
Queiroz chora o passado, Gana e Colômbia duelam pelo futuro no Mundial
O reencontro do técnico português com a seleção cafetera, marcado por uma homenagem emocionada a um membro da comissão técnica falecido, eleva a carga dramática de um confronto de estilos opostos nos oitavos-de-final.
A conferência de imprensa que antecedeu o Colômbia-Gana transformou-se num momento de rara comoção. Carlos Queiroz, hoje selecionador das ‘Estrelas Negras’, recordou a morte do treinador de guarda-redes Des Macalina, ocorrida durante a sua passagem pelo banco colombiano, em plena pandemia. “Ficou sozinho em Bogotá durante 21 dias, fechado num quarto, sem apoio”, disse, com a voz embargada, antes de apelar à federação colombiana para que “repare o que aconteceu”. O episódio, amplamente repercutido na imprensa sul-americana, adensou a narrativa de um duelo que já carregava camadas táticas e históricas.
Dentro das quatro linhas, o confronto desta sexta-feira, em Kansas City, opõe duas equipas de trajetórias distintas. A Colômbia de Néstor Lorenzo chega invicta e com a defesa menos batida do torneio: apenas um golo sofrido em três jogos, fruto de uma organização que, na análise de observadores brasileiros, lembra a solidez da campanha que levou os ‘cafeteros’ à final da Copa América de 2024. Luis Díaz e James Rodríguez são as referências de um ataque que, apesar do volume ofensivo, pecou na finalização contra Portugal. Já o Gana, terceiro classificado no Grupo L, construiu o apuramento com uma vitória sobre o Panamá, um empate com a Inglaterra e uma derrota tangencial diante da Croácia. O capitão Jordan Ayew classificou esse último resultado como “um acidente” e garantiu que a equipa está pronta para “dar um espetáculo”.
A imprensa africana sublinha o discurso de “dever para com o continente” assumido por Queiroz. Com apenas Marrocos já apurado para os oitavos, o Gana carrega a responsabilidade de ampliar a representação africana na fase seguinte, algo que não acontece desde 2010, quando a própria seleção ganesa atingiu os quartos-de-final. Do lado colombiano, os jornais recordam um registo histórico favorável contra equipas africanas em Mundiais — quatro vitórias e uma só derrota, precisamente nos oitavos-de-final de 1990, frente aos Camarões. Os modelos estatísticos citados pela imprensa europeia dão à Colômbia mais de 60% de probabilidades de vitória, mas analistas em Lisboa alertam para a capacidade de Gana em jogos de eliminação, onde a disciplina tática de Queiroz costuma anular favoritismos.
O vencedor defrontará a Suíça nos oitavos-de-final, depois de os helvéticos terem batido a Argélia. Para a Colômbia, seria o terceiro acesso a essa fase em oito participações; para o Gana, o regresso a um patamar que não pisa há dezasseis anos. O árbitro francês Clément Turpin dirigirá um encontro que, mais do que um simples jogo de futebol, se transformou num palco de memórias, reencontros e promessas de um futebol africano que se quer reinventar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A partida é apresentada como um confronto entre uma Colômbia invicta e um Gana bem organizado. O técnico colombiano Lorenzo elogia a qualidade de Gana, enquanto Queiroz promete um duelo empolgante. A cobertura foca em informações práticas como horário e canais de TV, com uma leve tendência a favor da superioridade colombiana no papel.
A imprensa latino-americana enquadra a partida como a chance de a Colômbia avançar, destacando a fase de grupos invicta e a ironia de enfrentar o ex-técnico Queiroz. O tom é confiante, mas não triunfalista, com informações práticas de transmissão para o público regional.
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