
Irã exige que EUA 'silenciem' Israel após ameaça de morte a líder supremo
Teerão invoca memorando de Islamabad para cobrar contenção de Washington, enquanto negociações técnicas sobre o Estreito de Ormuz prosseguem em Doha.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, advertiu que qualquer ameaça contra o povo ou a liderança do Irã terá uma resposta "imediata e contundente". A declaração, publicada na rede social X, surge como reação direta às palavras do ministro da Defesa israelita, Israel Katz, que afirmou que o novo Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, está "marcado para morrer". Araghchi invocou o Memorando de Entendimento de Islamabad, mediado pelo Paquistão, e declarou que o Presidente dos EUA, Donald Trump, se comprometeu a "silenciar os seus animais de estimação em Telavive", acrescentando que, se ignorarem o seu mestre, "o Irão lhes dará uma lição".
O episódio insere-se num contexto de elevada tensão regional. De acordo com fontes citadas pela imprensa internacional, o governo Trump ponderou recentemente uma ofensiva militar em grande escala contra o Irão, mas optou por manter a via diplomática. Paralelamente, delegações técnicas dos EUA e do Irão reuniram-se em Doha, no Catar, para discutir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz e a consolidação de um cessar-fogo. O memorando de Islamabad, assinado em maio, estabeleceu um quadro para essas negociações e, na leitura de Teerão, vincula Washington a conter as ações militares de Israel.
A liderança iraniana atravessa um momento de transição sensível. Mojtaba Khamenei, filho do anterior Líder Supremo, Ali Khamenei, assumiu o cargo após o assassinato do pai num ataque israelita, mas ainda não fez aparições públicas. Segundo a CNN, as cerimónias fúnebres de Ali Khamenei decorrerão entre 4 e 9 de julho, e especula-se que o novo líder possa surgir publicamente nessa ocasião. O governo israelita, por sua vez, mantém a posição de que agirá unilateralmente para impedir o programa nuclear iraniano, independentemente dos acordos entre Washington e Teerão.
Na perspetiva de analistas em Brasília, a escalada verbal introduz um fator de instabilidade adicional para os mercados globais de energia e para os esforços de mediação de potências como o Brasil, que historicamente mantém canais de diálogo com o Irão. Observadores em Lisboa notam que a invocação do memorando de Islamabad por Teerão representa uma tentativa de dividir a aliança entre Washington e Telavive, num momento em que a administração Trump procura evitar um novo conflito no Médio Oriente. O dossier permanece em aberto, com as conversações técnicas em Doha a decorrerem enquanto a retórica de ameaça mútua se intensifica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Iran reasserts its control over the Strait of Hormuz, rejecting CENTCOM and US claims. The deputy foreign minister's statement emphasizes that the strait's security is a matter of national sovereignty, not American command. The tone is defiant and resolute.
Gulf media, while not directly covering the Iranian warning, tend to frame Tehran's statements as provocative and destabilizing for the region. Their coverage of similar crises (like Venezuela) shows criticism of governments that use aggressive rhetoric while neglecting internal problems. Iran is seen as a threat to Gulf security.
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