
Irão condiciona negociações e avisa que está pronto para a guerra se EUA não honrarem memorando
O negociador-chefe iraniano exige o cumprimento de cinco cláusulas preliminares, incluindo o fim da guerra no Líbano e o levantamento do bloqueio naval, antes de qualquer discussão sobre um acordo final.
O presidente do Parlamento e negociador-chefe do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que Teerão está preparado para um cenário de guerra caso os Estados Unidos não cumpram o memorando de entendimento assinado em 19 de junho. Em entrevista à televisão estatal, Ghalibaf condicionou o avanço para a fase seguinte das conversações — que visaria um acordo definitivo — à implementação integral de cinco cláusulas preliminares do documento de 14 pontos. Entre elas, segundo a delegação iraniana, estão o fim das hostilidades no Líbano, o levantamento do bloqueio naval norte-americano, a reabertura do estreito de Ormuz, a emissão de licenças para a exportação de petróleo iraniano e a libertação de ativos congelados.
Na perspetiva de Teerão, o memorando representa um compromisso vinculativo cuja violação já estará a ocorrer. Ghalibaf acusou Washington de desrespeitar o entendimento ao permitir incidentes no golfo Pérsico e ao procurar, através do secretário de Estado Marco Rubio, normalizar as relações entre o Líbano e Israel — movimento que, segundo o Irão, contraria o artigo primeiro do memorando, que garante a soberania libanesa. O responsável iraniano sublinhou que os direitos nucleares do país, incluindo o enriquecimento de urânio sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica, são “linhas vermelhas inegociáveis”, e recordou a experiência do Plano de Ação Conjunto Global de 2015 para questionar a credibilidade das garantias internacionais.
A administração norte-americana, por seu lado, mantém um discurso de otimismo cauteloso. O presidente Donald Trump afirmou que o Irão concordou em não adquirir armas nucleares e que os encontros técnicos em Doha, mediados pelo Catar, poderão ser “importantes”. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, confirmou a continuação das conversações a nível técnico, mas esclareceu que não estão previstas reuniões de alto nível entre as duas partes. Observadores em Lisboa e Brasília acompanham o processo com atenção, dados os potenciais reflexos nos mercados energéticos e na segurança da navegação no golfo Pérsico, rota vital para o abastecimento de crude à Europa e à Ásia.
O memorando de entendimento, alcançado com mediação do Paquistão e do Catar, permitiu já, segundo Teerão, a exportação de mais de 40 milhões de barris de petróleo desde o fim do bloqueio, contrastando com a paralisia total das semanas anteriores. O documento prevê ainda um regime de passagem gratuita pelo estreito de Ormuz durante 60 dias, findos os quais o Irão pretende introduzir um sistema de portagens. A próxima etapa do processo depende da verificação do cumprimento das cláusulas iniciais por um comité conjunto que integrará representantes do Irão, dos Estados Unidos e do Líbano, mas a formação desse mecanismo ainda não foi concluída. As discussões técnicas prosseguem em Doha, centradas na libertação de ativos e noutros aspetos operacionais, sem que tenha sido anunciada uma data para a eventual retoma das negociações políticas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irã sinalizou sua prontidão para uma ação militar caso os Estados Unidos não implementem o memorando acordado. Teerã insiste na execução integral dos termos do acordo, mas alerta que o descumprimento não lhe deixará outra escolha senão recorrer à guerra. A declaração ressalta a determinação iraniana de responsabilizar Washington.
O Irã traçou uma linha vermelha, alertando que não avançará para as negociações finais até que os EUA cumpram primeiro seus compromissos sob o memorando. Embora a diplomacia continue sendo o caminho preferido, Teerã deixou claro que está preparado para a guerra se o diálogo falhar. A mensagem estabelece uma pré-condição firme antes das próximas conversações no Catar.
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