
Síria sinaliza abertura ao diálogo com Hezbollah, mas rejeita intervenção militar no Líbano
Em visita a Beirute, o chanceler sírio afirmou que Damasco está disposta a reunir-se com o grupo xiita se os interesses o exigirem, ao mesmo tempo que garantiu ao presidente libanês que não há planos de incursão armada.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria, Asaad al-Shibani, declarou esta quinta-feira, em Beirute, que o seu país está aberto a um encontro com o Hezbollah “se os interesses mútuos o exigirem”, segundo a agência noticiosa estatal libanesa. A afirmação foi feita após uma reunião com o presidente do Parlamento, Nabih Berri, aliado do grupo xiita, no quadro da primeira visita oficial de al-Shibani ao Líbano desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, sugeriu que forças sírias poderiam combater o Hezbollah em território libanês. O chanceler precisou, contudo, que o dossiê do Hezbollah não foi abordado nos seus encontros com as autoridades libanesas.
De acordo com a presidência libanesa, al-Shibani transmitiu ao Presidente Joseph Aoun a intenção de “esclarecer a confusão gerada por notícias de uma potencial intervenção militar síria no Líbano”, assegurando que Damasco “não tem qualquer intenção de levar a cabo tal movimento”. Aoun, por seu lado, reafirmou o compromisso do Líbano com relações fraternas baseadas na cooperação e na não ingerência, sublinhando que o Presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, lhe garantiu que a Síria não tomará partido nas questões internas libanesas. Na perspetiva de Beirute, a visita serviu para testar a promessa de uma nova página nas relações bilaterais, depois de décadas de tutela síria.
A deslocação ocorre num momento de recalibragem de alianças por parte do novo poder em Damasco. O governo de al-Sharaa, formado por antigos rebeldes que combateram o Hezbollah quando este interveio na guerra civil síria em apoio a Bashar al-Assad, procura agora manter uma estabilidade relativa e evitar ser arrastado para o conflito regional. Fontes diplomáticas ocidentais recordam que os Estados Unidos incentivaram a Síria a considerar o envio de tropas para o leste do Líbano a fim de ajudar a desarmar o Hezbollah, mas Damasco mostrou-se renitente, temendo acirrar tensões sectárias. O enviado especial de Trump para a Síria classificou essas informações como “falsas e imprecisas”.
A visita resultou na assinatura de um acordo para a criação de uma comissão superior de cooperação e parceria, que servirá de plataforma para desenvolver entendimentos em matéria de segurança, energia e transportes. Al-Shibani entregou ainda um convite formal para que o Presidente Aoun se desloque a Damasco, no que seria a primeira visita de um chefe de Estado libanês desde a mudança de regime. O dossiê permanece em aberto, com a nova liderança síria a tentar equilibrar a hostilidade herdada contra o Hezbollah com a necessidade de não abrir uma nova frente de instabilidade, enquanto o Líbano insiste em que qualquer reaproximação deve respeitar a sua soberania.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Durante uma visita a Beirute, o chanceler sírio afirmou que Damasco está aberto a se reunir com o Hezbollah se os interesses nacionais assim o exigirem. A declaração ocorre enquanto Washington pressiona a Síria a assumir um papel mais ativo contra o grupo apoiado pelo Irã. As conversas com líderes libaneses não trataram diretamente da questão do Hezbollah.
Damasco manifestou disposição para participar de um encontro com representantes do Hezbollah, se isso atender aos interesses sírios. A declaração ocorreu enquanto o presidente Trump criticava os métodos de Israel e sugeria que a Síria poderia lidar melhor com o grupo. A liderança síria, no entanto, não pretende intervir militarmente no Líbano.
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