cientistas e organizações humanitárias no terreno consideram que os números reais serão superiores, dada a deteção tardia do vírus e a desconfiança das comunidades.
A estirpe Bundibugyo, identificada pela primeira vez no Uganda em 2007, é a responsável por este surto, declarado a 15 de maio. Sem vacina licenciada nem terapêutica antiviral específica, a doença propagou-se inicialmente na província de Ituri, que concentra mais de 90% das infeções, e alastrou depois ao Kivu Norte, Kivu Sul e, agora, ao Alto Uélé, região fronteiriça com o Sudão do Sul e a República Centro-Africana. A transmissão tem sido amplificada por rituais fúnebres que envolvem contacto direto com os corpos, num contexto de conflito armado e de circulação intensa de pessoas em zonas mineiras. A Organização Mundial da Saúde admite ir “atrás do vírus”, enquanto os centros de tratamento já se encontram saturados.
A resposta das autoridades congolesas incluiu a proibição de ajuntamentos em Kinshasa e em três outras províncias, medida que setores da oposição interpretam como manobra política para inviabilizar uma manifestação prevista para 8 de julho. O porta-voz da coligação Lamuka classificou a decisão como “política”, sublinhando que não há casos confirmados na capital. Paralelamente, o Uganda notificou 20 infeções e duas mortes, e o médico infetado em França — que fez escala em Kinshasa — está sob vigilância, enquanto os contactos próximos cumprem quarentena de 21 dias.
Na perspetiva de Adis Abeba, o diretor dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC) anunciou que os ensaios clínicos de novos antivirais poderão arrancar ainda esta semana. Este é o próximo marco factual a observar, num surto que, segundo as autoridades de saúde pública norte-americanas e africanas, tem potencial para se tornar um dos maiores de sempre, por ter circulado durante semanas antes de ser identificado como Ébola.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O mundo preparou-se para o Ébola, mas não para esta estirpe. Com mais de mil infeções e um primeiro caso em França, o surto alastra-se pelas províncias orientais congolesas, com Ituri a concentrar 95% dos casos. Os Médicos Sem Fronteiras alertam que a resposta continua a ser insuficiente e que as zonas remotas levam a uma subnotificação dos números.
A República Democrática do Congo proibiu ajuntamentos em massa na capital Kinshasa e em outras três províncias para travar a propagação do Ébola. O surto está atualmente no leste, mas as autoridades receiam que atinja a megacidade de 18 milhões de habitantes. O ministro do Interior anunciou a proibição como medida de precaução.
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