
México acusa Washington de mentir sobre captura de ‘El Mayo’ e exige respostas do FBI
Governo Sheinbaum afirma que ex-embaixador Ken Salazar negou participação de agências dos EUA, mas FBI exibiu avião do operativo, reacendendo crise sobre soberania e cooperação bilateral.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, apresentou nesta terça-feira (7) uma cronologia detalhada da detenção de Ismael “El Mayo” Zambada, em julho de 2024, e acusou o governo dos Estados Unidos de mentir sobre o papel do FBI na operação que retirou o narcotraficante de território mexicano. Em conferência matinal, Sheinbaum e a secretária de Governação, Rosa Icela Rodríguez, afirmaram que o então embaixador Ken Salazar negara qualquer envolvimento de agências norte-americanas, mas a recente exibição da aeronave utilizada no traslado — agora parte de um museu no Texas e atribuída ao FBI — contradiz essa versão. “Alguém mentiu”, declarou Rodríguez, sublinhando que, a confirmar-se a participação do FBI sem aviso prévio, estariam violados tratados internacionais e a Constituição mexicana.
Na perspetiva do governo mexicano, a falta de transparência de Washington prolonga uma crise de confiança que se arrasta desde a detenção. A Secretaria de Relações Exteriores já solicitou formalmente esclarecimentos ao FBI, enquanto a Procuradoria-Geral da República (FGR) investiga eventuais ilícitos. A oposição mexicana, em particular o Partido da Ação Nacional (PAN), acusou Sheinbaum de defender um criminoso, ao passo que o partido governista Morena respaldou a defesa da soberania. Observadores na Cidade do México notam que o episódio se insere num contexto de pressão da administração Trump, que designou cartéis como organizações terroristas e ameaça com ações unilaterais, enquanto o México insiste em reciprocidade e respeito aos canais institucionais.
A captura de Zambada desencadeou uma escalada de violência em Sinaloa, com um aumento de 232% nos homicídios dolosos, segundo dados oficiais. O plano de segurança lançado pelo governo conseguiu reduzir os assassinatos em 44%, mas o estado continua sob forte tensão. O próprio Zambada declarou-se culpado nos EUA e aceitou prisão perpétua, pedindo apenas uma unidade prisional com cuidados médicos. O caso cruza-se ainda com outras fricções bilaterais, como a acusação formal contra o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e a morte de agentes da CIA em Chihuahua, ambas sob investigação das autoridades mexicanas.
Analistas em Brasília e Lisboa avaliam que o diferendo testa os limites do direito internacional e a capacidade de países latino-americanos afirmarem soberania face a operações de segurança dos EUA. O México aguarda agora a resposta do FBI e o desfecho das investigações da FGR. A publicação das memórias de Ken Salazar, prevista para o final de julho, poderá trazer novos elementos a um dossiê que continua a condicionar a já tensa relação bilateral.
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
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| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
O México acusa os Estados Unidos de mentir e violar sua soberania na captura de 'El Mayo' Zambada, exigindo responsabilização.
Ao apresentar a questão como um engano pessoal ('alguém mentiu'), a narrativa transforma uma disputa diplomática em uma questão moral de confiança e traição, tornando o estado vítima de uma promessa quebrada.
A narrativa dominante omite o histórico criminal de 'El Mayo' Zambada e o sofrimento das vítimas em Sinaloa, concentrando-se apenas na suposta violação da soberania mexicana.
As autoridades mexicanas investigam uma possível violação de soberania pelos Estados Unidos na captura de 'El Mayo' Zambada, enquanto as tensões diplomáticas aumentam.
Ao relatar a investigação como um fato e citar a acusação mexicana sem endosso, a narrativa mantém uma posição neutra, permitindo que os leitores tirem suas próprias conclusões.
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