
Guterres apela ao fim dos combates entre Afeganistão e Paquistão e condena colonatos israelitas
Secretário-geral da ONU reagiu a ataques aéreos paquistaneses que mataram dezenas de civis e, em relatório, criticou a expansão de colonatos na Cisjordânia e a violência contra palestinianos.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou «profunda preocupação» com a nova vaga de violência entre o Afeganistão e o Paquistão e apelou à cessação imediata das hostilidades. A missão da ONU no Afeganistão (Unama) confirmou que os ataques aéreos paquistaneses das noites de 28 e 29 de junho contra as províncias orientais de Paktia, Paktika e Kunar provocaram pelo menos 28 mortos e 49 feridos entre a população civil, incluindo mulheres e crianças. O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, sublinhou que o secretário-geral exige que as partes resolvam as divergências por via diplomática e respeitem o direito internacional humanitário.
Islamabad justificou a operação como uma resposta a «recentes ataques terroristas contra pessoas inocentes» e afirmou ter eliminado 29 militantes em esconderijos do Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP) e do grupo Jamaat-ul-Ahrar. O governo talibã de Cabul, por seu lado, classificou os bombardeamentos como «ato cobarde» e «atrocidade», reportando 36 civis mortos e mais de 160 feridos. A representação permanente do Afeganistão na ONU, ainda nas mãos de diplomatas nomeados antes da tomada do poder pelos talibãs, considerou os ataques uma «violação grave da integridade territorial» e insistiu que «nenhuma preocupação de segurança pode justificar operações militares que causem vítimas civis».
A crise bilateral ecoou em várias capitais. Nova Deli condenou «veementemente» a incursão paquistanesa, descrevendo-a como «ameaça direta à paz e estabilidade regionais» e manifestou «apoio firme e inalterável» à soberania afegã. Moscovo, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, apelou a Islamabad e Cabul para que «ponham fim ao conflito armado e resolvam as questões litigiosas por métodos político-diplomáticos». A Unicef, por sua vez, mostrou-se «profundamente preocupada» com relatos de crianças entre as vítimas e pediu a todas as partes que cumpram as obrigações de proteção de menores em conflitos armados.
Em paralelo, Guterres divulgou um relatório em que condena a «expansão e aceleração implacáveis» dos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada e alerta que projetos como o plano E1 ameaçam a viabilidade de um Estado palestiniano. O documento denuncia a proliferação de postos avançados de colonização, o aumento da violência dos colonos — «frequentemente na proximidade e com o apoio das forças de segurança israelitas» — e as restrições de acesso dos palestinianos às suas terras. Numa declaração conjunta antes de uma reunião do Conselho de Segurança, cinco membros europeus (França, Reino Unido, Grécia, Letónia e Dinamarca) condenaram «firmemente» a continuação da colonização. A organização israelita de direitos humanos B’Tselem denunciou que Israel está a matar crianças palestinianas na Cisjordânia a um ritmo sem precedentes em quase seis décadas, resultado de uma «política mais ampla que permite o assassinato de palestinianos sem responsabilização».
O dossier afegão-paquistanês regista uma escalada intermitente desde o cessar-fogo de outubro passado, que colapsou com confrontos em fevereiro e março. O Conselho de Segurança da ONU prepara-se para discutir a situação na Cisjordânia, enquanto a Unama continua a avaliar as necessidades humanitárias nas províncias orientais afegãs e a preparar o envio de ajuda de emergência.
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O Irã rejeita o apelo da ONU para a desescalada como irrelevante, insistindo que os EUA devem conter Israel. O bloco enquadra o conflito como um confronto direto Irã-Israel, com o Irã pronto para retaliar qualquer ameaça. A ONU é deixada de lado e a questão palestina é reduzida a um proxy da dissuasão iraniana.
O bloco russo não relata o apelo da ONU para a desescalada. Em vez disso, concentra-se em ameaças à segurança interna, como o destacamento de mísseis americanos no Japão e ataques de drones perto de Moscou. Essa omissão implica que o apelo da ONU não é uma prioridade para o público russo, mais preocupado com a segurança nacional imediata.
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