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Geopolítica & Políticaterça-feira, 30 de junho de 2026

Hamas discute cessar-fogo no Cairo enquanto EUA propõem reconstrução de Gaza sem desarmamento

Delegação do Hamas chegou à capital egípcia para negociar a segunda fase do plano de Trump, num momento em que Washington terá apresentado a Israel um quadro de reconstrução que não exige a entrega prévia de armas.

Uma delegação do Hamas, chefiada por Zaher Jabarin, líder do movimento na Cisjordânia, iniciou esta terça-feira no Cairo conversações com responsáveis e mediadores egípcios para ultimar a aplicação do acordo de cessar-fogo em Gaza e discutir o roteiro da segunda fase do plano de paz proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Em comunicado, o conselheiro político Taher al-Nunu afirmou que a prioridade é travar a "escalada de violações israelitas", garantir a entrada de materiais para restaurar hospitais, padarias e infraestruturas e avançar para uma governação internacional, a mobilização de uma força de estabilização e a retirada total das tropas israelitas do enclave. Paralelamente, a emissora pública israelita Kan 11 noticiou que Washington entregou a Telavive um documento que delineia um quadro de reconstrução da Faixa de Gaza mesmo que o Hamas não entregue o seu armamento.

Segundo a mesma fonte, o documento reflete a pressão da administração Trump para evitar o reacender da guerra e acelerar a criação de uma autoridade governativa alternativa. O plano exigiria a Israel que autorizasse grandes projetos de infraestruturas — água, eletricidade e serviços essenciais —, a transferência de residentes de zonas controladas pelo Hamas para áreas administradas pelo Conselho de Paz até ao final de 2026, a instalação de um governo tecnocrata e a construção de bases para a força internacional. Previa ainda a transferência das receitas fiscais da Autoridade Palestiniana relativas a Gaza para o Conselho de Paz, a introdução de pagamentos digitais e serviços 4G, e uma amnistia condicional para quem depusesse armas. A segurança ficaria a cargo de uma força internacional apoiada por uma guarda civil palestiniana desarmada, mas Israel preservaria o direito de adotar "medidas de segurança necessárias" se o Hamas não cumprisse o desarmamento.

A agência noticiosa indonésia Antara e o diário israelita citado pelo Media Indonesia acrescentam que o enviado especial Steve Witkoff e o seu conselheiro Aryeh Lightstone mantiveram contactos diretos com altos responsáveis do Hamas, incluindo Khalil al-Hayya, no âmbito de uma via negocial liderada por Nikolay Mladenov, representante do Conselho de Paz. Estes encontros, dos quais o governo israelita teria conhecimento, visariam desmantelar a capacidade militar do Hamas e discutir os arranjos pós-guerra. Fontes israelitas, porém, avaliam que o Hamas endureceu a sua posição e que as negociações "avançam em grande parte para trás", com o foco agora centrado na definição do que constitui armamento pesado e ligeiro. O movimento palestiniano reafirmou, através do seu vice-líder político Mousa Abu Marzouk, a disponibilidade para entregar armas apenas a uma autoridade palestiniana.

O plano Trump, cuja segunda fase foi anunciada em meados de janeiro e endossada pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, prevê a retirada israelita de áreas mais vastas de Gaza, a formação de um Conselho de Paz e a mobilização de uma Força de Estabilização Internacional. No terreno, porém, os ataques israelitas prosseguem: o Ministério da Saúde de Gaza reportou oito mortos e 26 feridos nas últimas 24 horas. A ronda negocial no Cairo decorre sem confirmação oficial da Casa Branca ou do Hamas sobre os contactos diretos, enquanto se aguarda a resposta escrita de Israel ao documento apresentado por Washington. O desfecho das conversações definirá a viabilidade do cessar-fogo e o modelo de governação do território.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa iraniana e afinsImprensa árabe Levante-Magrebe
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A chegada do Hamas ao Cairo para discutir a segunda fase do plano de Trump é apresentada como um passo diplomático legítimo, mas a proposta dos EUA de reconstrução sem desarmamento é denunciada como um engano para contornar os direitos palestinos. Enfatiza-se que qualquer acordo deve incluir a retirada total israelense e o desarmamento, caso contrário será apenas uma cobertura para a ocupação.

Imprensa árabe Levante-Magrebe
AlarmeIndignação

A visita do Hamas ao Cairo é vista com suspeita: a proposta dos EUA de reconstrução sem desarmamento é interpretada como uma tentativa de normalizar a ocupação israelense. Alerta-se que os palestinos podem ser induzidos a aceitar um acordo que legitime o status quo, enquanto as forças israelenses continuam sua agressão no Líbano e nos territórios ocupados.

