Entrar
Edição das 10:00 CETquarta-feira, 1 de julho de 2026
311 veículos · 17 idiomas900 briefing hoje
Economia e Mercadosterça-feira, 30 de junho de 2026

Crise de memórias DRAM provocada pela IA duplica preços e atinge consumidores globais

A procura dos centros de dados por chips de alto débito desvia capacidade de produção, encarece computadores, telemóveis e automóveis, e desencadeia investigações antitrust nos EUA.

O preço das memórias DRAM, componente essencial em computadores, servidores e smartphones, duplicou em 2025 e voltou a subir entre 40% e mais de 90% no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultora taiwanesa TrendForce. A Microsoft aumentou o preço da Xbox pela terceira vez em 13 meses, a Apple subiu os valores de Macs e iPads em centenas de dólares e fabricantes de automóveis enfrentam custos de chips que chegaram a encarecer 180%. A causa imediata não é uma catástrofe natural, mas a voracidade dos centros de dados que sustentam a inteligência artificial.

A indústria global de memórias, controlada em 95% por três empresas — Samsung, SK Hynix e Micron —, reorientou mais de 80% da sua capacidade avançada para produzir memória de alto débito (HBM), essencial para os processadores de IA. Esta migração comprime a oferta de DRAM convencional, enquanto as grandes tecnológicas asseguram contratos plurianuais que já comprometem 40% a 50% da produção futura. A pressão alastra-se a montante: condensadores, semicondutores de potência e até gases industriais entram em ciclos de aumento de preços, revelam analistas de Xangai. A concentração geográfica da produção — mais de 60% na Ásia — torna a cadeia vulnerável, e os novos investimentos, como o plano sul-coreano de 520 mil milhões de dólares ou os 200 mil milhões da Micron nos EUA, só trarão capacidade significativa a partir de 2027.

O impacto no consumo é imediato. A IDC prevê uma quebra de 11,3% nas expedições mundiais de PCs em 2026, com o quarto trimestre a cair 20% em termos homólogos. Nos EUA, uma ação coletiva antitrust contra os três fabricantes alega manipulação da escassez, enquanto reguladores europeus acompanham o caso. Do lado laboral, o efeito da IA é mais matizado: um estudo das empresas Ramp e Revelio Labs, que acompanhou 22 mil empresas norte-americanas, mostra que as que mais investem em IA aumentaram o emprego em 10,2% em dois anos, incluindo contratações de entrada, mas licenciados em ciências da computação de universidades de prestígio relatam dificuldades crescentes, com a Meta a gerar 95% do novo código por IA.

A pressão sobre as redes elétricas é outra frente de tensão. Nos EUA, as fusões e aquisições no setor elétrico atingiram um recorde de 203,6 mil milhões de dólares nos primeiros cinco meses de 2026, impulsionadas pela necessidade de financiar a expansão para centros de dados. O operador da rede do Texas contabiliza 438 GW de pedidos de interligação, quase 90% de centros de dados, mas os prazos de construção de infraestruturas de rede alongam-se por uma década. A Agência Internacional de Energia alerta que mais de 2.500 GW de projetos aguardam ligação à rede a nível mundial.

O próximo marco a observar são as negociações de contratos de memória para o terceiro trimestre, que analistas preveem que tragam novos aumentos de 40% a 50%. Paralelamente, a Comissão Federal de Regulação de Energia dos EUA (FERC) emitiu ordens em junho para que os operadores de rede justifiquem o tratamento dado a grandes cargas, sinalizando um escrutínio regulatório que pode redefinir o ritmo da expansão da infraestrutura digital.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

57%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa atlântica / anglosferaImprensa chinesa
Imprensa atlântica / anglosfera/ Econômica
PragmatismoCeticismoAlarme

O pesado investimento corporativo em IA não está provocando demissões em massa; as empresas que mais gastam estão contratando mais rapidamente, inclusive para funções de entrada. No entanto, a corrida por infraestrutura está sobrecarregando as redes elétricas e agravando a escassez de chips de memória, elevando os preços dos eletrônicos de consumo. O próprio trabalho está mudando: a IA reduz atritos, mas expande tarefas, borra fronteiras de tempo e aumenta a multitarefa.

Imprensa chinesa/ Estatal
UrgênciaAlarmePragmatismo

A verdadeira competição pela IA não é sobre algoritmos, mas sobre infraestrutura física: fábricas de semicondutores, centros de dados e redes em nuvem. Os gargalos na cadeia de suprimentos estão se espalhando das GPUs para os materiais a montante, provocando aumentos de preços que ameaçam a construção global da IA. É uma luta geopolítica pelo domínio do século XXI, onde o controle sobre os insumos de fabricação se torna tão decisivo quanto os mercados de energia já foram.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
França fixa presidenciais para abril de 2027 sob controvérsia e incerteza sobre Le Pen·WhatsApp inicia reserva de nomes de utilizador e governos avaliam riscos de fraude·Incêndio em prédio de Antuérpia deixa pelo menos cinco mortos e vários feridos·Fósseis esquecidos e novas análises reordenam a árvore dos répteis antigos·Onda de incidentes violentos em quatro continentes deixa mortos e feridos·Onda de calor extrema na Europa expõe despreparo estrutural e reacende debate sobre ar-condicionado·UE cobra 3 euros por categoria aduaneira em encomendas de baixo valor·Marés altas e calor extremo: o retrato climático de um julho atípico·França fixa presidenciais para abril de 2027 sob controvérsia e incerteza sobre Le Pen·WhatsApp inicia reserva de nomes de utilizador e governos avaliam riscos de fraude·Incêndio em prédio de Antuérpia deixa pelo menos cinco mortos e vários feridos·Fósseis esquecidos e novas análises reordenam a árvore dos répteis antigos·Onda de incidentes violentos em quatro continentes deixa mortos e feridos·Onda de calor extrema na Europa expõe despreparo estrutural e reacende debate sobre ar-condicionado·UE cobra 3 euros por categoria aduaneira em encomendas de baixo valor·Marés altas e calor extremo: o retrato climático de um julho atípico·
Atualizado 16:202 idiomas · 4 veículos
AnteriorEconomia e MercadosPróximo
4 veículos|2 idiomas|3 min de leitura
terça-feira, 30 de junho de 2026

Crise de memórias DRAM provocada pela IA duplica preços e atinge consumidores globais

A procura dos centros de dados por chips de alto débito desvia capacidade de produção, encarece computadores, telemóveis e automóveis, e desencadeia investigações antitrust nos EUA.

