
A carta que fez tremer o império de 110 mil milhões de dólares
A secretária de Estado da Cultura britânica deu às empresas até 6 de julho para responderem às suas preocupações sobre pluralidade nos media, num negócio já aprovado por Washington e Pequim.
Na manhã de terça-feira, uma carta assinada por Lisa Nandy aterrou nas sedes da Warner Bros. Discovery e da Paramount Skydance. O documento, lacónico mas carregado de consequências, informava os atuais e futuros proprietários do grupo que a ministra da Cultura britânica estava "inclinada a intervir" na fusão de 110 mil milhões de dólares. O gesto, anunciado quase em simultâneo no Parlamento, acionou um relógio de uma semana: as empresas têm até 6 de julho para responder, antes que o negócio possa ser remetido para o regulador Ofcom e para a Autoridade da Concorrência e dos Mercados.
Nandy justificou a possível intervenção com a necessidade de garantir "uma pluralidade suficiente de pontos de vista nos meios de comunicação noticiosos" e "uma pluralidade suficiente de pessoas com controlo das empresas de media". A sua avaliação centrou-se no impacto para as audiências britânicas, enumerando serviços como Channel 5, TNT Sports, Cartoon Network, Nickelodeon, CNN International e as plataformas de streaming Paramount+ e HBO Max. A linguagem cautelosa — "ainda não tomei uma decisão final" — não escondeu o sinal político: o Reino Unido, que em 2023 bloqueou temporariamente a compra da Activision Blizzard pela Microsoft, volta a colocar-se como potencial obstáculo a uma megaoperação global.
O anúncio britânico contrasta com a vaga de aprovações que a fusão já recebeu. Os Estados Unidos, através do Departamento de Justiça, deram luz verde sem exigir cedências, argumentando que a operação "não é suscetível de resultar em danos para a concorrência ou para os consumidores americanos". China, Austrália, Alemanha, França e Arábia Saudita também já autorizaram o negócio. Na União Europeia, a Paramount prepara-se para apresentar medidas que mitiguem as preocupações da Comissão. Para os observadores em Lisboa e em São Paulo, onde a Warner Bros. Discovery controla canais por cabo e o streaming HBO Max, a intervenção britânica recorda que a regulação europeia pode ter um alcance muito para além das fronteiras do continente, afetando a oferta de conteúdos em mercados lusófonos.
A pressa da Paramount tem um preço. Para demonstrar confiança numa aprovação rápida, a empresa ofereceu aos acionistas da Warner uma "comissão de atraso" de 0,25 dólares por ação por cada trimestre que o negócio não fechar após 30 de setembro — o equivalente a cerca de 650 milhões de dólares trimestrais, ou sete milhões por dia. Enquanto os procuradores-gerais de estados como a Califórnia e Nova Iorque preparam eventuais ações judiciais e a Comissão Federal de Comunicações avalia o financiamento estrangeiro, a carta de Nandy permanece sobre a mesa, um objeto de papel que pode ditar o ritmo de um dos maiores impérios mediáticos do planeta.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O governo britânico sinaliza disposição para intervir na fusão Paramount-Warner Bros., citando preocupações com a diversidade dos meios de comunicação. A carta da ministra da Cultura abre uma nova frente regulatória para um acordo já escrutinado nos dois lados do Atlântico, ameaçando atrasar a consolidação de 110 mil milhões de dólares.
A potencial intervenção do Reino Unido no acordo Paramount-Warner Bros. introduz nova incerteza, apesar das aprovações já obtidas dos EUA e da China. A medida é vista como um possível encaminhamento ao regulador antitruste, evocando o bloqueio do acordo Microsoft-Activision, e pode complicar o cronograma da fusão de 110 mil milhões de dólares.
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