
Líder opositora acusa Caracas de fechar espaço aéreo para impedir seu regresso após terremotos
María Corina Machado, exilada desde dezembro, denuncia bloqueio aéreo e ameaças; Washington vê risco de confronto e prioriza resposta humanitária.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, acusou nesta segunda-feira o governo interino de Delcy Rodríguez de ter fechado o espaço aéreo comercial do país para impedir o seu regresso, após os dois sismos que mataram mais de 1.700 pessoas. A partir do Panamá, Machado afirmou que a medida foi revertida, mas que as autoridades ameaçaram quem tentasse facilitar a sua entrada. A opositora denunciou ainda obstáculos à distribuição de ajuda humanitária, ao trabalho de equipas internacionais de resgate e à cobertura jornalística, classificando a restrição de voos comerciais em plena emergência como “absolutamente inconcebível”.
O Executivo de Caracas não se pronunciou sobre as acusações. Em Washington, fontes oficiais citadas por agências internacionais indicaram que a administração Trump recusou apoiar o regresso imediato de Machado, considerando que a operação poderia desviar a atenção dos esforços de salvamento e gerar um confronto com o governo interino. A Casa Branca, segundo essas fontes, está confortável com a administração de Delcy Rodríguez, que tem feito concessões económicas nos setores de petróleo, gás e mineração, e vê a estabilização como prioridade face a uma transição política que, de acordo com o secretário de Estado Marco Rubio, só ocorrerá após a recuperação económica.
A crise humanitária agravou a tensão política. Os sismos de 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5, deixaram 1.719 mortos, mais de 5.000 feridos e até 50.000 desaparecidos, segundo estimativas das Nações Unidas. O espaço aéreo venezuelano foi restringido por um aviso à navegação aérea (NOTAM) até 7 de julho, embora os aeroportos de Valência e Maracaibo operem voos comerciais internacionais e Maiquetía tenha sido reaberto parcialmente para voos humanitários. Na perspetiva de analistas latino-americanos, um regresso de Machado forçaria Delcy Rodríguez a escolher entre acolher a principal rival política, num gesto de unidade nacional, ou arriscar acusações de controlo autoritário, num momento em que a taxa de desaprovação da presidente interina subiu para 59% em maio.
Machado deixou a Venezuela clandestinamente em dezembro para receber o Prémio Nobel da Paz em Oslo, que depois entregou a Donald Trump. O anterior presidente, Nicolás Maduro, foi capturado numa operação militar dos EUA em janeiro, e Delcy Rodríguez assumiu interinamente. A oposição reivindica vitória nas eleições de 2024, cujo resultado oficial deu a reeleição a Maduro sob acusações de fraude. A líder opositora insiste que fará “o que for preciso” para regressar, mas, segundo fontes em Washington, o governo norte-americano mantém o foco na resposta humanitária e não deu sinais de facilitar a sua entrada. O impasse mantém-se, sem próximos passos definidos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A líder da oposição venezuelana Machado planeja retornar ao país atingido pelos terremotos, mas acusa o governo de fechar o espaço aéreo para bloqueá-la. Sua volta pode remodelar o cenário político enquanto a presidente Rodríguez lida com o pior desastre natural em décadas.
A líder democrática Machado denuncia o regime de Delcy Rodríguez por fechar o espaço aéreo e bloquear seu retorno enquanto o povo sofre sob os escombros. Ela jurou fazer o que for preciso para abraçar os venezuelanos neste momento dilacerante, transformando a obstrução do governo em arma política contra seus próprios cidadãos.
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