
Relatório da ONU acusa Israel de alvejar crianças em Gaza; expansão de assentamentos é condenada
Comissão da ONU aponta indícios de ataques deliberados a menores, enquanto Guterres alerta para crise de deslocamento na Cisjordânia e ameaça à solução de dois Estados.
A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado divulgou um relatório que documenta o que classifica como indícios de que Israel teria alvejado deliberadamente crianças palestinianas durante as operações militares em Gaza desde outubro de 2023. O documento, rejeitado pelo governo israelita, contabiliza mais de 20 mil menores mortos e 44 mil feridos, e descreve casos de disparos únicos de snipers ou drones contra a cabeça e o tronco, inclusive durante evacuações. A comissão sustenta que há bases razoáveis para crer que algumas mortes não foram danos colaterais, mas ações intencionais, e regista relatos de médicos que descreveram um padrão de tiro ao alvo por soldados das Forças de Defesa de Israel.
Em paralelo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a expansão “implacável” dos assentamentos israelitas na Cisjordânia, alertando que o projeto E1, ao dividir o território em duas partes, representa uma “ameaça existencial” à solução de dois Estados. O subsecretário-geral para o processo de paz, Ramiz Alakbarov, reforçou perante o Conselho de Segurança que todos os assentamentos são ilegais à luz do direito internacional e devem cessar imediatamente. A diplomacia europeia, por meio de cinco membros do Conselho (França, Reino Unido, Grécia, Letónia e Dinamarca), exigiu o fim da expansão e a responsabilização por violência de colonos, frequentemente cometida, segundo o relatório, na presença ou com apoio das forças de segurança israelitas.
A organização israelita de direitos humanos B’Tselem publicou um levantamento que regista a morte de 240 crianças e adolescentes palestinianos na Cisjordânia desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, a maioria por soldados israelitas, e denuncia uma “ausência quase total de responsabilização”. A diretora-executiva, Yuli Novak, atribui as mortes a uma política que alarga as circunstâncias em que é permitido abrir fogo, enquanto as Forças de Defesa de Israel afirmam que 96% dos palestinianos mortos na Cisjordânia entre 2023 e 2024 estariam envolvidos em atividades terroristas e que todas as alegações de danos a civis são investigadas. A B’Tselem contesta esses números e sustenta que a impunidade transformou a violência letal num padrão sistémico.
Para as diplomacias de Brasil e Portugal, que historicamente defendem a solução de dois Estados e já manifestaram preocupação com a expansão dos assentamentos, os relatórios reforçam a urgência de uma resposta multilateral. O Conselho de Segurança debateu a situação na segunda-feira, com apelos ao fim da violência e à entrada desimpedida de ajuda humanitária em Gaza, onde, apesar de uma ligeira melhoria após a resolução 2803, 70% da população continua sem abrigo adequado. O dossiê segue sob escrutínio internacional, com a comissão de inquérito a preservar provas para futuros mecanismos de responsabilização, enquanto Israel mantém a rejeição das conclusões e prossegue as operações militares.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Secretário-Geral da ONU condenou veementemente a aceleração da expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, descrevendo-a como um grande obstáculo à paz. O relatório trimestral alerta que o crescimento dos postos avançados e a violência dos colonos estão consolidando a ocupação e ameaçando a viabilidade de um Estado palestino contíguo. A ênfase está nas consequências políticas e territoriais, com menos atenção a incidentes específicos envolvendo crianças.
Uma comissão de inquérito da ONU documentou provas angustiantes de que Israel atacou deliberadamente crianças palestinas em Gaza, classificando o número de mortos como sem precedentes. O relatório não inicia processos, mas se soma a um crescente corpo de evidências jurídicas internacionais que podem ter grandes consequências. O foco está nas implicações legais e morais das mortes de crianças, enquadrando a questão como uma preocupação internacional urgente.
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