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Mídia e Entretenimentosegunda-feira, 29 de junho de 2026

Lágrimas, tributos e uma lenda viva: a noite em que os BET Awards celebraram a herança negra

Teyana Taylor emocionou-se ao receber o prémio Ícone do Ano das mãos de Janet Jackson, enquanto Lauryn Hill foi homenageada com uma atuação que uniu gerações, numa cerimónia que também expôs a ausência de vitórias para os artistas africanos.

Quando Janet Jackson subiu ao palco do Peacock Theater, em Los Angeles, para entregar o prémio Ícone do Ano, Teyana Taylor já não conteve as lágrimas. “Oh my God… I’m gagging, they did not tell me Janet was coming”, exclamou, antes de limpar o vapor das lentes dos óculos. A atriz e cantora de 35 anos, que na mesma noite vencera nas categorias de Melhor Atriz, Realizadora de Vídeo do Ano e o recém-criado Fashion Vanguard Award, recebeu a distinção máxima com um discurso que recusou a arrogância e reivindicou a gratidão: “Trabalhei o meu rabo durante 20 anos para isto”. A cena condensou o espírito de uma edição dos BET Awards que fez da transmissão de legado e do reconhecimento da criatividade negra o seu eixo central.

A cerimónia, apresentada pelo comediante Druski, distinguiu ainda a dupla de hip-hop Clipse com três galardões — Álbum do Ano, Melhor Grupo e Melhor Colaboração — e Kendrick Lamar com o seu nono troféu de Melhor Artista Masculino de Hip-Hop. Mas foi a homenagem a Lauryn Hill que transformou o teatro num lugar de memória afetiva. A artista recebeu o inaugural Living Legend Icon Award depois de um medley que reuniu Nas, SZA, Doechii, Lizzo, Doja Cat, Common e Queen Latifah, além de três dos seus filhos, a interpretarem êxitos dos Fugees e do álbum The Miseducation of Lauryn Hill. Hill, de 51 anos, respondeu com uma atuação surpresa e um discurso em que recordou os pais e afirmou: “Senti que era meu dever partilhar o máximo de amor possível. E a música foi a forma de o fazer”.

A noite, porém, também revelou os limites da globalização dos prémios. Apesar de nomeações expressivas para Tems, Burna Boy, Wizkid e Asake, nenhum artista africano venceu nas categorias competitivas, um resultado que analistas em Lagos e Joanesburgo descreveram como um “bloqueio total”. A cantora sul-africana Tyla, nomeada para Vídeo do Ano e Prémio do Público, também saiu de mãos vazias. No Brasil, onde os BET Awards são acompanhados com atenção por uma audiência que se revê na diáspora negra, a ausência de vitórias africanas foi recebida com alguma perplexidade, ainda que as atuações de Tems e a própria nomeação de artistas nigerianos sejam vistas como sinal da influência crescente do afrobeats. Em Lisboa, a imprensa cultural sublinhou o contraste entre o reconhecimento histórico a figuras como Hill e a dificuldade de artistas do continente africano em converter nomeações em estatuetas.

Fora do palco, a moda também escreveu a sua narrativa. Teyana Taylor desfilou na passadeira vermelha um vestido cor de vinho da casa francesa Stéphane Rolland, com uma saia de volume dramático e um toucado cravejado de pedras que a CNN descreveu como “um toque de realeza moderna”. Na mesma semana, Zendaya prosseguia a sua digressão promocional do filme Spider-Man: Brand New Day com visuais que iam do arquivo de John Galliano a uma t-shirt larga com o símbolo do herói, numa demonstração de como a criatividade negra se expande muito para além da música. A imagem que perdura, contudo, é a de Lauryn Hill, de óculos escuros e mangas bufantes, a sussurrar ao microfone: “Alguém aí fora precisa do teu dom. Por isso, não o vendas por pouco”.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa africana subsaarianaImprensa do Golfo árabe
Imprensa africana subsaariana/ Anglófona
CeticismoVitimismoIronia

Apesar de várias nomeações, as estrelas nigerianas saíram de mãos vazias dos BET Awards 2026, enquanto os artistas americanos dominavam os prémios. Uma onda cor de vinho percorreu a passadeira vermelha, mas o silêncio dos nigerianos soou mais alto do que qualquer discurso.

