
Trump usa Monte Rushmore para abrir celebração dos 250 anos dos EUA em meio a divisões
Presidente discursa sob efígies de antecessores enquanto sondagens mostram pessimismo nacional e oposição critica personalismo da data.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viaja nesta sexta-feira ao Monte Rushmore, na Dakota do Sul, para um discurso e uma queima de fogos de artifício que inauguram as comemorações oficiais dos 250 anos da independência americana. Sob os rostos talhados em granito de George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt, Trump retoma um cenário que já utilizara em 2020 e que ecoa a sua ambição, manifestada publicamente, de ver a própria efígie acrescentada ao monumento. Embora uma deputada republicana tenha apresentado um projeto de lei nesse sentido e o próprio presidente tenha classificado a ideia como “boa”, não houve avanços concretos. Em vez disso, a Casa Branca tem procurado inscrever o legado de Trump noutros projetos físicos, como um salão de baile anexo à residência oficial, um arco monumental e a renovação de espaços emblemáticos de Washington.
A escolha do local e o formato do evento geraram leituras contrastantes. Para o secretário do Interior, Doug Burgum, que acompanha o presidente, o Monte Rushmore “ergue-se como tributo aos líderes que moldaram a experiência americana” e não há lugar mais adequado para honrar o progresso e olhar para o futuro. Já a oposição democrata, num relatório intitulado “Da vaidade à loucura: como a Casa Branca roubou ao povo americano o seu 250.º aniversário”, acusa Trump de ter sequestrado a celebração nacional em benefício próprio, esvaziando a comissão bipartidária America250 e criando a sua própria fundação, Freedom 250. Comunidades indígenas da região manifestaram preocupação com o impacto ambiental dos fogos de artifício, proibidos no local há quase três décadas e reintroduzidos por Trump em 2020. Sondagens recentes da Universidade Quinnipiac indicam que 61% dos cidadãos consideram que o país não está a honrar os ideais da Declaração de Independência, e apenas quatro em cada dez se dizem “orgulhosos” do aniversário.
O evento decorre num momento de desgaste político interno e de tensão internacional. A popularidade de Trump está próxima de mínimos históricos, pressionada pela subida do custo de vida e pela guerra conduzida por Washington e Israel contra o Irão, que elevou os preços dos combustíveis. De acordo com o Valor Econômico, parlamentares republicanos temem que o conflito possa custar ao partido o controlo de pelo menos uma das câmaras do Congresso nas eleições intercalares de novembro. Em Brasília, diplomatas observam que a celebração ocorre num momento de fragilidade da liderança global americana, com reflexos nos mercados de energia e na estabilidade do Médio Oriente. A própria logística do fim de semana é afetada por uma onda de calor extremo, com temperaturas previstas acima dos 40 °C em Washington, onde Trump prometeu “um discurso muito longo” para provar que “pode fazer qualquer coisa”.
A viagem ao Monte Rushmore antecede o evento principal de sábado, no National Mall, em Washington, que terá sobrevoos militares, um espetáculo de fogo de artifício descrito como o maior do mundo e um comício com características de campanha. Cerca de 4.800 convidados, sorteados entre mais de 100 mil inscritos, assistirão à cerimónia na Dakota do Sul. Apesar das críticas, a administração prossegue com a agenda de celebrações, enquanto o Serviço Nacional de Parques mantém a posição de que não há espaço viável para acrescentar um quinto rosto à escultura. O debate sobre o legado presidencial e a identidade nacional americana deverá prolongar-se para além do fim de semana festivo.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
Iran denounces Trump's triumphalist rhetoric as a threat and a distortion of reality, reaffirming its own resilience.
It reproduces Trump's statements but frames them with alarm and skepticism, inverting the triumphal sign into a warning.
It omits the ceremonial and historical context of the anniversary, focusing solely on Trump's statements about Iran.
Europe contemplates the historical significance of the American experiment, detaching from contingent politics and universalizing the meaning of independence.
It turns the event into a philosophical abstraction, depersonalizing the leader and shifting focus from Trump's statements to founding principles.
It omits Trump's concrete statements on Iran and the geopolitical tension, reducing the event to a philosophical abstraction.
Amplie o olhar
Receitas fiscais disparam em economias emergentes, mas trajetória da dívida segue como ponto de atenção
4 idiomas · 10 veículos
De TechnologyIA recompensa com salários até 92% maiores, mas acende alerta sobre declínio cognitivo
3 idiomas · 4 veículos
De Science & HealthCasos de cancro podem quase duplicar até 2050 e expõem fosso entre países ricos e pobres
6 idiomas · 14 veículos