
Empate entre Argélia e Áustria reacende fantasma do 'Pacto de Gijón' e elimina Irão
Golos nos descontos, festejos de adeptos argelinos ao sofrerem golo e acusações de combinação marcaram o 3-3 que colocou ambas as seleções nos oitavos de final do Mundial de 2026.
O apito final em Kansas City selou um dos desfechos mais controversos da fase de grupos do Mundial de 2026. O empate 3-3 entre Argélia e Áustria, construído com dois golos nos descontos, garantiu a qualificação de ambas para os dezasseis avos de final e decretou a eliminação do Irão, que dependia de uma vitória argelina para avançar como um dos melhores terceiros. O resultado, que à primeira vista coroava um jogo eletrizante, rapidamente deu lugar a uma nuvem de suspeitas alimentadas por imagens de aparente passividade em campo e pela memória de um episódio sombrio do futebol mundial.
O encontro teve todos os ingredientes de um drama calculado. A Áustria adiantou-se por Marko Arnautović aos 28 minutos, Rafik Belghali empatou antes do intervalo e Marcel Sabitzer recolocou os europeus em vantagem aos 55. Riyad Mahrez restabeleceu o 2-2 cinco minutos depois, mas foi no período de descontos que o guião se tornou insólito. Com o empate a servir perfeitamente os interesses de ambos — a Argélia fugia ao confronto com a Espanha e a Áustria assegurava o segundo lugar —, o jogo entrou numa fase de posse de bola prolongada e pressing quase inexistente. A Argélia trocou mais de 720 passes, muitos deles laterais e sem progressão, enquanto os austríacos recuavam linhas. Aos 90+3, porém, um passe em profundidade isolou Mahrez, que fez o 3-2. O golo, longe de ser festejado com euforia, gerou apreensão no banco argelino e protestos dos austríacos. Três minutos depois, Sasa Kalajdzić cabeceou para o 3-3 final, desencadeando celebrações de adeptos argelinos nas bancadas — cenas que viralizaram e foram interpretadas como a confirmação de um pacto tácito.
Na Europa, o técnico austríaco Ralf Rangnick rejeitou categoricamente qualquer combinação, classificando o desfecho como “loucura” e invocando o dramatismo dos últimos segundos como prova de imprevisibilidade. Já o capitão argelino Riyad Mahrez, em declarações ao jornal Bild, admitiu desconforto: “Foi uma situação incómoda. Tínhamos a bola e eles recuaram. Mas fizeram-me um passe e tive de respeitar o futebol, tentar marcar.” A imprensa do Médio Oriente, sobretudo no Irão, ecoou acusações de “conspiração” e exigiu uma investigação da FIFA, enquanto analistas africanos recordaram a ironia histórica: em 1982, a Argélia fora vítima do “Pacto de Gijón”, quando Alemanha Ocidental e Áustria combinaram um resultado que eliminou os argelinos. Agora, os papéis invertiam-se.
Com o desfecho, a Áustria terminou em segundo no Grupo J, atrás da Argentina, e enfrentará a Espanha em Los Angeles. A Argélia, terceira classificada, viajará a Vancouver para defrontar a Suíça. O Irão, apesar do empate com o Egito, ficou pelo caminho, alimentando um debate que transcende o relvado e reacende a discussão sobre a integridade competitiva em fases de grupos com cenários de benefício mútuo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O empate entre Argélia e Áustria gerou indignação: um vídeo sugere um pacto para eliminar o Irã. Torcedores argelinos comemoraram o gol austríaco, aprofundando suspeitas de conluio que mancha a integridade da Copa do Mundo.
O empate em 3 a 3 entre Argélia e Áustria lembrou imediatamente a 'Vergonha de Gijón'. O gol de Mahrez que fez 3 a 2 desagradou a todos, com gestos de desculpa do banco argelino para os austríacos. O jogador depois se viu obrigado a se defender, alegando que não tinha noção do quadro geral.
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