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terça-feira, 30 de junho de 2026

Hamas discute cessar-fogo no Cairo enquanto EUA propõem reconstrução de Gaza sem desarmamento

Delegação do Hamas chegou à capital egípcia para negociar a segunda fase do plano de Trump, num momento em que Washington terá apresentado a Israel um quadro de reconstrução que não exige a entrega prévia de armas.

Uma delegação do Hamas, chefiada por Zaher Jabarin, líder do movimento na Cisjordânia, iniciou esta terça-feira no Cairo conversações com responsáveis e mediadores egípcios para ultimar a aplicação do acordo de cessar-fogo em Gaza e discutir o roteiro da segunda fase do plano de paz proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Em comunicado, o conselheiro político Taher al-Nunu afirmou que a prioridade é travar a "escalada de violações israelitas", garantir a entrada de materiais para restaurar hospitais, padarias e infraestruturas e avançar para uma governação internacional, a mobilização de uma força de estabilização e a retirada total das tropas israelitas do enclave. Paralelamente, a emissora pública israelita Kan 11 noticiou que Washington entregou a Telavive um documento que delineia um quadro de reconstrução da Faixa de Gaza mesmo que o Hamas não entregue o seu armamento.

Segundo a mesma fonte, o documento reflete a pressão da administração Trump para evitar o reacender da guerra e acelerar a criação de uma autoridade governativa alternativa. O plano exigiria a Israel que autorizasse grandes projetos de infraestruturas — água, eletricidade e serviços essenciais —, a transferência de residentes de zonas controladas pelo Hamas para áreas administradas pelo Conselho de Paz até ao final de 2026, a instalação de um governo tecnocrata e a construção de bases para a força internacional. Previa ainda a transferência das receitas fiscais da Autoridade Palestiniana relativas a Gaza para o Conselho de Paz, a introdução de pagamentos digitais e serviços 4G, e uma amnistia condicional para quem depusesse armas. A segurança ficaria a cargo de uma força internacional apoiada por uma guarda civil palestiniana desarmada, mas Israel preservaria o direito de adotar "medidas de segurança necessárias" se o Hamas não cumprisse o desarmamento.

A agência noticiosa indonésia Antara e o diário israelita citado pelo Media Indonesia acrescentam que o enviado especial Steve Witkoff e o seu conselheiro Aryeh Lightstone mantiveram contactos diretos com altos responsáveis do Hamas, incluindo Khalil al-Hayya, no âmbito de uma via negocial liderada por Nikolay Mladenov, representante do Conselho de Paz. Estes encontros, dos quais o governo israelita teria conhecimento, visariam desmantelar a capacidade militar do Hamas e discutir os arranjos pós-guerra. Fontes israelitas, porém, avaliam que o Hamas endureceu a sua posição e que as negociações "avançam em grande parte para trás", com o foco agora centrado na definição do que constitui armamento pesado e ligeiro. O movimento palestiniano reafirmou, através do seu vice-líder político Mousa Abu Marzouk, a disponibilidade para entregar armas apenas a uma autoridade palestiniana.

O plano Trump, cuja segunda fase foi anunciada em meados de janeiro e endossada pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, prevê a retirada israelita de áreas mais vastas de Gaza, a formação de um Conselho de Paz e a mobilização de uma Força de Estabilização Internacional. No terreno, porém, os ataques israelitas prosseguem: o Ministério da Saúde de Gaza reportou oito mortos e 26 feridos nas últimas 24 horas. A ronda negocial no Cairo decorre sem confirmação oficial da Casa Branca ou do Hamas sobre os contactos diretos, enquanto se aguarda a resposta escrita de Israel ao documento apresentado por Washington. O desfecho das conversações definirá a viabilidade do cessar-fogo e o modelo de governação do território.

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Imprensa iraniana e afins
CeticismoIndignação

A chegada do Hamas ao Cairo para discutir a segunda fase do plano de Trump é apresentada como um passo diplomático legítimo, mas a proposta dos EUA de reconstrução sem desarmamento é denunciada como um engano para contornar os direitos palestinos. Enfatiza-se que qualquer acordo deve incluir a retirada total israelense e o desarmamento, caso contrário será apenas uma cobertura para a ocupação.

Imprensa árabe Levante-Magrebe
AlarmeIndignação

A visita do Hamas ao Cairo é vista com suspeita: a proposta dos EUA de reconstrução sem desarmamento é interpretada como uma tentativa de normalizar a ocupação israelense. Alerta-se que os palestinos podem ser induzidos a aceitar um acordo que legitime o status quo, enquanto as forças israelenses continuam sua agressão no Líbano e nos territórios ocupados.

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