
Tucker Carlson anuncia terceiro partido nos EUA e expõe fraturas na direita trumpista
Ex-apresentador da Fox News rompe com Trump devido à guerra no Irão e junta-se a outras figuras dissidentes na defesa de uma nova força política, num contexto de crescente sentimento antissistema.
O comentador conservador Tucker Carlson anunciou, em entrevista à revista Columbia Journalism Review, que irá contribuir para a criação de um terceiro partido nos Estados Unidos, aprofundando o cisma com o ex-presidente Donald Trump e a coligação MAGA. Carlson afirmou que republicanos e democratas são indistinguíveis em matérias de guerra e finanças, descrevendo o país como “um Estado de partido único que se faz passar por democracia”. A rutura, que o próprio classificou como inevitável após a ofensiva militar no Irão, levou-o a pedir desculpa à sua audiência por ter apoiado Trump, admitindo ter induzido os ouvintes em erro.
A fragmentação na direita norte-americana é interpretada por um centro de estudos chinês como um “resultado inevitável” das tensões acumuladas no segundo mandato de Trump e um microcosmo da divisão interna do Partido Republicano. Na perspetiva de analistas europeus, a cisão expõe duas almas do movimento America First: a original, centrada na defesa dos trabalhadores industriais e na reindustrialização, e a mais recente, orientada para a segurança nacional e os interesses tecnológico-geopolíticos. A imprensa italiana sublinha o risco eleitoral de uma candidatura dissidente, evocando o efeito de Ross Perot em 1992, quando um terceiro nome retirou votos decisivos ao candidato republicano. Paralelamente, candidaturas apoiadas pelos Socialistas Democráticos da América venceram primárias em Nova Iorque e no Colorado, sinalizando que o sentimento antissistema também ganha expressão à esquerda.
A dimensão externa do conflito é realçada pela imprensa israelita, que destaca as acusações de Carlson contra o governo de Benjamin Netanyahu. O comentador sustenta que a guerra no Irão foi uma operação de mudança de regime liderada por Israel e que a administração Trump traiu os interesses americanos ao ceder a pressões de doadores e de figuras como Miriam Adelson e Rupert Murdoch. Carlson negou ser antissemita, mas afirmou que Israel “não é significativo como país do ponto de vista americano” e que só lhe merece atenção quando interfere no sistema político dos EUA. Trump, por seu lado, classificou-o como “perdedor” e excluiu-o do movimento MAGA, enquanto o filho de Carlson, Buckley, abandonou o cargo de redator de discursos na Casa Branca.
Além de Carlson, a ex-congressista Marjorie Taylor Greene e o empresário Elon Musk também manifestaram intenção de criar ou apoiar uma terceira força. Greene admitiu que há “conversas sérias” em curso, mas reconheceu que a viabilização de um novo partido exigirá vários ciclos eleitorais. Carlson descartou, para já, uma candidatura presencial em 2028, embora analistas europeus questionem a sinceridade dessa renúncia. O Partido Republicano prepara uma convenção em Dallas em setembro para mobilizar o eleitorado antes das intercalares, num momento em que a coesão da direita é posta à prova e o debate sobre a representatividade do sistema bipartidário ganha novo fôlego.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O comentarista de extrema-direita Tucker Carlson rompeu com Trump por causa da guerra no Irã e agora planeja lançar um terceiro partido. Ele afirma abertamente não se importar com o Hamas ou Israel, focando apenas nos cidadãos americanos. Essa guinada isolacionista soa o alarme sobre o enfraquecimento do apoio à segurança israelense.
A ruptura de Carlson com os republicanos é o resultado inevitável das tensões crescentes dentro do movimento conservador durante o segundo mandato de Trump. Este episódio reflete e aprofunda as divisões na direita americana, um microcosmo da disfunção política dos EUA.
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