
Famílias Trump e Lutnick obtêm participação em projeto de tungstênio no Cazaquistão após negociação governamental
Investigação do New York Times revela que filhos do presidente e do secretário de Comércio dos EUA adquiriram fatias em acordo mineral estratégico negociado por seus pais, levantando questões sobre conflitos de interesse.
Uma investigação do New York Times expôs a sobreposição entre a diplomacia mineral da administração Trump e os negócios privados das famílias do presidente e do secretário de Comércio. Enquanto Washington negociava com Astana o acesso a uma das maiores reservas inexploradas de tungstênio do mundo, os filhos de Donald Trump e de Howard Lutnick entraram como investidores na estrutura societária do projeto. O acordo, que concede à americana Kaz Resources 70% da exploração, foi assinado em 6 de novembro de 2025, seis dias após a Dominari Securities — empresa sediada na Trump Tower e parcialmente detida por Donald Trump Jr. e Eric Trump — ter adquirido, juntamente com outros investidores, uma participação de 20% na cadeia corporativa ligada à jazida.
A cronologia dos eventos, detalhada pelo diário nova-iorquino, indica que o presidente Trump e o secretário Lutnick contataram diretamente o presidente cazaque Kassym-Jomart Tokayev em setembro de 2025 para viabilizar o projeto. Poucas semanas depois, os filhos de ambos os responsáveis políticos passaram a deter interesses financeiros na operação. Paralelamente, a Cantor Fitzgerald, controlada pela família Lutnick e gerida pelos filhos Brandon e Kyle, ajudou um dos principais investidores da Dominari a angariar 210 milhões de dólares para a estrutura do projeto, gerando milhões em comissões.
O caso do tungstênio insere-se num padrão mais amplo identificado pela investigação. As famílias Trump e Lutnick detêm laços financeiros com pelo menos 14 empresas mineiras que procuram ou já obtiveram apoio do governo federal, num valor conjunto próximo de nove mil milhões de dólares. Em paralelo, o fundo American Ventures, que conta com os filhos Trump entre os seus consultores e acionistas, tem utilizado uma estratégia de investimento em empresas de pequena capitalização: a mera divulgação da associação ao nome Trump provoca valorizações súbitas das ações, gerando lucros contabilísticos de centenas de milhões de dólares, como observado numa empresa de golfe que se fundiu com um fabricante de drones militares e numa sociedade de infraestruturas com planos de mineração no Cazaquistão.
A Casa Branca e o Departamento de Comércio rejeitaram as acusações de conflito de interesses, afirmando que as decisões foram tomadas exclusivamente com base na segurança nacional e na necessidade de assegurar o fornecimento de minerais estratégicos, essenciais para as indústrias tecnológica e de defesa. O tungstênio é considerado crítico para reduzir a dependência da China, e o Cazaquistão procura contrabalançar a influência russa e chinesa na região. Observadores em Washington notam, contudo, que o governo manifestou interesse preliminar em apoiar o projeto com até 1,6 mil milhões de dólares em empréstimos e garantias federais, o que representaria um suporte público de elevado valor.
O próximo marco a acompanhar será a decisão final sobre esse financiamento público, enquanto o escrutínio sobre a intersecção entre os negócios da família presidencial e a política externa dos EUA se intensifica. O caso junta-se a controvérsias anteriores envolvendo projetos da família Trump na Eslovénia, Albânia, Indonésia e Arábia Saudita, frequentemente coincidentes com negociações governamentais ou visitas diplomáticas de alto nível.
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Kazakhstan welcomes international investors, showing its ability to attract capital without compromising sovereignty.
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The entry of Trump's sons is an attempt at American penetration into Central Asia, threatening regional stability.
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