
Rússia importa gasolina da Índia e Bielorrússia após ataques a refinarias
Escassez de combustível força Moscovo a recorrer a mercados externos, enquanto a campanha de drones ucranianos reduz a capacidade de refinação em quase 30%.
A Rússia começou a importar gasolina por via marítima a partir da Índia, com pelo menos 60 mil toneladas já enviadas, e triplicou as compras à Bielorrússia, que na primeira quinzena de junho expediu mais de 70 mil toneladas. O movimento, confirmado por fontes da indústria e pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, surge num momento em que a produção russa de gasolina caiu 17% face ao ano anterior, para 850 mil barris diários, e o consumo de verão atinge 110 mil toneladas por dia. Moscovo planeia importar cerca de 400 mil toneladas mensais de vários países, um volume que, segundo analistas, expõe a dimensão da crise num dos maiores exportadores mundiais de petróleo.
A disrupção tem origem na campanha de ataques com drones de longo alcance lançada pela Ucrânia contra refinarias, depósitos e terminais petrolíferos em território russo e na Crimeia ocupada. Desde o final de março, mais de 50 instalações foram atingidas, algumas repetidamente, retirando de operação cerca de 28% da capacidade de refinação do país, de acordo com estimativas do antigo dirigente da Gazprom Neft, Sergey Vakulenko. A Agência Internacional de Energia classificou o nível de perturbação como “sem precedentes” no conflito, e a produção de crude russo caiu 5% em junho, na comparação homóloga.
Os efeitos são visíveis em várias regiões: filas de horas em postos de abastecimento, racionamento de combustível na Crimeia e na Sibéria, e o surgimento de um mercado paralelo na península anexada, com preços muito acima dos valores tabelados. O presidente Vladimir Putin reconheceu publicamente que os ataques “criam problemas” e que as reservas nacionais de combustível diminuíram 4% num ano, embora tenha classificado a escassez como “não crítica” e “temporária”. Observadores em Moscovo notam que a admissão é rara e que o Kremlin já não consegue esconder as falhas das defesas aéreas.
Do ponto de vista económico, a necessidade de importar gasolina inverte a lógica de um país que é o segundo exportador mundial de crude e o terceiro de produtos refinados. As compras externas, que demorarão semanas a chegar por via marítima, pressionam um orçamento estatal já sobrecarregado por mais de quatro anos de guerra. O parlamento russo aprovou alterações ao código tributário para subsidiar as importações com base nos custos de entrega a partir da Índia, enquanto o governo autorizou a venda de combustível de qualidade inferior, derrogando regulamentos ambientais.
O próximo marco factual será a chegada dos primeiros carregamentos indianos e a capacidade do governo para estabilizar o abastecimento antes do pico da procura agrícola, durante a época de colheitas. A crise coincide com a preparação das eleições legislativas de setembro, usadas pelo regime como instrumento de legitimação, e com a continuação dos ataques ucranianos, que Kiev descreve como “sanções com drones” destinadas a tornar a guerra insustentável para a população russa.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A escassez de combustível na Rússia, causada por ataques de drones ucranianos a refinarias, está forçando Moscou a importar gasolina. Essa rara admissão de vulnerabilidade destaca o impacto crescente da guerra na estabilidade interna russa. Filas em postos de gasolina e racionamento se espalham, sinalizando o fracasso das defesas aéreas do Kremlin.
A Rússia, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, agora é forçada a importar combustível devido a ataques ucranianos a suas refinarias. O Kremlin reconheceu publicamente estar em negociações com vários países, uma admissão significativa dos danos sofridos. Essa situação ressalta a eficácia dos ataques à infraestrutura energética russa.
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