
Paraguai elimina Alemanha nos pênaltis e agrava crise dos tetracampeões mundiais
Com atuação heroica do goleiro Orlando Gill, os sul-americanos venceram por 4-3 nas penalidades após empate em 1-1 e avançam às oitavas de final da Copa de 2026.
A Alemanha sofreu uma das eliminações mais traumáticas da sua história em Copas do Mundo ao cair diante do Paraguai na noite de segunda-feira, em Foxborough. Depois de um empate em 1-1 no tempo regulamentar e na prorrogação, os paraguaios venceram por 4-3 na disputa de pênaltis, infligindo aos tetracampeões a primeira derrota em desempates por penalidades no torneio. O goleiro Orlando Gill defendeu as cobranças de Kai Havertz e Nick Woltemade, enquanto Jonathan Tah isolou a sua tentativa, permitindo que José Canale convertesse o pênalti decisivo e desencadeasse a festa albirroja.
A partida teve roteiro de resistência sul-americana. Julio Enciso, ex-Brighton, cabeceou para o fundo das redes aos 42 minutos do primeiro tempo, na primeira finalização paraguaia em fases eliminatórias de Mundiais desde 2010. A Alemanha respondeu com maior posse de bola e volume ofensivo, mas só conseguiu o empate aos nove minutos da etapa final, quando Havertz desviou de cabeça um cruzamento de Florian Wirtz. Na prorrogação, Tah chegou a marcar de cabeça, mas o árbitro anulou o lance após revisão do VAR por falta de Waldemar Anton sobre Gill — decisão que gerou forte contestação na imprensa alemã e foi comparada por Jürgen Klopp, comentarista da TV Magenta, a lances frequentemente validados no futebol inglês.
A eliminação precoce aprofunda a crise do futebol alemão, que não vence um jogo de mata-mata em Copas desde a final de 2014, no Rio de Janeiro. Depois de duas eliminações consecutivas na fase de grupos (2018 e 2022), a equipa de Julian Nagelsmann chegou às oitavas de final com expectativa renovada, mas a atuação contra o Paraguai foi classificada pela imprensa de Berlim como “o próximo pesadelo do futebol alemão”. O diário Bild descreveu a exibição como “lenta, entediante e letárgica”, enquanto o Süddeutsche Zeitung considerou a saída ainda mais embaraçosa do que a de 2022, por não ter havido azar, mas sim falta de respostas. Nagelsmann reconheceu que a seleção “já não faz parte das equipas de primeira classe” e admitiu que a sua continuidade será questionada.
Do lado paraguaio, a vitória foi celebrada como um feito histórico. O país só havia vencido uma partida eliminatória de Mundial — também nos pênaltis, contra o Japão, em 2010 — e jamais marcara um golo nesse tipo de confronto. O técnico Gustavo Alfaro destacou a execução do plano de jogo e a intensidade defensiva, enquanto o capitão Gustavo Gómez sublinhou a “força incrível para enfrentar qualquer situação”. Na perspetiva de analistas sul-americanos, o triunfo confirma a competitividade das seleções do continente mesmo diante de potências europeias, ecoando a campanha do Brasil, que no mesmo dia eliminou o Japão com um golo de Gabriel Martinelli nos acréscimos.
O Paraguai aguarda agora o vencedor do duelo entre França e Suécia, que se enfrentam na terça-feira. Uma vitória nas oitavas de final igualaria a melhor campanha da história do país, que em 2010 caiu nas quartas diante da Espanha. Para a Alemanha, resta o regresso a casa e um debate profundo sobre o futuro da seleção, que acumula três eliminações precoces consecutivas e vê a sua mística de “equipa de torneio” cada vez mais distante.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O técnico do Paraguai descreveu a vitória sobre a Alemanha como extraordinária, reconhecendo a tensão de enfrentar um dos principais favoritos. Após o empate em 1 a 1 na prorrogação, o Paraguai venceu por 4 a 3 nos pênaltis com duas defesas decisivas do goleiro Orlando Gill.
O Paraguai protagonizou um dos maiores choques do torneio ao eliminar a Alemanha nos pênaltis. A imprensa alemã chamou de 'o próximo pesadelo futebolístico', já que a equipe perdeu uma disputa de pênaltis em Copas pela primeira vez. A derrota marca mais uma saída precoce para uma nação outrora dominante.
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