
Trump elogia progresso em conversas indiretas com Irão em Doha
Presidente dos EUA afirma que a desnuclearização iraniana avança, enquanto Teerão nega negociações diretas e mediadores do Catar e Paquistão conduzem diálogos técnicos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu esta quarta-feira como “muito boas” as reuniões indiretas entre delegações norte-americanas e iranianas em Doha, afirmando que o processo de desnuclearização do Irão “está a avançar bem”. A declaração foi prestada a jornalistas antes de uma viagem ao Dakota do Norte, a bordo do novo avião presidencial oferecido pelo Catar. Trump acrescentou que os EUA “atingiram [o Irão] com muita força” na semana anterior, mas que agora “estão a dar-se muito bem”, sinalizando uma preferência pela via diplomática apesar de, segundo o Wall Street Journal, ter discutido com conselheiros militares a possibilidade de retomar ataques.
Na perspetiva de Washington, as conversas técnicas em curso representam um passo na implementação do memorando de entendimento assinado em Lucerna, na Suíça, que prevê um cessar-fogo de 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e um calendário para um acordo nuclear definitivo. O vice-presidente J.D. Vance classificou a negação iraniana de conversações diretas como uma “tática de negociação persa”, sublinhando que a administração se concentra mais nas ações de Teerão do que nas suas declarações públicas. Enviados como Jared Kushner e Steve Witkoff reuniram-se com o primeiro-ministro e o emir do Catar para preparar o terreno, mas não participam nas sessões técnicas, que decorrem com mediação catari e paquistanesa.
A partir de Teerão, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, confirmou a criação de grupos de trabalho para detalhar o memorando, mas frisou que as consultas sobre data e local das negociações formais ainda decorrem através de mediadores e que “o trabalho dos peritos ainda não começou”. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, negou planos para negociações com a parte americana “a qualquer nível nos próximos dias”. O negociador-chefe iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reconheceu “desafios de implementação” e divergências, em particular devido ao que descreveu como o “regime israelita”, e centrou a missão da delegação em Doha nas cláusulas relativas ao estreito e ao Líbano.
Analistas do Arab Gulf States Institute, em Washington, e do Royal United Services Institute, em Londres, notam que as partes enviam “mensagens públicas muito diferentes” e que a falta de transparência caracteriza esta fase inicial. A troca de fogo recente — com o ataque do Irão a um navio comercial no Estreito de Ormuz, a resposta dos EUA contra dez alvos militares iranianos e a retaliação de Teerão sobre bases norte-americanas no Kuwait e no Barém — sublinha a fragilidade do processo. O Catar, que ofereceu a aeronave presidencial a Trump e acolhe as conversas, procura consolidar o seu papel de mediador regional, enquanto o Paquistão atua como cofacilitador.
O dossiê prossegue com a expectativa de que os grupos de trabalho técnicos iniciem formalmente os seus trabalhos após a conclusão das consultas mediadas. O prazo de 18 de agosto, fixado no memorando para um novo acordo sobre o programa nuclear, permanece como referência, embora Trump tenha indicado disponibilidade para que as negociações continuem para além dessa data. A redução do preço do petróleo para valores inferiores aos registados antes da operação militar “Epic Fury” é apresentada pela Casa Branca como um efeito colateral positivo da distensão, enquanto a reabertura efetiva do Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de um quinto do crude mundial — continua dependente da operacionalização da “linha direta” de coordenação de tráfego prevista no memorando.
| Imprensa iraniana e afins | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
| Imprensa russa e CEI | −0.50 | critical |
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It contrasts Trump's optimistic statements with the record of violations and sanctions, creating a contrast that invites the reader to doubt American sincerity.
Israel and its allies cannot accept a deal that leaves Iran with the ability to threaten the region. Any progress must be verifiable and reversible in case of violations.
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The United States seeks to impose its will on Iran without considering Russia's role and international law. Moscow will not allow a repeat of the Libyan scenario.
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