
Bélgica e Senegal reeditam trajetórias de superação em duelo inédito nos 16 avos de final
Após campanhas irregulares nos grupos, europeus e africanos chegam ao mata-mata embalados por goleadas e buscam vaga nas oitavas diante de EUA ou Bósnia.
O confronto entre Bélgica e Senegal, marcado para as 17h (de Brasília) desta quarta-feira no Estádio de Seattle, coloca frente a frente duas seleções que transformaram a iminência da eliminação em classificação contundente. Líder do Grupo G com apenas cinco pontos, a Bélgica empatou sem brilho com Egito e Irã antes de atropelar a Nova Zelândia por 5 a 1. Senegal, por sua vez, perdeu para França e Noruega e só garantiu a vaga como um dos piores terceiros colocados ao golear o Iraque por 5 a 0 na última rodada. Agora, medem forças pela primeira vez em Copas do Mundo, com o vencedor encarando quem passar de Estados Unidos e Bósnia-Herzegovina.
Na perspetiva europeia, os Diabos Vermelhos seguem sob desconfiança. Apesar da invencibilidade de 16 jogos, a equipa de Rudi Garcia ainda não convenceu na transição geracional que sucedeu as saídas de Vertonghen e Alderweireld. Kevin De Bruyne, Thibaut Courtois e Romelu Lukaku carregam a experiência de um terceiro lugar em 2018, mas a irregularidade ofensiva — apenas um golo nos dois primeiros jogos — acendeu alertas. A goleada sobre os neozelandeses, com dois golos de Leandro Trossard, devolveu confiança, e o histórico contra africanos em Mundiais (uma derrota em seis jogos) reforça o favoritismo.
Do lado senegalês, a imprensa africana destaca a resiliência de uma equipa que chegou a estar à beira do abismo. Campeã da Copa Africana de Nações em 2026 — título posteriormente retirado após walkout na final —, a seleção de Pape Thiaw sofreu seis gols diante de europeus, mas explodiu ofensivamente contra o Iraque, tornando-se a primeira equipa africana a marcar cinco vezes num jogo de Mundial. A lesão no joelho do guarda-redes Édouard Mendy, contudo, obriga Mory Diaw a assumir a baliza, enquanto Sadio Mané e Ismaïla Sarr concentram as esperanças de um ataque que já não conta com a velocidade de outrora.
Observadores no Brasil notam que o duelo reúne o pior líder de grupo e o pior terceiro colocado desta edição, ambos com campanhas de três pontos nos dois primeiros jogos. Ainda assim, a coincidência estatística esconde trajetórias de superação: a Bélgica igualou um feito que a Inglaterra só alcançara em 1990 — liderar um grupo sem vencer as duas primeiras partidas —, enquanto Senegal sobreviveu ao “grupo da morte” com França e Noruega. O árbitro hondurenho Héctor Martínez Sorto apita o encontro, que terá transmissão no Brasil pela TV Globo, SporTV e plataformas de streaming.
Em Lisboa, analistas apontam que o vencedor terá pela frente um adversário teoricamente mais acessível nas oitavas, já que Estados Unidos e Bósnia não figuram entre as potências tradicionais. Para belgas e senegaleses, no entanto, o foco está em confirmar a reação da terceira jornada e evitar que a campanha irregular se repita no mata-mata, onde não há margem para novos tropeços.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Bélgica entra na fase eliminatória como vencedora do grupo e espera-se que avance, mas a ameaça dos contra-ataques do Senegal pode tornar o confronto tenso. O jogo é visto como um momento decisivo para ambas as equipas, com a Bélgica a tentar evitar uma saída precoce.
A Bélgica, o pior líder de grupo, enfrenta o Senegal, o pior dos melhores terceiros, num jogo que sublinha os percursos desiguais até a fase eliminatória. Apesar das dificuldades, ambas as equipas têm a oportunidade de se redimir neste confronto de vida ou morte.
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