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Ciência e Saúdesábado, 11 de julho de 2026

A arte mais antiga e os vestígios da violência: o que revelam novos achados

Da pintura figurativa de 45.500 anos na Indonésia ao crânio de uma jovem na Antártida, descobertas recentes ampliam o conhecimento sobre a complexidade do comportamento humano.

A identificação de uma pintura rupestre de um porco-verrugoso na caverna de Leang Tedongnge, na ilha de Celebes, Indonésia, com idade mínima de 45.500 anos, estabeleceu um novo marco para a arte figurativa. A datação, obtida por meio da desintegração de urânio em depósitos minerais sobre a imagem, foi conduzida por arqueólogos da Universidade Griffith, na Austrália. O achado desloca para o Sudeste Asiático o centro das primeiras manifestações simbólicas do Homo sapiens, até então associadas sobretudo à Europa. A mesma região já havia revelado uma cena de caça de 43.900 anos, reforçando a hipótese de que o pensamento abstrato floresceu em múltiplos pontos do globo durante o Paleolítico Superior.

Em contraste com a expressão criativa, outros vestígios escavados no Oriente Médio documentam a face mais sombria das interações humanas. Na caverna de Qafzeh, em Israel, um crânio de aproximadamente 100 mil anos — pertencente a um dos primeiros Homo sapiens fora da África — exibe um corte profundo no maxilar esquerdo, compatível com um golpe de ferramenta de pedra. A análise microscópica, divulgada na Scientific Reports, indica que o indivíduo sobreviveu ao ferimento, sugerindo tanto a ocorrência de conflitos interpessoais quanto a existência de cuidados comunitários. Já no sítio de Tell Brak, na Síria, o esqueleto de um bebê de 6 a 9 meses, datado de 4.200 a 3.900 a.C., apresenta fraturas nas costelas e lesões cranianas que, segundo os investigadores, dificilmente teriam origem acidental. O caso, considerado excecional entre 63 sepultamentos infantis do mesmo cemitério, é apontado como um dos indícios mais remotos de maus-tratos a crianças.

A cronologia oficial da exploração humana também é desafiada por um enigma sul-americano. Em 1985, na praia Yamana, na Península Antártica, o biólogo chileno Daniel Torres Navarro recolheu um crânio que análises posteriores atribuíram a uma jovem de origem chilena, morta entre 1819 e 1825. O intervalo coincide com a primeira avistagem documentada do continente, em 1820, pelo russo Thaddeus von Bellingshausen, mas a presença de uma mulher na região antes ou durante esse período permanece sem explicação. Pesquisadores chilenos levantam a hipótese de que o corpo possa ter sido arrastado por correntes marítimas, embora a ausência de outros ossos no local impeça conclusões definitivas.

Episódios contemporâneos mostram como práticas rituais e contextos de vulnerabilidade social continuam a produzir eventos trágicos. No Rio de Janeiro, a morte de Caroline Pinto dos Santos, de 32 anos, após ter 65% do corpo queimado durante uma cerimônia de candomblé em ambiente fechado, reacendeu o debate sobre o uso de fogo e substâncias inflamáveis em rituais religiosos. A família questiona a presença de crianças no local e a demora no socorro. Na Argentina, o achado de um recém-nascido desmembrado no cemitério de General Güemes, em Salta, é investigado pela polícia local, que mantém sob sigilo a identidade e a causa da morte. Em ambos os casos, as autoridades conduzem apurações que ainda não resultaram em responsabilizações.

Divergência — quem conta como
Eixo: Violenza vs. Arte
50%Média
3 blocos · posições de −0.30 a +0.80
Violenza preistoricaArte preistorica
IRNLATSEA
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa iraniana e afins−0.30critical
Imprensa latino-americana+0.70aligned
Imprensa do Sudeste Asiático+0.80aligned
As partes diretas (pesquisadores e sujeitos antigos) não estão representadas entre os blocos de imprensa analisados; a análise cobre a imprensa de regiões que relatam as descobertas.
Imprensa iraniana e afins−0.30
Voz

A descoberta de abuso infantil e violência com armas na pré-história prova que a crueldade humana é tão antiga quanto a própria humanidade.

Mecanismomoralizzazione del passato

Usa evidências forenses para rotular lesões antigas como 'abuso' e 'crime', moralizando o passado e tornando a violência pré-histórica imediatamente reconhecível como mal.

Omissão

O bloco omite a descoberta da arte figurativa mais antiga, concentrando-se apenas na violência.

IndignaçãoPaternalismo
Imprensa latino-americana+0.70
Voz

A pintura de porco de 45.500 anos é a arte figurativa mais antiga, evidência da criatividade humana primitiva que reescreve a história da evolução cultural.

Mecanismoautorità scientifica

Confia na autoridade científica das datações e universidades para estabelecer a descoberta como um fato indiscutível, evocando admiração e respeito.

Omissão

O bloco omite as descobertas de violência pré-histórica, concentrando-se apenas na arte.

TriunfoDistanciamento
Imprensa do Sudeste Asiático+0.80
Voz

A Indonésia é o centro da pré-história mundial, e as pinturas de Liang Metanduno provam isso: um patrimônio a ser exibido com orgulho.

Mecanismoorgoglio nazionale

Usa o orgulho nacional e a proposta de um ícone museológico para transformar uma descoberta científica em um símbolo de identidade cultural e desenvolvimento turístico.

