
Keiko Fujimori é proclamada presidente do Peru após vitória por 49 mil votos
O anúncio oficial encerra semanas de incerteza, mas o adversário Roberto Sánchez recorre à CIDH e mantém a contestação dos resultados.
O Jurado Nacional de Eleições (JNE) do Peru proclamou oficialmente, nesta sexta-feira (3), Keiko Fujimori como presidente eleita para o mandato 2026-2031. A candidata do partido Fuerza Popular obteve 50,135% dos votos válidos no segundo turno realizado em 7 de junho, contra 49,865% do deputado de esquerda Roberto Sánchez, uma diferença de 49.641 sufrágios. A cerimónia em Lima formalizou o desfecho de um escrutínio que se arrastou por quase um mês, marcado por pedidos de impugnação de votos do exterior e por um clima de forte polarização. Fujimori, de 51 anos, tomará posse no dia 28 de julho, tornando-se a nona pessoa a ocupar a presidência do país desde 2016.
A proclamação não foi reconhecida pelo campo derrotado. Roberto Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, alega irregularidades na gestão das cédulas dos peruanos residentes no estrangeiro — cujo peso foi decisivo para a virada de Fujimori — e anunciou que apresentou recurso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O JNE já havia rejeitado, por falta de fundamento, o pedido de anulação desses votos. Missões de observação da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia não detetaram fraudes. Em comunicado, a presidente eleita afirmou receber o resultado “com profundo agradecimento” e prometeu “escutar, dialogar e chegar preparados” ao início do governo, reconhecendo que o país está “praticamente dividido ao meio”.
A vitória de Fujimori, na quarta tentativa de chegar ao cargo, representa o regresso do fujimorismo ao poder um quarto de século após a queda do seu pai, Alberto Fujimori (1990-2000), cujo legado — entre a derrota das guerrilhas e condenações por corrupção e crimes contra a humanidade — continua a dividir a sociedade peruana. A nova presidente herda um Congresso fragmentado, uma crise de segurança com índices recordes de extorsão e homicídios, e uma economia que cresce abaixo do potencial. Na campanha, prometeu “mão dura” contra o crime organizado, evocando a política de ordem do seu pai, e terá de construir pontes num cenário de instabilidade crónica que já derrubou oito presidentes em uma década.
Na perspetiva de Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva felicitou Fujimori e defendeu uma “agenda bilateral ambiciosa” centrada em comércio, investimentos, integração de infraestruturas e combate ao crime transnacional, sinalizando pragmatismo apesar das diferenças ideológicas. Já o pré-candidato à presidência brasileira Flávio Bolsonaro celebrou a vitória como parte de uma “onda azul” que, na sua leitura, deverá alcançar o Brasil nas eleições de outubro. A União Europeia, da qual Portugal faz parte, e o governo dos Estados Unidos também felicitaram a presidente eleita, com Washington a manifestar interesse em aprofundar a cooperação em segurança e investimentos. O mapa político sul-americano confirma a tendência de guinada à direita, com vitórias recentes de candidatos conservadores na Colômbia, no Chile e na Bolívia.
O processo de transição terá como próximo marco a entrega das credenciais à fórmula presidencial, prevista para 15 de julho. Apesar do recurso de Sánchez à CIDH, o calendário institucional aponta para a posse no final do mês, enquanto a comunidade internacional já reconhece maioritariamente o resultado. A capacidade de Fujimori para estabilizar o país dependerá, segundo analistas, da formação de uma base parlamentar sólida e da resposta imediata às urgências da população em matéria de segurança e economia.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
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| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.60 | aligned |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa europeia continental | −0.10 | neutral |
A estreita vitória de Keiko Fujimori, filha de um ex-presidente desonrado, levanta questões sobre a legitimidade e estabilidade do novo governo.
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A proclamação oficial pela autoridade eleitoral encerra a incerteza, e a nova presidente assumirá o cargo em 28 de julho, herdando um país marcado pela instabilidade política.
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A vitória apertada de Keiko Fujimori ressalta a fragilidade política do Peru, um país que teve oito presidentes em uma década.
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