O preço das memórias DRAM, componente essencial em computadores, servidores e smartphones, duplicou em 2025 e voltou a subir entre 40% e mais de 90% no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultora taiwanesa TrendForce. A Microsoft aumentou o preço da Xbox pela terceira vez em 13 meses, a Apple subiu os valores de Macs e iPads em centenas de dólares e fabricantes de automóveis enfrentam custos de chips que chegaram a encarecer 180%. A causa imediata não é uma catástrofe natural, mas a voracidade dos centros de dados que sustentam a inteligência artificial.

A indústria global de memórias, controlada em 95% por três empresas — Samsung, SK Hynix e Micron —, reorientou mais de 80% da sua capacidade avançada para produzir memória de alto débito (HBM), essencial para os processadores de IA. Esta migração comprime a oferta de DRAM convencional, enquanto as grandes tecnológicas asseguram contratos plurianuais que já comprometem 40% a 50% da produção futura. A pressão alastra-se a montante: condensadores, semicondutores de potência e até gases industriais entram em ciclos de aumento de preços, revelam analistas de Xangai. A concentração geográfica da produção — mais de 60% na Ásia — torna a cadeia vulnerável, e os novos investimentos, como o plano sul-coreano de 520 mil milhões de dólares ou os 200 mil milhões da Micron nos EUA, só trarão capacidade significativa a partir de 2027.

O impacto no consumo é imediato. A IDC prevê uma quebra de 11,3% nas expedições mundiais de PCs em 2026, com o quarto trimestre a cair 20% em termos homólogos. Nos EUA, uma ação coletiva antitrust contra os três fabricantes alega manipulação da escassez, enquanto reguladores europeus acompanham o caso. Do lado laboral, o efeito da IA é mais matizado: um estudo das empresas Ramp e Revelio Labs, que acompanhou 22 mil empresas norte-americanas, mostra que as que mais investem em IA aumentaram o emprego em 10,2% em dois anos, incluindo contratações de entrada, mas licenciados em ciências da computação de universidades de prestígio relatam dificuldades crescentes, com a Meta a gerar 95% do novo código por IA.

A pressão sobre as redes elétricas é outra frente de tensão. Nos EUA, as fusões e aquisições no setor elétrico atingiram um recorde de 203,6 mil milhões de dólares nos primeiros cinco meses de 2026, impulsionadas pela necessidade de financiar a expansão para centros de dados. O operador da rede do Texas contabiliza 438 GW de pedidos de interligação, quase 90% de centros de dados, mas os prazos de construção de infraestruturas de rede alongam-se por uma década. A Agência Internacional de Energia alerta que mais de 2.500 GW de projetos aguardam ligação à rede a nível mundial.

O próximo marco a observar são as negociações de contratos de memória para o terceiro trimestre, que analistas preveem que tragam novos aumentos de 40% a 50%. Paralelamente, a Comissão Federal de Regulação de Energia dos EUA (FERC) emitiu ordens em junho para que os operadores de rede justifiquem o tratamento dado a grandes cargas, sinalizando um escrutínio regulatório que pode redefinir o ritmo da expansão da infraestrutura digital.

Divergência das fontes

Economia e Mercados · 4 veículos · 2 idiomas

57%Alta

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável11%
Neutro56%
Crítico33%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa atlântica / anglosferaImprensa chinesa
Imprensa atlântica / anglosfera/ Econômica
PragmatismoCeticismoAlarme

O pesado investimento corporativo em IA não está provocando demissões em massa; as empresas que mais gastam estão contratando mais rapidamente, inclusive para funções de entrada. No entanto, a corrida por infraestrutura está sobrecarregando as redes elétricas e agravando a escassez de chips de memória, elevando os preços dos eletrônicos de consumo. O próprio trabalho está mudando: a IA reduz atritos, mas expande tarefas, borra fronteiras de tempo e aumenta a multitarefa.

Imprensa chinesa/ Estatal
UrgênciaAlarmePragmatismo

A verdadeira competição pela IA não é sobre algoritmos, mas sobre infraestrutura física: fábricas de semicondutores, centros de dados e redes em nuvem. Os gargalos na cadeia de suprimentos estão se espalhando das GPUs para os materiais a montante, provocando aumentos de preços que ameaçam a construção global da IA. É uma luta geopolítica pelo domínio do século XXI, onde o controle sobre os insumos de fabricação se torna tão decisivo quanto os mercados de energia já foram.

Esta notícia apareceu em

4 veículos · 2 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Trump avalia guerra total com Irão mas opta por prolongar negociações

7 idiomas · 19 veículos

De Technology

WhatsApp inicia reserva de nomes de utilizador e governos avaliam riscos de fraude

5 idiomas · 7 veículos

De Science & Health

Ebola atinge quarta província congolesa e primeiro caso é confirmado na França

3 idiomas · 5 veículos

Ler mais