
EUA aliviam restrições à exportação de tecnologia militar e chips de IA para os Emirados
A medida beneficia empresas como a G42 e a xAI, é justificada pela cooperação contra o Irão e provoca reações de Teerão e de críticos em Washington.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira um alívio significativo dos controlos de exportação para os Emirados Árabes Unidos, permitindo o acesso sem licenças individuais a equipamento militar, satélites comerciais, naves espaciais e, sobretudo, a chips e servidores de inteligência artificial. A alteração regulatória, publicada no Federal Register, transfere o país do Golfo para o Grupo A:5, reservado aos parceiros mais confiáveis de Washington, e elimina restrições que incidiam sobre programas de veículos aéreos não tripulados emiratis.
A decisão abrange entidades governamentais e empresas aprovadas, como a G42 e a Core42, ambas presididas pelo conselheiro de segurança nacional xeque Tahnoon bin Zayed, e gigantes tecnológicos norte-americanos com operações no país — Amazon, Apple, xAI, Google, Meta, Microsoft, OpenAI e Oracle. O Departamento de Comércio justificou a medida com base na parceria militar de décadas contra o Irão e os seus representantes regionais, destacando o papel “fundamental” dos Emirados na “Operação Epic Fury”, a campanha de ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irão iniciada em fevereiro.
A reação de Teerão foi imediata. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, classificou a decisão como uma “recompensa” pelo apoio de Abu Dhabi à “agressão militar” e afirmou que o documento constitui uma “confissão oficial” de Washington, com “responsabilidade internacional e efeitos jurídicos diretos”. Exigiu que os Emirados “prestem contas”. Em Abu Dhabi, o ministro de Estado Saeed Al Hajeri celebrou o novo estatuto como um marco na parceria estratégica e um reconhecimento da robustez do quadro de conformidade e controlo de exportações do país.
Nos Estados Unidos, a medida reacendeu o escrutínio sobre os laços financeiros entre a família Trump e o círculo do xeque Tahnoon. A senadora democrata Elizabeth Warren denunciou um “acordo corrupto”, recordando que uma empresa apoiada por Tahnoon adquiriu uma participação de 49% na plataforma de criptomoedas World Liberty Financial, da família Trump, dias antes da posse presidencial. Warren pediu que o secretário do Comércio testemunhe no Senado e que o Congresso trave legislação sobre criptoativos que permita ao presidente continuar a lucrar com o setor.
O anúncio ocorre num momento de reconfiguração do acesso global a semicondutores avançados. Enquanto Washington aprofunda a cooperação tecnológica com os Emirados, Pequim sinaliza uma abertura controlada: o governo chinês terá informado empresas como Alibaba, ByteDance e DeepSeek de que podem solicitar a compra de chips Nvidia H200, embora sujeita a justificativas detalhadas. A convergência destes movimentos sublinha a centralidade dos chips de IA na competição geopolítica e o esforço das potências para garantir infraestrutura computacional própria ou através de aliados.
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | +0.40 | aligned |
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
Washington fortalece um aliado estratégico e abre novas oportunidades para as empresas de tecnologia americanas.
O bloco apresenta a decisão como um ajuste comercial de rotina, omitindo o contexto militar dos ataques contra o Irã, normalizando assim a transferência de tecnologia avançada.
O bloco omite qualquer referência ao envolvimento direto dos Emirados em ataques militares contra o Irã, concentrando-se na cooperação estratégica geral.
Abu Dhabi é reconhecido como um parceiro de defesa chave, recompensado por seu papel na segurança regional.
O bloco enfatiza o status dos Emirados como 'parceiro de defesa principal' e apresenta a liberalização das exportações como um reconhecimento merecido, legitimando a cooperação militar.
O bloco omite qualquer menção explícita ao envolvimento dos Emirados em ataques contra o Irã, concentrando-se na cooperação geral de segurança e parceria.
O Irã denuncia a cumplicidade dos Emirados na agressão americana e exige responsabilidade.
O bloco usa declarações oficiais e documentos para ligar diretamente a flexibilização das exportações ao papel dos Emirados no ataque, construindo uma narrativa de recompensa pela agressão.
O bloco omite o contexto de parceria econômica e estratégica, apresentando a decisão exclusivamente como uma recompensa pela cumplicidade militar.
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