
Rússia admite escassez de combustível e negocia importações após ataques a refinarias
Vladimir Putin reconheceu défices de gasolina e gasóleo, enquanto o Kremlin confirma contactos com outros países para importar produtos petrolíferos e estuda baixar padrões de qualidade para aumentar a oferta interna.
O presidente russo, Vladimir Putin, admitiu no domingo que os ataques ucranianos com drones contra infraestruturas energéticas estão a provocar “certas escassezes” de combustível no país. A declaração, invulgar no discurso oficial, surge num momento em que mais de 30 regiões russas impuseram limites à venda de gasolina e gasóleo, com filas nas bombas e medidas de racionamento que vão desde a limitação de litros por viatura até à proibição de abastecimento em recipientes. Na Crimeia anexada, as autoridades decretaram situação de emergência devido à falta de combustível e a cortes de eletricidade.
A crise resulta de uma campanha sistemática de Kiev contra a capacidade de refinação russa. Estimativas citadas por agências internacionais apontam para uma quebra de cerca de 25% na produção de gasolina face ao ano anterior, depois de ataques a instalações em Krasnodar, Yaroslavl e na região de Moscovo terem forçado a paragem de várias unidades. Embora a extração de crude não esteja ameaçada, a destruição de colunas de destilação e de depósitos comprometeu a transformação do petróleo em produtos acabados, expondo uma vulnerabilidade logística que Moscovo tem tido dificuldade em proteger.
Perante o agravamento da situação, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou que a Rússia mantém contactos com outros países para importar produtos petrolíferos, mas recusou identificar os potenciais fornecedores. A agência Reuters noticiara que Moscovo pedira ao Cazaquistão cerca de 50 mil toneladas de gasolina AI-92, embora Astana tenha negado ter recebido um pedido formal. Em paralelo, o governo russo estuda autorizar, até julho de 2027, a produção e venda de combustíveis com normas inferiores, recuando para os padrões Euro-2 e Euro-3, proibidos desde 2013. A medida, segundo o jornal Kommersant, permitiria utilizar nafta sem refinação profunda e aumentar a oferta em centenas de milhares de toneladas por mês, ainda que especialistas alertem para riscos para os motores modernos.
A dimensão da crise é sublinhada pelo facto de a Rússia, um dos maiores exportadores mundiais de crude e de produtos refinados, ter já proibido a exportação de gasolina e estar a ponderar fazer o mesmo com o gasóleo. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak coordena diariamente um grupo de trabalho para estabilizar o mercado, enquanto o governo aprovou subsídios para financiar importações e reduziu temporariamente a percentagem de venda obrigatória de gasolina em bolsa. Observadores em Kiev e em capitais ocidentais interpretam a crise como um elemento de pressão adicional sobre Moscovo, que vê a sua retaguarda logística afetada numa altura em que Putin se declarou disponível para retomar negociações de paz, embora sem alterar as exigências de retirada ucraniana de quatro regiões e de renúncia à NATO. O desenrolar das conversações sobre importações e a eventual adoção de combustíveis de menor qualidade serão os próximos indicadores da capacidade russa de conter os efeitos internos da guerra.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A admissão de Putin sobre a escassez de combustível é uma prova clara de que a Rússia está a perder a guerra. Os ataques ucranianos às refinarias estão a paralisar a máquina de guerra russa, e o Ocidente deve aproveitar este momento para aumentar a pressão e forçar o colapso do exército de Moscovo.
A escassez de combustível na Rússia, reconhecida por Putin, evidencia o impacto dos ataques ucranianos às infraestruturas energéticas. O Kremlin minimiza a gravidade, mas vê-se forçado a considerar importações e um relaxamento das normas ambientais, uma vitória simbólica para Kiev com efeitos a longo prazo ainda incertos.
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