
Queda recorde na aprovação de Putin reflete crise de combustíveis e ataques ucranianos
Sondagens estatais e independentes mostram a maior descida semanal desde a invasão da Ucrânia, num contexto de escassez de gasolina e crescente ansiedade social.
A aprovação do trabalho do presidente russo, Vladimir Putin, registou a queda semanal mais acentuada desde o início da invasão da Ucrânia em 2022, segundo dados do instituto estatal VTsIOM divulgados esta semana. Entre 22 e 28 de junho, o índice caiu 3,5 pontos percentuais, para 66,9%, enquanto a confiança no líder recuou 3,4 pontos, para 73,3%. O centro independente Levada, que publica dados mensais, apontou uma descida de 79% para 74% em junho, o valor mais baixo desde fevereiro de 2022. A fundação estatal FOM, que mantém a metodologia telefónica, registou uma avaliação positiva de 70%, também um mínimo do período de guerra.
Na perspetiva de analistas em Moscovo, a erosão das taxas de apoio reflete o impacto direto da crise de combustíveis que se alastra pelas regiões russas após semanas de ataques ucranianos a refinarias. O próprio Putin reconheceu publicamente a escassez de gasolina numa entrevista a um jornalista da televisão estatal, admitindo que a situação não é “crítica”, mas desviando rapidamente o discurso para os êxitos militares. Observadores em Bruxelas notam que o formato escolhido — uma conversa com um repórter próximo do Kremlin, em vez de um discurso à nação — sugere uma tentativa de gerir a perceção de distanciamento do líder face a um problema que afeta a normalidade quotidiana.
Os três institutos de sondagem, com metodologias distintas, convergem na tendência de queda, ainda que o VTsIOM tenha alterado em maio o seu método, acrescentando entrevistas presenciais às telefónicas, o que elevou momentaneamente os indicadores. O Levada, que mantém inquéritos porta-a-porta, identificou ainda um aumento de dez pontos percentuais, para 35%, na proporção de russos que consideram que o país segue na direção errada. Fontes próximas da administração presidencial, citadas pela imprensa russa, associam o declínio à combinação de bloqueios da internet, subida de preços e ataques com drones em regiões distantes da linha da frente, que amplificam a sensação de insegurança.
O agravamento dos indicadores ocorre a poucas semanas das eleições para a Duma, a câmara baixa do parlamento, marcadas para setembro. Na avaliação de politólogos citados por meios russos, a escassez de combustível transformou-se num teste à capacidade do Estado de gerir crises com impacto na vida diária, num momento em que a relutância dos cidadãos em responder a sondagens — o Levada reporta taxas de recusa superiores a 90% — torna os dados ainda mais sensíveis. O dossier permanece em evolução, com a atenção voltada para os próximos relatórios mensais e para a forma como o Kremlin calibrará a comunicação pública antes do ato eleitoral.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
Putin's regime shows its true nature: a corrupt system that privileges its own while the people suffer. The fuel crisis is proof that war and mismanagement are eroding consent.
It links the fuel crisis directly to Putin's leadership, using examples of official privileges to suggest an unfair system, making the rating drop an inevitable consequence.
It omits possible external causes such as sanctions or seasonality, as well as Russian government statements on measures to stabilize the market.
Putin's rating drop is a notable but unsurprising event given the context. The fuel crisis is an internal Russian problem.
It reports the news in a detached manner, without linking it to broader criticism, normalizing it as a routine news item.
It does not delve into structural causes or implications for Russian stability.
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