
Casa Branca usou contrato secreto de US$ 500 milhões para salão de baile
Administração Trump recorreu a gabinete isento de concorrência para adjudicar obra à Clark Construction, enquanto ergue também um novo heliporto no relvado sul.
A administração do presidente Donald Trump adjudicou de forma secreta um contrato sem licitação, no valor de até 500 milhões de dólares, para a construção de um novo salão de baile na Ala Este da Casa Branca. De acordo com documentos obtidos pelo jornal The Washington Post, o acordo foi canalizado através do Gabinete da Residência Executiva, um organismo pouco conhecido que está isento das regras federais que obrigam a concursos públicos e à divulgação de detalhes contratuais. A empreitada foi entregue à Clark Construction, a maior empreiteira da região metropolitana de Washington, que já recebera outras adjudicações diretas da administração para projetos no Lafayette Square. Registos internos indicam que o presidente esteve diretamente envolvido na negociação de alguns custos, enquanto estimativas apontam para que a empresa possa arrecadar cerca de 65 milhões de dólares entre lucro, despesas gerais e outros encargos.
O projeto do salão de baile insere-se num esforço mais amplo de remodelação de marcos federais na capital norte-americana, que incluiu a construção de um novo heliporto no Relvado Sul para o Marine One. A obra, já iniciada atrás de tapumes, responde a um problema técnico dos novos helicópteros VH-92A Patriot, cujos escapes queimam a relva. A fabricante Lockheed Martin doou cinco milhões de dólares para a plataforma de aterragem, depois de anos de estudos sem solução alternativa. Tanto o salão como o heliporto representam, segundo observadores em Washington, uma rutura com a tradição paisagística e arquitetónica da residência presidencial, que administrações anteriores preservaram ao abandonar planos semelhantes.
A utilização do Gabinete da Residência Executiva para contornar os procedimentos normais de contratação pública suscitou críticas de especialistas. Anthony Costa, antigo responsável da General Services Administration, afirmou que seria expectável um concurso competitivo para um projeto desta escala e complexidade. Na perspetiva de Brasília, onde a legislação brasileira exige licitação para obras públicas de grande vulto, o caso ecoa debates sobre transparência e controlo de custos em empreendimentos ligados a chefes de Estado. Em Lisboa, a prática contrasta com as diretivas europeias de contratação pública que vinculam Portugal, sendo vista por analistas como um exemplo de excecionalismo executivo que seria dificilmente replicável no espaço da União Europeia.
O projeto enfrenta ainda obstáculos jurídicos e financeiros. Um tribunal federal decidiu que o presidente não tem autoridade para demolir a Ala Este sem autorização adicional do Congresso, decisão da qual a administração recorreu. Paralelamente, o Senado, com a maioria republicana atenta às eleições intercalares de novembro, rejeitou um pedido de mil milhões de dólares em fundos públicos para melhorias de segurança. A construção do salão prossegue com base no contrato sem licitação, enquanto o recurso judicial aguarda desfecho e o financiamento privado prometido por Trump permanece por comprovar na totalidade.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Trump administration secretly awarded a $500 million no-bid contract for a new East Wing ballroom, bypassing competitive bidding rules designed to protect taxpayers. The deal, routed through a little-known office exempt from transparency requirements, has sparked concerns about accountability and waste.
Trump's White House awarded a $500 million no-bid contract for the ballroom, the latest in a series of projects bypassing competitive bidding. The new presidential helipad, built with private donations, adds to a pattern of opaque spending and questionable priorities.
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