
Israel descarta retirada do sul do Líbano e tensiona acordo entre EUA e Irão
Ministro da Defesa israelita afirma que Washington não exige a saída das tropas, enquanto Teerão insiste no cessar-fogo libanês como pilar do entendimento.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou esta quarta-feira que os Estados Unidos não exigiram a retirada das forças israelitas do sul do Líbano e que o país não abandonará a zona de segurança que mantém ao longo da fronteira. A afirmação, proferida numa conferência em Telavive e reiterada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, surge no momento em que decorrem em Washington negociações mediadas por Washington entre Israel e o Líbano, e colide com uma das condições centrais do memorando de entendimento assinado entre os EUA e o Irão na semana passada: a cessação das hostilidades em território libanês.
Na perspetiva de Teerão, o fim da guerra no Líbano é indissociável de qualquer acordo duradouro com Washington. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou em Baku que “um cessar-fogo no Líbano é tão importante como um cessar-fogo no Irão”. A diplomacia iraniana insiste que a retirada israelita do sul do Líbano é uma condição prévia para a estabilização regional. Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun rejeitou a ocupação israelita e qualquer interferência externa, numa alusão ao papel do Hezbollah e do seu patrono iraniano. Israel, por seu turno, justifica a permanência militar com a necessidade de proteger as comunidades do norte do país, argumentando que a infraestrutura do Hezbollah foi desmantelada e que a zona de segurança, com cerca de dez quilómetros de profundidade, é essencial para impedir novos ataques.
A resistência israelita complica os esforços do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que percorre as monarquias do Golfo para tranquilizar aliados receosos de que o acordo com o Irão seja demasiado generoso. Os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e o Bahrein foram alvo de mísseis iranianos durante o conflito e veem com preocupação a possibilidade de descongelamento de ativos e o alívio de sanções. Em Washington, a administração Trump enfrenta ainda contradições públicas sobre os termos do entendimento: o presidente afirmou que o Irão aceitou inspeções nucleares “infinitas”, o que Teerão desmentiu, e surgiram versões divergentes sobre a cobrança de taxas de passagem no Estreito de Ormuz, via estratégica para o abastecimento global de energia.
O conflito atual teve início a 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irão, e alastrou ao Líbano a 2 de março, com o Hezbollah a disparar rockets contra Israel em retaliação pela morte do líder supremo iraniano. Desde então, a ofensiva israelita causou mais de 4.100 mortos no Líbano, segundo as autoridades locais, e levou à ocupação de uma faixa de território no sul do país. Para observadores em Brasília e Lisboa, a escalada prolongada representa um risco para a economia global, com impacto direto nos preços dos combustíveis e nas cadeias de abastecimento, além de afetar as numerosas comunidades da diáspora libanesa presentes no Brasil e em Portugal.
As conversações entre Israel e o Líbano prosseguem em Washington, mas a insistência israelita em manter o controlo da zona de segurança, aliada à exigência iraniana de uma retirada total, mantém o dossiê num impasse. Netanyahu afirmou que, enquanto for primeiro-ministro, a presença militar no sul do Líbano será mantida “pelo tempo que for necessário”. A próxima ronda de contactos técnicos entre EUA e Irão está prevista para breve, mas a ausência de um compromisso sobre o terreno libanês ameaça inviabilizar o frágil memorando.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O ministro da Defesa israelense afirmou que as tropas permanecerão no sul do Líbano independentemente das exigências americanas, citando a doutrina de segurança e os fracassos anteriores das zonas-tampão. A posição é apresentada como uma medida necessária para proteger as comunidades israelenses, sem prazo para retirada.
O ministro da Defesa israelense disse que Washington não exigiu a retirada do sul do Líbano, mas acrescentou que Israel ignoraria tal pedido de qualquer forma. Isso endurece o impasse nas negociações de cessar-fogo, onde o Líbano insiste na retirada total como condição.
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