Omissão

O bloco omite as descobertas de violência pré-histórica, concentrando-se exclusivamente na arte e seu significado nacional.

TriunfoPragmatismo

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sábado, 11 de julho de 2026

A arte mais antiga e os vestígios da violência: o que revelam novos achados

Da pintura figurativa de 45.500 anos na Indonésia ao crânio de uma jovem na Antártida, descobertas recentes ampliam o conhecimento sobre a complexidade do comportamento humano.

A identificação de uma pintura rupestre de um porco-verrugoso na caverna de Leang Tedongnge, na ilha de Celebes, Indonésia, com idade mínima de 45.500 anos, estabeleceu um novo marco para a arte figurativa. A datação, obtida por meio da desintegração de urânio em depósitos minerais sobre a imagem, foi conduzida por arqueólogos da Universidade Griffith, na Austrália. O achado desloca para o Sudeste Asiático o centro das primeiras manifestações simbólicas do Homo sapiens, até então associadas sobretudo à Europa. A mesma região já havia revelado uma cena de caça de 43.900 anos, reforçando a hipótese de que o pensamento abstrato floresceu em múltiplos pontos do globo durante o Paleolítico Superior.

Em contraste com a expressão criativa, outros vestígios escavados no Oriente Médio documentam a face mais sombria das interações humanas. Na caverna de Qafzeh, em Israel, um crânio de aproximadamente 100 mil anos — pertencente a um dos primeiros Homo sapiens fora da África — exibe um corte profundo no maxilar esquerdo, compatível com um golpe de ferramenta de pedra. A análise microscópica, divulgada na Scientific Reports, indica que o indivíduo sobreviveu ao ferimento, sugerindo tanto a ocorrência de conflitos interpessoais quanto a existência de cuidados comunitários. Já no sítio de Tell Brak, na Síria, o esqueleto de um bebê de 6 a 9 meses, datado de 4.200 a 3.900 a.C., apresenta fraturas nas costelas e lesões cranianas que, segundo os investigadores, dificilmente teriam origem acidental. O caso, considerado excecional entre 63 sepultamentos infantis do mesmo cemitério, é apontado como um dos indícios mais remotos de maus-tratos a crianças.

A cronologia oficial da exploração humana também é desafiada por um enigma sul-americano. Em 1985, na praia Yamana, na Península Antártica, o biólogo chileno Daniel Torres Navarro recolheu um crânio que análises posteriores atribuíram a uma jovem de origem chilena, morta entre 1819 e 1825. O intervalo coincide com a primeira avistagem documentada do continente, em 1820, pelo russo Thaddeus von Bellingshausen, mas a presença de uma mulher na região antes ou durante esse período permanece sem explicação. Pesquisadores chilenos levantam a hipótese de que o corpo possa ter sido arrastado por correntes marítimas, embora a ausência de outros ossos no local impeça conclusões definitivas.

Episódios contemporâneos mostram como práticas rituais e contextos de vulnerabilidade social continuam a produzir eventos trágicos. No Rio de Janeiro, a morte de Caroline Pinto dos Santos, de 32 anos, após ter 65% do corpo queimado durante uma cerimônia de candomblé em ambiente fechado, reacendeu o debate sobre o uso de fogo e substâncias inflamáveis em rituais religiosos. A família questiona a presença de crianças no local e a demora no socorro. Na Argentina, o achado de um recém-nascido desmembrado no cemitério de General Güemes, em Salta, é investigado pela polícia local, que mantém sob sigilo a identidade e a causa da morte. Em ambos os casos, as autoridades conduzem apurações que ainda não resultaram em responsabilizações.

Divergência — quem conta como
Eixo: Violenza vs. Arte
50%Média
3 blocos · posições de −0.30 a +0.80
Violenza preistoricaArte preistorica
IRNLATSEA
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa iraniana e afins−0.30critical
Imprensa latino-americana+0.70aligned
Imprensa do Sudeste Asiático+0.80aligned
As partes diretas (pesquisadores e sujeitos antigos) não estão representadas entre os blocos de imprensa analisados; a análise cobre a imprensa de regiões que relatam as descobertas.
Imprensa iraniana e afins−0.30
Voz

A descoberta de abuso infantil e violência com armas na pré-história prova que a crueldade humana é tão antiga quanto a própria humanidade.

Mecanismomoralizzazione del passato

Usa evidências forenses para rotular lesões antigas como 'abuso' e 'crime', moralizando o passado e tornando a violência pré-histórica imediatamente reconhecível como mal.

Omissão

O bloco omite a descoberta da arte figurativa mais antiga, concentrando-se apenas na violência.

IndignaçãoPaternalismo
Imprensa latino-americana+0.70
Voz

A pintura de porco de 45.500 anos é a arte figurativa mais antiga, evidência da criatividade humana primitiva que reescreve a história da evolução cultural.

Mecanismoautorità scientifica

Confia na autoridade científica das datações e universidades para estabelecer a descoberta como um fato indiscutível, evocando admiração e respeito.

Omissão

O bloco omite as descobertas de violência pré-histórica, concentrando-se apenas na arte.

TriunfoDistanciamento
Imprensa do Sudeste Asiático+0.80
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A Indonésia é o centro da pré-história mundial, e as pinturas de Liang Metanduno provam isso: um patrimônio a ser exibido com orgulho.

Mecanismoorgoglio nazionale

Usa o orgulho nacional e a proposta de um ícone museológico para transformar uma descoberta científica em um símbolo de identidade cultural e desenvolvimento turístico.

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