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Sociedade & Culturasexta-feira, 3 de julho de 2026

Rara cópia da Declaração de Independência dos EUA é descoberta em arquivo britânico

Voluntário encontrou, entre papéis de um navio capturado em 1776, um dos onze exemplares conhecidos da impressão de Exeter, o único fora dos Estados Unidos.

Ao desdobrar um papel descrito apenas como “outro documento” nos depósitos do Arquivo Nacional britânico, em Kew, o voluntário Michael Scurr sentiu um sobressalto. Na folha amarelada, a palavra “Declaration” surgia impressa no topo. “Pensei: ah, certo, isto é definitivamente uma Declaração de Independência”, recordou mais tarde. O achado, ocorrido numa manhã de maio de 2024, revelou um dos mais raros testemunhos materiais da fundação dos Estados Unidos — uma cópia da declaração impressa em Exeter, New Hampshire, entre 16 e 19 de julho de 1776, poucos dias após a assinatura do original na Filadélfia.

O documento viajou a bordo do Dalton, um navio corsário de 18 canhões que operava sob a autoridade do recém-formado Congresso Continental. As ordens do capitão traziam a assinatura de John Hancock, presidente do congresso. Na véspera de Natal de 1776, após sete horas de perseguição ao largo da costa de Portugal, o HMS Raisonnable, da Marinha Real britânica, capturou a embarcação. Os 120 tripulantes foram enviados para Plymouth, onde enfrentaram fome, doenças e castigos, como descreveu nos seus diários o jovem Charles Hebert, então com 19 anos. Os papéis de bordo, incluindo a declaração, foram arquivados sem distinção pelo capitão Thomas Fitzherbert e permaneceram esquecidos durante quase 250 anos.

Para os responsáveis do arquivo britânico, a descoberta ilumina o modo como o texto fundador era usado em contexto de guerra. Amanda Bevan, coordenadora do projeto de catalogação da correspondência de capitães da Royal Navy, acredita que o comandante do Dalton lesse a declaração em voz alta à tripulação, transformando o documento num instrumento de mobilização. “Eles sabiam por que lutavam, mas isto colocava a luta numa linguagem que a tornava maior do que eles”, afirmou. A historiadora sublinha que, ao contrário do exército continental, cujas privações em Valley Forge são amplamente conhecidas, os marinheiros que enfrentaram a poderosa frota britânica no Atlântico receberam pouca atenção.

O exemplar pertence à chamada “impressão de Exeter”, da qual se conhecem apenas onze cópias. É a primeira localizada fora dos Estados Unidos e a única capturada em ação militar. Para historiadores americanos, como Matthew Skic, diretor de coleções do Museu da Revolução Americana em Filadélfia, o papel estabelece “uma ligação tangível com o passado”, diretamente associada ao capitão que difundia a notícia da independência. Em Lisboa, observadores notam a ironia de o documento ter sido intercetado em águas que, na época, integravam o espaço de influência de outro império marítimo — o português —, num momento em que as ideias revolucionárias começavam a circular também no mundo lusófono.

Após um delicado processo de conservação que estabilizou o papel e reparou um pequeno rasgão, a cópia será exibida ao público na exposição “Revolution 250: America’s Independence Story, 1763-1783”, inaugurada no Arquivo Nacional em Kew. O documento que um capitão britânico arquivou como mero anexo burocrático regressa agora à luz como testemunho frágil de um ideal que atravessou oceanos e séculos, escondido à vista de todos.

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Rara cópia da Declaração de Independência dos EUA é descoberta em arquivo britânico

Voluntário encontrou, entre papéis de um navio capturado em 1776, um dos onze exemplares conhecidos da impressão de Exeter, o único fora dos Estados Unidos.

Ao desdobrar um papel descrito apenas como “outro documento” nos depósitos do Arquivo Nacional britânico, em Kew, o voluntário Michael Scurr sentiu um sobressalto. Na folha amarelada, a palavra “Declaration” surgia impressa no topo. “Pensei: ah, certo, isto é definitivamente uma Declaração de Independência”, recordou mais tarde. O achado, ocorrido numa manhã de maio de 2024, revelou um dos mais raros testemunhos materiais da fundação dos Estados Unidos — uma cópia da declaração impressa em Exeter, New Hampshire, entre 16 e 19 de julho de 1776, poucos dias após a assinatura do original na Filadélfia.

O documento viajou a bordo do Dalton, um navio corsário de 18 canhões que operava sob a autoridade do recém-formado Congresso Continental. As ordens do capitão traziam a assinatura de John Hancock, presidente do congresso. Na véspera de Natal de 1776, após sete horas de perseguição ao largo da costa de Portugal, o HMS Raisonnable, da Marinha Real britânica, capturou a embarcação. Os 120 tripulantes foram enviados para Plymouth, onde enfrentaram fome, doenças e castigos, como descreveu nos seus diários o jovem Charles Hebert, então com 19 anos. Os papéis de bordo, incluindo a declaração, foram arquivados sem distinção pelo capitão Thomas Fitzherbert e permaneceram esquecidos durante quase 250 anos.

Para os responsáveis do arquivo britânico, a descoberta ilumina o modo como o texto fundador era usado em contexto de guerra. Amanda Bevan, coordenadora do projeto de catalogação da correspondência de capitães da Royal Navy, acredita que o comandante do Dalton lesse a declaração em voz alta à tripulação, transformando o documento num instrumento de mobilização. “Eles sabiam por que lutavam, mas isto colocava a luta numa linguagem que a tornava maior do que eles”, afirmou. A historiadora sublinha que, ao contrário do exército continental, cujas privações em Valley Forge são amplamente conhecidas, os marinheiros que enfrentaram a poderosa frota britânica no Atlântico receberam pouca atenção.

O exemplar pertence à chamada “impressão de Exeter”, da qual se conhecem apenas onze cópias. É a primeira localizada fora dos Estados Unidos e a única capturada em ação militar. Para historiadores americanos, como Matthew Skic, diretor de coleções do Museu da Revolução Americana em Filadélfia, o papel estabelece “uma ligação tangível com o passado”, diretamente associada ao capitão que difundia a notícia da independência. Em Lisboa, observadores notam a ironia de o documento ter sido intercetado em águas que, na época, integravam o espaço de influência de outro império marítimo — o português —, num momento em que as ideias revolucionárias começavam a circular também no mundo lusófono.

Após um delicado processo de conservação que estabilizou o papel e reparou um pequeno rasgão, a cópia será exibida ao público na exposição “Revolution 250: America’s Independence Story, 1763-1783”, inaugurada no Arquivo Nacional em Kew. O documento que um capitão britânico arquivou como mero anexo burocrático regressa agora à luz como testemunho frágil de um ideal que atravessou oceanos e séculos, escondido à vista de todos.

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