
UE recua em sanções à Rússia e lança frente contra cartéis latino-americanos
O 21.º pacote de medidas restritivas contra Moscovo é significativamente suavizado por dissensos internos, enquanto Bruxelas abre convocatória de 16,55 milhões de euros para desmantelar redes de narcotráfico e tráfico de pessoas.
O 21.º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia está a ser esvaziado dos seus elementos mais duros, segundo apurações da imprensa especializada europeia junto a fontes diplomáticas. A proibição automática de vistos para todos os militares russos que participaram na guerra contra a Ucrânia foi reduzida a vistos de curta duração apenas para quem teve envolvimento direto em combates ou contribuiu para operações militares, após objeções de França, Itália e Grécia. O embargo à venda de navios-tanque para gás natural liquefeito (GNL) russo deverá manter uma exceção que permite a reexportação para países terceiros, e o congelamento do teto do preço do petróleo russo, fixado em 44 dólares por barril, poderá vigorar por apenas três meses, e não seis, por pressão de Atenas. Restrições à importação de pescado russo foram aligeiradas para garantir o abastecimento de espécies como a arinca (Alemanha), o escamudo (Polónia) e o bacalhau (Portugal), enquanto a Bulgária bloqueou sanções contra o patriarca Kirill e o acionista da Lukoil, Vaguit Alekperov.
Na perspetiva de Paris e Roma, a versão inicial do veto migratório era tecnicamente inexequível e colidia com a dependência do turismo russo. Sófia argumentou que sancionar Alekperov agravaria um litígio de três mil milhões de euros com a petrolífera e que atingir o patriarca ortodoxo seria um tiro no pé. Kiev, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, criticou o recuo, afirmando desconhecer “sanções suavizadas” e exigindo medidas eficazes. O dossiê segue para os ministros dos Negócios Estrangeiros a 13 de julho, num contexto em que, segundo diplomatas, o conteúdo dos pacotes sancionatórios se esgotou e cada novo passo exige cálculos minuciosos para não agravar o dano à própria economia europeia.
Paralelamente, a Comissão Europeia lançou uma convocatória de 16,55 milhões de euros para projetos de cooperação com a América Latina e a África Ocidental destinados a desmantelar as redes criminosas que lideram o tráfico de cocaína e de pessoas. A iniciativa, aberta até 3 de setembro, responde ao aumento exponencial dos fluxos de cocaína para os portos europeus e ao facto de 64% das vítimas de tráfico humano na UE serem cidadãos extracomunitários, muitos oriundos da América Latina. Em Brasília, a Polícia Federal realizou na sexta-feira a Operação Vaza Maré, cumprindo mandados na Bahia e em Santa Catarina contra um grupo que enviava cocaína para a Europa em veleiros e contentores. No México, a marinha intercetou duas embarcações com 2,5 toneladas de cocaína e quase mil litros de gasolina, levando à prisão preventiva de quatro homens.
No Médio Oriente, a Comissão Europeia apresentou aos Estados-membros um leque de opções para restringir importações de produtos oriundos dos colonatos israelitas na Cisjordânia, incluindo um sistema de licenciamento. A discussão está prevista para a mesma reunião ministerial de 13 de julho. Países como Espanha, Irlanda e Bélgica defendem sanções comerciais, enquanto a Alemanha tem mantido reservas. Em Ramallah, o presidente do Conselho Nacional Palestiniano classificou como “pirataria financeira” a aprovação preliminar pelo Knesset de uma lei que permite congelar mais receitas fiscais palestinianas — cerca de 4,6 mil milhões de dólares já estão retidos por Israel, o equivalente a 68% do orçamento da Autoridade Palestiniana.
O Conselho de Negócios Estrangeiros da UE deverá procurar um acordo político sobre o pacote russo, mas a unanimidade exigida mantém o desfecho incerto. A convocatória para a luta contra o crime organizado transnacional permanece aberta até setembro, e as opções sobre os colonatos israelitas carecem ainda de definição quanto à base jurídica — se de política externa (unanimidade) ou de política comercial (maioria qualificada).
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | +0.20 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | −0.40 | critical |
A União Europeia ajusta as sanções para preservar a unidade interna e propõe medidas mais rigorosas contra os traficantes de seres humanos, demonstrando capacidade de adaptação.
Apresenta o abrandamento das sanções como um compromisso técnico necessário para manter a unidade, e a repressão anti-migrantes como uma resposta proativa, evitando mencionar críticas externas.
Omite a iniciativa da UE de cooperar com a América Latina contra os cartéis, que mostraria uma frente mais ampla, e as críticas da Ucrânia e da Rússia sobre o abrandamento.
A Europa nos chama a colaborar na luta contra os cartéis, e nós respondemos com operações concretas e resultados tangíveis.
Enfatiza a oportunidade de cooperação oferecida pela Europa e a sua própria eficácia interna, criando uma imagem de parceria ativa e sucesso nacional.
Omite as divisões internas da UE sobre as sanções à Rússia, que poderiam minar a perceção de unidade europeia na luta contra os cartéis.
A União Europeia mostra a sua fraqueza: as sanções estão a ser esvaziadas, enquanto nós permanecemos firmes e a Ucrânia denuncia a capitulação.
Utiliza as divisões internas da UE e as críticas ucranianas para construir uma narrativa de fraqueza europeia, apresentando o seu próprio ponto de vista como o do lado forte.
Omite a iniciativa da UE contra os cartéis latino-americanos, que mostraria uma ação proativa europeia, e o facto de as sanções ainda serem mantidas, embora modificadas.
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