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Economia e Mercadossegunda-feira, 29 de junho de 2026

Coreia do Sul anuncia megaprojeto de US$ 1,2 bi em chips e IA; ações caem

Plano de Seul com Samsung e SK Hynix prevê novo polo no sudoeste e data centers, mas mercado reage com ceticismo e ações recuam.

O anúncio de um plano de investimentos de 1,2 bilhão de milhões de dólares (cerca de 1,1 bilião de euros) em semicondutores e centros de dados para inteligência artificial na Coreia do Sul foi recebido com uma queda imediata das ações dos dois principais fabricantes de chips de memória do país. As ações da Samsung Electronics recuaram 4,8% e as da SK Hynix perderam 1,7% na sessão de segunda-feira em Seul, refletindo, segundo analistas locais, a preocupação dos investidores com a sustentabilidade das margens num contexto de intensificação da concorrência global e de dúvidas sobre a execução de projetos de tal envergadura.

O plano, apresentado pelo presidente Lee Jae Myung ao lado dos presidentes da Samsung e da SK Hynix, articula-se em dois eixos. O primeiro destina 800 biliões de wons (518 mil milhões de dólares) à construção de um novo polo de fabricação de semicondutores na região sudoeste do país, com quatro novas fábricas — duas de cada empresa — nas cidades de Gwangju e na província de Jeolla do Sul. O segundo eixo prevê um investimento adicional de 1.000 biliões de wons (650 mil milhões de dólares) em centros de dados de IA até 2035, elevando a capacidade nacional para 18,4 gigawatts. O governo justifica a escolha do sudoeste, historicamente menos industrializado e base eleitoral do partido do presidente, pela abundância de energia renovável e de recursos hídricos, necessários para alimentar as fábricas e cumprir metas ambientais.

A dimensão do projeto insere-se na estratégia de Seul para manter uma liderança “esmagadora” no mercado de memórias de alta largura de banda (HBM), essenciais para os sistemas de IA. Contudo, a oposição política sul-coreana questiona a motivação regional, lembrando que 85% dos eleitores da área apoiaram Lee nas últimas eleições, enquanto a taxa de aprovação do presidente caiu para 46,5%. Especialistas em engenharia de semicondutores em Seul alertam que a região carece de um ecossistema de fornecedores e de mão de obra qualificada, atualmente concentrada na área metropolitana da capital, e que erguer linhas de produção a partir do zero pode levar mais de cinco anos. Para economias lusófonas que buscam inserção na cadeia de semicondutores, como o Brasil com o seu programa de incentivos, o anúncio sul-coreano evidencia a escala dos investimentos necessários para competir.

O próximo marco factual a observar será a aceleração dos processos de licenciamento e construção prometida pelo governo, bem como a listagem da SK Hynix na bolsa Nasdaq, que a empresa espera utilizar para captar mais de 29 mil milhões de dólares e financiar a expansão da capacidade produtiva. A concretização dos prazos e a capacidade de atrair fornecedores para o novo polo determinarão se o plano conseguirá contrariar o ceticismo inicial dos mercados.

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Coreia do Sul anuncia megaprojeto de US$ 1,2 bi em chips e IA; ações caem

Plano de Seul com Samsung e SK Hynix prevê novo polo no sudoeste e data centers, mas mercado reage com ceticismo e ações recuam.

O anúncio de um plano de investimentos de 1,2 bilhão de milhões de dólares (cerca de 1,1 bilião de euros) em semicondutores e centros de dados para inteligência artificial na Coreia do Sul foi recebido com uma queda imediata das ações dos dois principais fabricantes de chips de memória do país. As ações da Samsung Electronics recuaram 4,8% e as da SK Hynix perderam 1,7% na sessão de segunda-feira em Seul, refletindo, segundo analistas locais, a preocupação dos investidores com a sustentabilidade das margens num contexto de intensificação da concorrência global e de dúvidas sobre a execução de projetos de tal envergadura.

O plano, apresentado pelo presidente Lee Jae Myung ao lado dos presidentes da Samsung e da SK Hynix, articula-se em dois eixos. O primeiro destina 800 biliões de wons (518 mil milhões de dólares) à construção de um novo polo de fabricação de semicondutores na região sudoeste do país, com quatro novas fábricas — duas de cada empresa — nas cidades de Gwangju e na província de Jeolla do Sul. O segundo eixo prevê um investimento adicional de 1.000 biliões de wons (650 mil milhões de dólares) em centros de dados de IA até 2035, elevando a capacidade nacional para 18,4 gigawatts. O governo justifica a escolha do sudoeste, historicamente menos industrializado e base eleitoral do partido do presidente, pela abundância de energia renovável e de recursos hídricos, necessários para alimentar as fábricas e cumprir metas ambientais.

A dimensão do projeto insere-se na estratégia de Seul para manter uma liderança “esmagadora” no mercado de memórias de alta largura de banda (HBM), essenciais para os sistemas de IA. Contudo, a oposição política sul-coreana questiona a motivação regional, lembrando que 85% dos eleitores da área apoiaram Lee nas últimas eleições, enquanto a taxa de aprovação do presidente caiu para 46,5%. Especialistas em engenharia de semicondutores em Seul alertam que a região carece de um ecossistema de fornecedores e de mão de obra qualificada, atualmente concentrada na área metropolitana da capital, e que erguer linhas de produção a partir do zero pode levar mais de cinco anos. Para economias lusófonas que buscam inserção na cadeia de semicondutores, como o Brasil com o seu programa de incentivos, o anúncio sul-coreano evidencia a escala dos investimentos necessários para competir.

O próximo marco factual a observar será a aceleração dos processos de licenciamento e construção prometida pelo governo, bem como a listagem da SK Hynix na bolsa Nasdaq, que a empresa espera utilizar para captar mais de 29 mil milhões de dólares e financiar a expansão da capacidade produtiva. A concretização dos prazos e a capacidade de atrair fornecedores para o novo polo determinarão se o plano conseguirá contrariar o ceticismo inicial dos mercados.

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