
Ofensiva europeia contra Infantino: 50 deputados exigem inquérito por prémio da paz a Trump
Carta de eurodeputados de 13 países insta o comité de ética da FIFA a investigar se o presidente violou o dever de neutralidade política ao criar e atribuir a distinção ao presidente dos EUA.
O movimento de pressão ganhou forma numa carta datada de 29 de junho, divulgada na quinta-feira à noite pela organização não-governamental britânica FairSquare. Cinquenta membros do Parlamento Europeu, oriundos de 13 Estados-membros e alinhados sobretudo com as famílias social-democrata, liberal e verde, subscreveram o documento que ecoa uma queixa apresentada em dezembro passado. A missiva solicita que o comité de ética da FIFA «conduza com a máxima rapidez e seriedade» uma averiguação sobre a conduta de Gianni Infantino, num gesto que, na perspetiva de Bruxelas, representa a intervenção política europeia mais significativa na governação do futebol mundial desde que, em 2015, o mesmo parlamento pediu a demissão do antecessor Sepp Blatter.
No centro do litígio está um inédito «Prémio FIFA da Paz», cujos critérios e mecanismos nunca foram esclarecidos pela entidade que rege o futebol. A distinção foi entregue a Donald Trump em novembro de 2025, meses depois de Infantino ter sugerido publicamente que o presidente norte-americano merecia o Nobel da Paz e de ter tecido comentários favoráveis à sua política interna. A FairSquare acusa o dirigente de violar o artigo 15.º do código ético da FIFA, que impõe o «dever de neutralidade» política. A carta dos eurodeputados subscreve a exigência de que se «examinem as circunstâncias» da atribuição e se apure se a decisão foi tomada pelo Conselho da FIFA, pelo seu bureau ou unilateralmente por Infantino.
Apenas a federação norueguesa de futebol, entre as 211 nações-membro da FIFA, se havia juntado até agora ao coro crítico, através de uma carta enviada em junho. Observadores em Oslo notam que o apoio escandinavo isolado sublinha a relutância da maioria das federações em contrariar a cúpula de Zurique. A ofensiva parlamentar europeia amplia a pressão ao incluir na mesma carta uma condenação aos laços recentes da FIFA com a Arábia Saudita, anfitriã do Mundial de 2034, e ao acordo de patrocínio com a petrolífera estatal Aramco, classificada pelos signatários como «a maior poluidora corporativa do mundo».
A FIFA, contactada pela agência France-Presse, não comentou a carta dos parlamentares europeus, tal como nunca havia respondido à queixa original da FairSquare nem às críticas que envolvem o prémio da paz. O silêncio da entidade coincide com o desenrolar do Mundial de 2026, período em que «os olhos do mundo inteiro estão postos na FIFA», como lembram os deputados. Para os signatários, o momento oferece à organização a oportunidade de demonstrar o seu compromisso com a neutralidade política, a transparência e a responsabilização — valores que a carta considera estarem sob escrutínio.
O próximo passo concreto reside na reação do comité de ética da FIFA, que ainda não se pronunciou. A carta dos 50 eurodeputados, liderada pelo irlandês Barry Andrews, pela neerlandesa Lara Wolters e pelo dinamarquês Niels Fuglsang, transforma uma reclamação de uma ONG num desafio político com peso institucional. Resta saber se a pressão parlamentar europeia terá, sobre a estrutura de poder do futebol, um efeito semelhante ao que em 2015 ajudou a encurtar o mandato de Blatter.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A FIFA merece um prêmio de paródia por sua hipocrisia. Enquanto a Copa do Mundo é celebrada, o caso do árbitro somali barrado pelos EUA é esquecido, e Infantino manda todos 'relaxarem'. O prêmio da paz a Trump é apenas o mais recente absurdo de uma governança que ignora suas próprias regras.
Cinquenta eurodeputados pedem que a FIFA investigue Infantino pelo prêmio da paz a Trump, apoiando uma queixa da FairSquare. Esta é a intervenção política europeia mais significativa contra abusos de governança no futebol mundial desde o pedido de renúncia de Blatter em 2015. A carta acusa Infantino de violar o dever de neutralidade política.
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