
EUA designam gangue equatoriano Chone Killers como organização terrorista
Medida insere grupo em lista de narcoterroristas, ao lado de PCC e CV, e aprofunda cooperação militar com Quito em meio a recorde de violência no país andino.
O governo dos Estados Unidos anunciou, em 1 de julho, a inclusão do grupo criminoso equatoriano Los Chone Killers nas listas de Organização Terrorista Estrangeira (FTO) e de Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT). A decisão, comunicada pelo secretário de Estado Marco Rubio, baseia-se na acusação de que a facção — cindida dos Los Choneros em 2020 — auxilia cartéis mexicanos no tráfico de drogas para financiar atividades terroristas e criminosas, além de ter realizado ataques contra civis, forças de segurança e assassinatos de figuras públicas. Na perspetiva de Washington, a designação visa “desmantelar os cartéis e narcoterroristas” e proteger o hemisfério, interrompendo fluxos financeiros ilícitos.
A medida insere-se numa ofensiva mais ampla da administração Trump, que já classificou mais de uma dezena de grupos latino-americanos como narcoterroristas, incluindo as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Em Quito, o presidente Daniel Noboa — reeleito com a promessa de linha dura contra o crime — tem-se alinhado estreitamente com os EUA, tendo decretado, há 12 dias, imunidade para tropas estrangeiras que participem no combate ao crime organizado em território equatoriano. Noboa já declarara 22 grupos como terroristas em janeiro de 2024, no quadro de um conflito armado interno, e procurou, sem sucesso, alterar a Constituição para permitir bases militares estrangeiras, proposta travada em referendo.
Observadores em Brasília e noutras capitais da região notam que a designação de FTO confere a Washington ampla margem jurídica para ações unilaterais, incluindo ataques militares. Desde setembro de 2024, operações norte-americanas contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico resultaram em pelo menos 215 mortos, segundo contagem da AFP, e foram denunciadas por organizações de direitos humanos como violação do direito internacional. A 12 de junho, um ataque do Pentágono na Venezuela, com colaboração do governo interino de Delcy Rodríguez, matou o líder do Tren de Aragua, Niño Guerrero. Apesar das críticas de governos progressistas, a cooperação entre Washington e Quito aprofunda-se, com Noboa a visitar os EUA para coordenar estratégias.
O Equador tornou-se um epicentro do narcotráfico global: cerca de 70% da cocaína produzida na Colômbia e no Peru transita pelo seu território, sobretudo pelo porto de Guayaquil. A violência associada fez de 2025 o ano mais letal da história do país, com 9.216 homicídios e uma taxa de 51 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo o Insight Crime. A designação dos Chone Killers, terceiro grupo equatoriano na lista de FTO após Los Choneros e Los Lobos, sinaliza a continuidade da pressão norte-americana. Espera-se que as sanções económicas e a possibilidade de ações militares diretas moldem os próximos passos da política de segurança de Noboa, enquanto o governo dos EUA reitera que “narcoterroristas não terão lugar no nosso hemisfério”.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A decisão de Washington de incluir os Chone Killers na lista de organizações terroristas é apresentada como mais uma peça da colaboração com Quito, mas permanece um ceticismo sutil sobre a eficácia dessas designações unilaterais. Recorda-se que o bando é uma dissidência dos Choneros e que outras duas quadrilhas equatorianas já haviam sido rotuladas de forma semelhante, sugerindo que a estratégia americana pode ser mais simbólica do que resolutiva.
A imprensa europeia continental relata a designação americana com distanciamento, limitando-se a citar as acusações de Marco Rubio sobre os ataques do grupo a civis e forças de segurança. O evento é tratado como uma notícia de agência, sem contextualização geopolítica ou juízos de valor.
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