
Irão prepara funeral de Khamenei com forte dispositivo de segurança e cerimónias no Iraque
Cerimónias de seis dias, adiadas desde março, mobilizam milhões e excluem líderes europeus, num contexto de cessar-fogo e sucessão contestada.
As autoridades iranianas ultimam os preparativos para as cerimónias fúnebres do antigo guia supremo, Ali Khamenei, que decorrem entre 4 e 9 de julho em Teerão, Qom, Mashhad e nas cidades iraquianas de Najaf e Karbala. Khamenei foi morto a 28 de fevereiro, no primeiro dia da guerra conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, quando um bombardeamento atingiu a sua residência e gabinete, vitimando também dezenas de responsáveis políticos e militares. As exéquias, inicialmente previstas para março, foram adiadas devido ao conflito e realizam-se agora sob um cessar-fogo frágil e um forte dispositivo de segurança. A televisão estatal iraniana mostra operários a finalizar os acessos ao Mossala Imam Khomeini, no centro da capital, enquanto a fachada do complexo é coberta por retratos gigantes do líder que governou o país durante quase quatro décadas. As autoridades decretaram três dias de feriado em Teerão, impuseram restrições severas de trânsito e esperam a participação de 15 a 20 milhões de pessoas apenas na capital.
Segundo os organizadores, o objetivo central das cerimónias é “reforçar a coesão e a unidade nacional entre as diferentes componentes políticas, sociais e religiosas do país, em torno do papel central do guia”. Cartazes espalhados por Teerão prometem um “futuro brilhante”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaïl Baghaï, confirmou a presença de representantes de cerca de trinta países, mas excluiu a Europa, afirmando que “não esteve do lado certo da história” durante a guerra. A sucessão de Khamenei pelo seu filho Mojtaba, decidida pelo Conselho dos Peritos no início de março, permanece envolta em interrogações: o novo guia supremo não apareceu em público desde a designação, e o então presidente norte-americano, Donald Trump, classificara a escolha como “inaceitável”. O adiamento das exéquias suscitou, segundo analistas em Teerão, acusações de que o Estado tenta inflacionar artificialmente a dimensão da participação popular, num momento em que o país ainda sente os efeitos de protestos contra o custo de vida e a governação.
A dimensão regional do funeral é sublinhada pela inclusão de procissões em Najaf e Karbala, duas das cidades mais sagradas do xiismo, no Iraque. As Unidades de Mobilização Popular iraquianas convidaram a imprensa local e estrangeira a credenciar-se para a cobertura. Observadores em Bagdade interpretam esta extensão como um sinal da profundidade dos laços entre Teerão e as milícias xiitas iraquianas, num momento em que o Irão procura reafirmar a sua influência regional após o conflito. A agência semi-oficial Fars divulgou um calendário que inclui uma cerimónia de homenagem para líderes estrangeiros a 3 de julho, o velório público nos dias 4 e 5, um cortejo fúnebre na capital a 6 de julho, e atos em Qom a 7, no Iraque a 8 e em Mashhad a 9, onde o corpo será sepultado no Santuário do Imam Reza, local de peregrinação maioritária.
O evento constitui um teste à capacidade de mobilização do regime sob a nova liderança, num contexto interno marcado por descontentamento económico e pela memória das manifestações que abalaram o país meses antes da guerra. A imprensa estatal tem multiplicado documentários sobre Khamenei e emitido alertas sobre as temperaturas extremas esperadas durante as cerimónias. O funeral decorrerá sob um cessar-fogo com os Estados Unidos e Israel, cuja estabilidade permanece incerta. A 9 de julho, o corpo de Ali Khamenei será inumado em Mashhad, sua cidade natal, encerrando um ciclo de seis dias que, na leitura de fontes diplomáticas em Lisboa, procura projetar uma imagem de resiliência e continuidade, ao mesmo tempo que expõe as fraturas internas e os desafios de legitimidade do seu sucessor.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O funeral é um momento de unidade nacional e reconhecimento internacional. Dignitários regionais e internacionais comparecerão para honrar o legado do falecido líder. As cerimônias reforçarão o papel central da República Islâmica.
O regime está organizando um funeral elaborado meses após a morte de Khamenei para projetar força, mas o atraso levantou questões sobre a sucessão e a legitimidade. Críticos acusam as autoridades de inflar os números de participação para mascarar o descontentamento interno.
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