Imprensa do Golfo árabe
DistanciamentoPragmatismo

A passadeira vermelha dos BET Awards 2026 foi uma montra de alta-costura, com o vestido bordeaux dramático de Teyana Taylor e os looks de arquivo inspirados em aranhas de Zendaya a roubar as atenções. O foco manteve-se nos detalhes de moda e nas afirmações de estilo, deixando os resultados para segundo plano.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Lágrimas, tributos e uma lenda viva: a noite em que os BET Awards celebraram a herança negra

Teyana Taylor emocionou-se ao receber o prémio Ícone do Ano das mãos de Janet Jackson, enquanto Lauryn Hill foi homenageada com uma atuação que uniu gerações, numa cerimónia que também expôs a ausência de vitórias para os artistas africanos.

Quando Janet Jackson subiu ao palco do Peacock Theater, em Los Angeles, para entregar o prémio Ícone do Ano, Teyana Taylor já não conteve as lágrimas. “Oh my God… I’m gagging, they did not tell me Janet was coming”, exclamou, antes de limpar o vapor das lentes dos óculos. A atriz e cantora de 35 anos, que na mesma noite vencera nas categorias de Melhor Atriz, Realizadora de Vídeo do Ano e o recém-criado Fashion Vanguard Award, recebeu a distinção máxima com um discurso que recusou a arrogância e reivindicou a gratidão: “Trabalhei o meu rabo durante 20 anos para isto”. A cena condensou o espírito de uma edição dos BET Awards que fez da transmissão de legado e do reconhecimento da criatividade negra o seu eixo central.

A cerimónia, apresentada pelo comediante Druski, distinguiu ainda a dupla de hip-hop Clipse com três galardões — Álbum do Ano, Melhor Grupo e Melhor Colaboração — e Kendrick Lamar com o seu nono troféu de Melhor Artista Masculino de Hip-Hop. Mas foi a homenagem a Lauryn Hill que transformou o teatro num lugar de memória afetiva. A artista recebeu o inaugural Living Legend Icon Award depois de um medley que reuniu Nas, SZA, Doechii, Lizzo, Doja Cat, Common e Queen Latifah, além de três dos seus filhos, a interpretarem êxitos dos Fugees e do álbum The Miseducation of Lauryn Hill. Hill, de 51 anos, respondeu com uma atuação surpresa e um discurso em que recordou os pais e afirmou: “Senti que era meu dever partilhar o máximo de amor possível. E a música foi a forma de o fazer”.

A noite, porém, também revelou os limites da globalização dos prémios. Apesar de nomeações expressivas para Tems, Burna Boy, Wizkid e Asake, nenhum artista africano venceu nas categorias competitivas, um resultado que analistas em Lagos e Joanesburgo descreveram como um “bloqueio total”. A cantora sul-africana Tyla, nomeada para Vídeo do Ano e Prémio do Público, também saiu de mãos vazias. No Brasil, onde os BET Awards são acompanhados com atenção por uma audiência que se revê na diáspora negra, a ausência de vitórias africanas foi recebida com alguma perplexidade, ainda que as atuações de Tems e a própria nomeação de artistas nigerianos sejam vistas como sinal da influência crescente do afrobeats. Em Lisboa, a imprensa cultural sublinhou o contraste entre o reconhecimento histórico a figuras como Hill e a dificuldade de artistas do continente africano em converter nomeações em estatuetas.

Fora do palco, a moda também escreveu a sua narrativa. Teyana Taylor desfilou na passadeira vermelha um vestido cor de vinho da casa francesa Stéphane Rolland, com uma saia de volume dramático e um toucado cravejado de pedras que a CNN descreveu como “um toque de realeza moderna”. Na mesma semana, Zendaya prosseguia a sua digressão promocional do filme Spider-Man: Brand New Day com visuais que iam do arquivo de John Galliano a uma t-shirt larga com o símbolo do herói, numa demonstração de como a criatividade negra se expande muito para além da música. A imagem que perdura, contudo, é a de Lauryn Hill, de óculos escuros e mangas bufantes, a sussurrar ao microfone: “Alguém aí fora precisa do teu dom. Por isso, não o vendas por pouco”.

Divergência das fontes

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48%Média

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Como se dividem

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Crítico60%

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Imprensa africana subsaariana/ Anglófona
CeticismoVitimismoIronia

Apesar de várias nomeações, as estrelas nigerianas saíram de mãos vazias dos BET Awards 2026, enquanto os artistas americanos dominavam os prémios. Uma onda cor de vinho percorreu a passadeira vermelha, mas o silêncio dos nigerianos soou mais alto do que qualquer discurso.

Imprensa do Golfo árabe
DistanciamentoPragmatismo

A passadeira vermelha dos BET Awards 2026 foi uma montra de alta-costura, com o vestido bordeaux dramático de Teyana Taylor e os looks de arquivo inspirados em aranhas de Zendaya a roubar as atenções. O foco manteve-se nos detalhes de moda e nas afirmações de estilo, deixando os resultados para segundo plano.

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