
A dor de um pai e o recuo que adia a proteção digital das crianças
Enquanto a Austrália trava uma batalha política sobre a proibição de redes sociais para menores, estudos e vozes de pais na Ásia e na Europa questionam a eficácia das proibições e apontam caminhos alternativos.
Wayne Holdsworth perdeu o filho Mac, adolescente, que se suicidou depois de ser explorado sexualmente através de uma plataforma social. Na semana passada, em Camberra, Holdsworth assistiu ao Parlamento australiano adiar, por pelo menos oito semanas, as reformas que pretendiam reforçar a proibição de redes sociais para menores de 16 anos. A ministra das Comunicações, Anika Wells, relatou que o pai enlutado sentiu “desprezo total” por parte da oposição. A cena condensa o choque entre a urgência do luto e a lentidão do processo legislativo.
A proibição australiana, em vigor desde dezembro, foi pioneira no mundo, mas o governo trabalhista alega que as plataformas não estão a cumprir a lei. As alterações agora bloqueadas no Senado — com os votos da oposição conservadora e dos Verdes — duplicariam as multas para 99 milhões de dólares australianos e obrigariam as empresas a entregar documentos à comissária de segurança digital. O primeiro-ministro Anthony Albanese acusou os senadores de darem às tecnológicas tempo para “apagar uma grande quantidade de material” que poderia servir de prova. A oposição responde que a lei é “mal concebida” e que as multas nunca foram aplicadas.
A discussão australiana ecoa um movimento global de restrição, mas encontra resistência em diferentes latitudes. Em Itália, académicos citados pela imprensa local sustentam que a crise de saúde mental dos jovens decorre da degradação das condições materiais, e não da difusão dos ecrãs — proibir as redes seria, portanto, inútil. Na Malásia, um inquérito da Kaspersky com o Instituto de Tecnologia de Singapura revelou que 74% dos pais temem que as empresas usem os dados dos filhos para treinar software, e 73% acreditam que as plataformas já traçam perfis das crianças. Contudo, metade dos inquiridos também sente “camaradagem e afirmação positiva” ao partilhar marcos familiares online, uma prática conhecida como sharenting.
Essa ambivalência atravessa o debate asiático. Pais reunidos num workshop de segurança digital em Kuala Lumpur, organizado pela Tatler e pelo TikTok, defenderam que a literacia digital e o pensamento crítico protegem mais do que as proibições absolutas. “A exclusão não é proteção”, resumiu uma mãe de quatro filhos. Em vez de blindar os jovens da tecnologia, propõem guiá-los para que naveguem com consciência os riscos do ciberbullying, dos predadores e da desinformação. A funcionalidade “Family Pairing” do TikTok foi citada como exemplo de ferramenta que estimula o diálogo familiar, e não o isolamento.
Enquanto o Parlamento australiano aguarda o relatório da comissão de inquérito, a comissária Julie Inman Grant alerta que sete em cada dez crianças continuam ativas nas plataformas proibidas. A imagem que fica é a de um pai que perdeu o filho e vê o relógio correr a favor dos gigantes digitais — e, do outro lado do mundo, a de pais que, ao publicar a primeira fotografia do bebé, alimentam sem saber o perfil-sombra que um algoritmo já começou a desenhar.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | +0.10 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.10 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.20 | neutral |
Predators are lurking, and only a firm hand can stop them. Politicians cry, but they must act.
Emphasize immediate danger and the need for punishment, using the pathos of parliamentary tears to create urgency.
Does not mention the role of tech platforms in designing safe systems, focusing solely on punishment.
Protecting minors is a collective duty. Tears are a signal, but structural policies are needed.
Universalize the problem as a European responsibility, shifting focus from emotions to systemic solutions.
Does not consider immediate punitive solutions, favoring a long-term approach.
The state must intervene with laws and controls. The courts are the bulwark.
Judicialize the problem, presenting it as a matter of public order and legality.
Overlooks the international dimension and cross-country cooperation.
Innovation and the market can solve the problem. Smart regulation, not bans.
Reproject the problem as a market opportunity, emphasizing technological solutions.
Ignores the need for strict laws and personal data protection.
Amplie o olhar
Trump recua de taxa de 20% no Estreito de Ormuz e aposta em investimentos do Golfo
10 idiomas · 41 veículos
De Economy & MarketsEsqueleto de T. rex 'Gus' atinge recorde de US$ 50,1 milhões em leilão e reacende debate científico
10 idiomas · 23 veículos
De TechnologySoyuz lança astronauta da NASA Anil Menon e dois cosmonautas para missão de oito meses na ISS
3 idiomas · 9 veículos