
Torcedores mexicanos montam 'serenata' ruidosa para desvelar o Equador antes de duelo no Mundial
Centenas de adeptos reuniram-se em frente ao hotel da seleção equatoriana na Cidade do México, com buzinas e cânticos, gerando protesto formal da federação e debate sobre fair play.
A madrugada que antecedeu o confronto entre México e Equador pelos dezasseis-avos de final do Mundial de 2026 foi marcada por uma operação planeada de perturbação sonora. Cerca de uma centena de adeptos mexicanos concentraram-se junto ao hotel Westin, em Santa Fe, munidos de buzinas de automóveis, motocicletas aceleradas, tambores, megafones e até panelas, numa tentativa explícita de impedir o descanso da delegação visitante. A ação, que se prolongou para lá da meia-noite, só foi parcialmente dispersada após a intervenção da polícia capitalina e da Guarda Nacional, acionadas a pedido da comitiva equatoriana, que já enfrentara uma viagem de quase nove horas desde Columbus, Ohio.
O duelo, que define um lugar nos oitavos de final, coloca frente a frente um México que venceu o seu grupo sem sofrer golos e um Equador que garantiu a qualificação como um dos melhores terceiros classificados, após eliminar a Alemanha. Na perspetiva da Cidade do México, a chamada 'serenata' é uma tradição latino-americana enraizada, vista por muitos como parte da guerra psicológica pré-jogo. Já em Quito, a Federação Equatoriana de Futebol emitiu um comunicado formal de protesto, classificando os atos como contrários aos princípios de 'fair play, equidade e unidade' que um Mundial deveria representar, e apelou às autoridades para que salvaguardassem a integridade dos jogadores.
A eficácia da ação, porém, é disputada. Vídeos partilhados por adeptos equatorianos hospedados no mesmo hotel mostram que as janelas do edifício possuem isolamento acústico, o que terá anulado grande parte do ruído exterior. Um menino equatoriano, em gravação que se tornou viral, criticou a atitude como 'uma selvajaria' e pediu diretamente ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que tomasse medidas. Nas redes sociais, o episódio reacendeu o debate entre quem defende o folclore futebolístico e quem o considera uma violação do espírito desportivo, com utilizadores a recordar que práticas semelhantes já foram aplicadas contra seleções mexicanas na América do Sul.
As autoridades da capital mexicana implementaram medidas excecionais para o dia do jogo, incluindo a suspensão de aulas e a adoção de teletrabalho para funcionários federais, além da aplicação de lei seca em várias colónias próximas ao Estádio Azteca. O árbitro esloveno Slavko Vinčić dirige a partida, que terá início às 19h00 locais e será transmitida para todo o continente. O vencedor do encontro enfrentará nos oitavos de final o vencedor do duelo entre Inglaterra e República Democrática do Congo, mantendo acesa a expectativa sobre o desempenho das equipas anfitriãs.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 4 idiomas
A imprensa latino-americana enquadra o incidente como uma 'guerra psicológica' dos torcedores mexicanos, que usaram insultos, buzinas e música alta para desestabilizar o Equador. A ironia de chamar de 'serenata' um cerco noturno carregado de cantos homofóbicos e vulgaridades é destacada, expressando indignação pela perturbação do descanso da equipe visitante.
A mídia indiana e sul-asiática relata o evento como um comportamento barulhento, mas típico de torcedores, com centenas reunidas em frente ao hotel com tambores e cantos. A cobertura permanece distanciada, descrevendo a tentativa de atrapalhar o sono sem julgamento moral, e ocasionalmente com um tom levemente divertido com a engenhosidade dos torcedores da casa.
Amplie o olhar
Sinais contraditórios sobre diálogo em Doha mantêm tensão no Estreito de Ormuz
7 idiomas · 19 veículos
De Economy & MarketsCrise de memórias DRAM provocada pela IA duplica preços e atinge consumidores globais
7 idiomas · 17 veículos
De TechnologyWhatsApp permitirá conversas sem partilha de número de telefone com novos nomes de utilizador
10 idiomas · 27 veículos