
Quatro polícias detidos na Venezuela por saque de dinheiro entre escombros após sismos
Agentes foram filmados por cidadãos a segurar dólares retirados de edifício colapsado em La Guaira; governo prometeu tolerância zero e expulsou os envolvidos.
Quatro agentes da polícia científica venezuelana (CICPC) foram detidos e expulsos da corporação depois de terem sido acusados de se apropriarem de dinheiro e outros bens encontrados nos escombros de edifícios que ruíram com o duplo sismo da semana passada no estado de La Guaira, o mais afetado pela catástrofe. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram cidadãos a confrontar um dos agentes, que segurava um maço de dólares, e a rasgar as notas diante dele, num episódio que as autoridades classificaram como “indecoroso” e “imoral”.
Segundo um comunicado oficial do CICPC, os quatro funcionários “desviaram-se dos seus deveres” durante as operações de resgate e assistência humanitária. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que os agentes serão “julgados como corresponde” e prometeu “intolerância total” contra quem usar o uniforme para cometer atos contra a moral. O partido opositor Primero Justicia denunciou o “aproveitamento de alguns funcionários do regime” que, em vez de salvar vidas, “estão a procurar enriquecer com a tragédia”.
O caso insere-se num quadro mais amplo de denúncias não confirmadas oficialmente. Nas redes sociais e em depoimentos recolhidos por equipas internacionais, há relatos de que forças militares e policiais terão saqueado televisores e outros bens, encenado salvamentos para os meios de comunicação e confiscado telefones de socorristas estrangeiros. A organização chilena Topos denunciou que os seus membros foram repetidamente interrompidos para mostrar documentos, sob a alegação de que poderiam ser “espiões”. O governo venezuelano atribui essas versões a “estratégias de manipulação” e apela a que a população se fie apenas na informação oficial.
O balanço provisório das autoridades aponta para 1.943 mortos e mais de 10.500 feridos, mas o coordenador residente da ONU na Venezuela admitiu que o número real de vítimas poderá ser superior. As operações de busca continuam, com escassos meios pesados e uma forte presença de voluntários. Em Brasília, observadores sublinham a vulnerabilidade da região a eventos sísmicos e a necessidade de mecanismos de coordenação humanitária que transcendam as divisões políticas. A investigação aos quatro agentes prossegue, enquanto as famílias aguardam notícias entre as ruínas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Enquanto voluntários cavavam com as próprias mãos para salvar vidas, quatro policiais foram flagrados saqueando dólares dos escombros. Vídeos virais mostram cidadãos furiosos confrontando-os em flagrante e gritando para que devolvessem o dinheiro. As prisões e a expulsão imediata da corporação não acalmaram a indignação em um país já arrasado por quase dois mil mortos e milhares de desaparecidos.
A intervenção militar em La Guaira provocou a fúria dos moradores, que acusam as autoridades de encenar os resgates para as câmeras. Enquanto circulam imagens de saques por soldados e policiais, a prisão de quatro agentes por roubo de dinheiro dos escombros aprofunda a desconfiança em relação a um Estado acusado de ter perdido o controle da segurança.
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