
Ataque israelita mata organizador de projeções do Mundial em Gaza
Mohammad al-Wahidi, que montava telões entre escombros para a população assistir aos jogos, foi morto num bombardeamento a um táxi, juntamente com duas crianças e o motorista, horas antes do jogo Egito-Argentina.
Um ataque aéreo israelita atingiu um táxi no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, ao final da tarde de terça-feira, matando Mohammad al-Wahidi, diretor de relações públicas do Comité Egípcio de Socorro em Gaza, e outros três ocupantes. Al-Wahidi era o principal responsável pela instalação de ecrãs gigantes em espaços públicos devastados pela guerra, permitindo que milhares de palestinianos deslocados assistissem aos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol. O bombardeamento ocorreu momentos antes do início do jogo entre o Egito e a Argentina, que seria exibido numa dessas projeções.
O exército israelita afirmou, em comunicado, que o alvo da operação era um militante do Hamas que viajava no veículo, e que tem conhecimento de relatos de danos a civis, estando o incidente sob análise. As Forças de Defesa de Israel não identificaram o alegado militante, e nenhuma fação palestiniana reivindicou os mortos como seus membros. Fontes de segurança egípcias, citadas pela Reuters, indicaram que um alto responsável do Cairo transmitiu a Israel a oposição à política de assassínios e a qualquer obstrução ao trabalho do comité humanitário. O diretor do Hospital Al-Shifa, Mohamed Abu Selmiya, confirmou que, além de al-Wahidi, morreram o motorista Ahmed Doghmush, de 33 anos, e dois irmãos, Hamza al-Deri, de 10, e Fari, de 8.
As projeções públicas, organizadas pelo braço humanitário do governo egípcio, representavam um raro momento de alívio para uma população encurralada num estreito corredor costeiro, na sua maioria vivendo em tendas ou edifícios danificados. A morte de al-Wahidi compromete a continuidade dessas iniciativas, num momento em que o cessar-fogo acordado em outubro entre Israel e o Hamas não travou as ações militares israelitas: segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de mil palestinianos foram mortos desde a entrada em vigor da trégua. O impasse nas negociações indiretas sobre a segunda fase do acordo, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelitas, levou uma delegação do grupo islamita ao Cairo na quinta-feira para novas conversações.
Na perspetiva de Brasília, onde o futebol ocupa um lugar central na identidade nacional, as imagens de palestinianos a assistir aos jogos entre escombros e a morte do organizador sublinham a dimensão humana do conflito, num momento em que o Brasil acompanha o Mundial com particular atenção. Observadores em Lisboa notam que o episódio pode complicar os esforços de mediação egípcia, cruciais para a estabilidade da fronteira com Gaza e para a entrega de ajuda humanitária. O comité egípcio não se pronunciou sobre a continuidade das projeções, enquanto o exército israelita mantém a revisão do incidente. As conversações no Cairo prosseguem, mas sem sinais de avanço imediato.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.70 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.30 | critical |
Os civis em Gaza buscam normalidade no futebol, mas a guerra quebra mesmo esse breve alívio.
Justapõe a inocência do esporte à brutalidade da guerra, evitando atribuição explícita de culpa.
Omite a declaração do exército israelense de que o alvo era um militante do Hamas e a morte de outras três pessoas.
O conflito em Gaza reivindica mais uma vítima, um trabalhador humanitário, enquanto o exército israelense defende sua ação como alvejando um militante.
Apresenta tanto a tragédia humanitária quanto a justificativa militar, deixando ao leitor o peso de avaliar as versões conflitantes.
A ocupação israelense mata deliberadamente um trabalhador humanitário e crianças, depois mente.
Usa termos como 'ocupação' e 'brutalidade' para deslegitimar Israel, e apresenta a negação como um encobrimento.
Omite qualquer possibilidade de que o alvo fosse um militante legítimo, como afirmado por Israel.
A guerra em Gaza mata um trabalhador humanitário e crianças, encerrando um breve momento de alegria.
Foca na tragédia do evento, usando o contraste entre a emoção da Copa do Mundo e a morte para evocar simpatia.
Omite a declaração do exército israelense de que o ataque não visava o trabalhador.
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